VAR…ZEI! O dilema da arbitragem eletrônica no futebol brasileiro

Sob revisão da opinião pública, CBF troca comando de comissão sem anular contestada tecnologia nos gramados

Erros seguidos da arbitragem de vídeo no Brasileirão levaram à demissão do chefe da comissão de arbitragem da CBF, reabrindo o debate sobre os limites e a confiabilidade do VAR no futebol brasileiro.

Parecia apenas uma questão de tempo para que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) voltasse atrás em sua decisão de agregar a arbitragem de vídeo às suas principais competições realizadas no país.

Mas este lance continua valendo, apesar dos sucessivos e recentes erros da arbitragem nas últimas semanas, detectados pelos menos olhos eletrônicos que deveriam, em tese, afastar dúvidas e orientar acertos.

Lembramos neste post alguns dos erros mais graves do VAR apenas no Brasileirão-2021, cujo acúmulo resultou na demissão do ex-árbitro Leonardo Gaciba da comissão de arbitragem da CBF. Alicio Pena Júnior, que já pendurou apito, assume a vaga.

“VAR…SIL”

Não é de hoje que a arbitragem de vídeo interfere nas decisões do futebol brasileiro – pelo bem (como sempre deveria ser), ou pelo mal. A primeira experiência foi no Campeonato Pernambucano de 2017.

No Brasileirão, o VAR está presente desde 2019. A CBF banca a estrutura e os clubes pagam a arbitragem – inclusive a de vídeo, quando presente nos estádios. O apoio externo da tecnologia nunca foi um consenso.

O VAR só pode ‘entrar em campo’ em situações específicas como a revisão de gols, pênaltis, impedimentos, expulsões, saída de bola do gramado e, principalmente, dentro ou fora do gol. A palavra final, no entanto, é de quem conduz o apito.

“VAR…MIGO”

Os erros capitais em alguns jogos provocou a fúria de várias torcidas e levantou, como de costume, a suspeição de supostos favorecimentos a alguns clubes – entre eles, os mesmos igualmente prejudicados em outras arbitragens.

“VARTLÉTICO”?

Líder isoladíssimo do Brasileirão e a poucas rodadas de sagrar-se campeão após 50 anos, o Atlético Mineiro foi favorecido pela arbitragem de vídeo, que anulou o que seria o gol de empate do São Paulo, em pleno Mineirão, pela 7ª rodada.

A comissão de arbitragem da CBF reconheceu ter havido um equívoco na colocação da linha de impedimento, que acabou por tirar o gol legítimo de Luciano. O Galo ganharia o jogo por 3 a 0. O São Paulo formalizou reclamação na CBF.

“VARPECOENSE”?

Na briga pelo vice-campeonato brasileiro, o Flamengo parou no empate em 2 a 2 contra o lanterna Chapecoense, mas poderia até ter voltado de Santa Catarina com uma vitória não fosse, ao menos, um lance capital da arbitragem de vídeo.

O atacante Gabigol partiu ao contra-ataque, livre, de seu campo de defesa. Ou seja: em condições legais de avançar. Menos para a arbitragem que, lá da cabine, viu um impedimento que não existiu.

“VARMENGO?”

Prejudicado no sul, o Flamengo foi beneficiado por um pênalti inexistente na vitória contra o Bahia, por 3 a 0. Diego Ribas tentou uma bicicleta dentro da área e o argentino Conti, do Tricolor, barrou, com o peito.

COMO O VAR FUNCIONA EM OUTRAS LIGAS

O uso da arbitragem de vídeo não é exclusividade do futebol brasileiro. Ligas como a inglesa, a espanhola e a italiana adotaram o sistema antes da CBF e também enfrentaram períodos de adaptação, com polêmicas parecidas sobre o tempo de revisão e a interpretação de lances de impedimento por poucos centímetros. Em algumas competições europeias, inclusive, o próprio público do estádio acompanha, em telões, a análise que está sendo feita pela cabine de arbitragem, o que ajuda a reduzir a sensação de que as decisões acontecem no escuro.

No Brasil, essa transparência ainda é limitada. A CBF divulga apenas parte do processo de revisão, e a comunicação sobre o motivo de determinadas decisões costuma chegar ao público de forma incompleta, o que alimenta ainda mais as teorias de favorecimento entre torcedores de diferentes clubes.

OS LIMITES DA TECNOLOGIA

Apesar de todo o aparato tecnológico, o VAR continua dependendo da interpretação humana para a decisão final, o que explica por que erros continuam acontecendo mesmo com o recurso disponível. A tecnologia ajuda a revisar lances específicos com mais precisão, mas não elimina completamente a subjetividade envolvida em julgamentos como faltas, pênaltis e impedimentos por margens mínimas.

Por isso, especialistas em arbitragem defendem que a solução para reduzir polêmicas passa menos pela substituição total do fator humano e mais pelo aprimoramento constante do treinamento dos árbitros de vídeo, além de mais transparência na comunicação das decisões ao público que acompanha os jogos, seja no estádio ou pela televisão. Enquanto essas melhorias não avançam, a CBF segue sob pressão para justificar cada decisão polêmica que envolve o sistema, mostrando que a tecnologia, por si só, não resolve todos os problemas históricos da arbitragem no futebol brasileiro.

O lance foi para revisão e, apesar das imagens claras e repetidas, o árbitro Vinícius Araújo viu a mão do zagueiro na bola e insistiu na marcação do pênalti. A reação geral nas redes sociais foi a gota d’água para que Gaciba fosse demitido pela CBF.

Webert Oliveira
Sou um autor por escolha, curioso, especializado em transformar fatos e histórias inusitadas em narrativas cativantes. Com formação em Letras, gosto de combinar pesquisa rigorosa com um estilo envolvente, buscando não só informar, mas também inspirar a curiosidade de meus leitores sobre o mundo.
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