Trens de passageiros no Brasil seguem à beira da linha de investimentos

Apesar das curvas sinuosas impostas à economia pela pandemia do novo coronavírus, o transporte ferroviário tenta tracionar a retomada de anúncio de novos investimentos, ainda em 2021, ao ritmo da iniciativa privada.

O aporte chega a R$ 40 bilhões. Do Mato Grosso, estão previstas as partidas de duas novas ferrovias – a Ferrogrão, ao norte, rumo ao Pará e a Fico (Ferrovia de Integração do Centro-Oeste), para Goiás – e a expansão da Malha Norte.

Com 933 quilômetros de extensão, a Ferrogrão segue em análise no Tribunal de Contas da União (TCU) e deve ser iniciada apenas em 2030. Sob concessão da Vale, a Fico terá 383 quilômetros deve sair do papel apenas em 2027 – prazo parecido à implantação dos 630 quilômetros previsto para Rumo Logística no trecho que atravessará o Mato Grosso do Sul, ao Norte, até São Paulo.

Enquanto isso, os trens de passageiros seguem à beira da linha de novos investimentos no Brasil. Apesar da regra contratual de permissão de passagem deste tipo de comboio, as empresas investidoras se interessam quase que exclusivamente pela exploração do transporte de cargas.

DESTINO: RESISTÊNCIA

Entre as grandes operadoras ferroviárias do país, a Vale é a única exceção. A empresa administra os últimos dois trens de passageiros de longo percurso que restaram no Brasil em duas de suas estradas de ferro: a Vitória-Minas e a Carajás.

Com 664 quilômetros, a Vitória-Minas liga as capitais mineira e a região metropolitana da capixaba, e vice-versa, com regularidade diária. O trecho é vencido após 13 horas de uma viagem entrecortada por grandes vales, montanhas e rios.

O trem de passageiros da Carajás é o maior em operação no Brasil. São 892 quilômetros entre São Luis (MA) e Parauapebas (PA), vencidos após 16 horas de viagem. Trata-se da opção mais barata de transporte entre essas duas regiões longínquas do norte do Brasil.

O aspecto social, aliás, foi um dos aspectos que levaram a Vale a manter o serviços dos dois trens de passageiros, apesar de sua privatização, em 1997. Desde 2014, ambas as ferrovias receberam novos carros climatizados e com tomadas elétricas individuais.

TREM INTERCIDADES

Os investimentos providos pela Vale aos seus dois trens de passageiros são um oásis em tempo árido de recursos a este tipo de transporte no país. É por vias financeiras que o governo paulista espera reativar trechos de média distância pelo Trem Intercidades (TIC).

O primeiro, até Campinas (SP), com previsão de extensão a Americana (SP), deve ser licitado através de uma Parceria Público-Privada (PPP). Segundo o projeto, o trecho entre as duas regiões metropolitanas deverá ser cumprido em apenas uma hora sobre os trilhos.

A licitação depende, no entanto, da renovação do contrato da concessionária ferroviária do trecho, a MRS Logística, que atua exclusivamente no transporte de cargas. A continuidade das operações depende de aval do TCU.

EM LINHAS OPOSTAS

Gestor ao longo de décadas do transporte ferroviário ao longo de décadas, o Poder Público tem alternado tentativas frustradas e promissoras para restabelecer o serviço ao menos como uma modalidade turística.

Em Goiás, o governo quer revitalizar os trilhos da antiga Estrada de Ferro Goiás com a instalação de um trem turístico no trecho entre 14 cidades. As antigas estações já receberam reformas e o incremento de atividades culturais diversas, como feiras de artesanato e de culinária.

O trecho está em uso pela VL! (Vale Logística Integrada), que só transporta cargas. Previsto para 2021, o início das operações do futuro trem turístico goiano acabou adiado, mais uma vez, por conta, inclusive, das restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus.

Enquanto a transporte turístico sobre os trilhos ganha uma nova luz ao fim do túnel, outras iniciativas governamentais já chegaram ao fim da linha. O caso notório mais recente é o do Trem do Pantanal, do Mato Grosso do Sul.

Reativado em 2009, na tentativa de resgatar a nostalgia de seus tempos de transporte regular dos anos 1960 a 1980, o ‘Pantanal Express’ teve viagem curta. A diferença na velocidade, na distância e na procura pelo trem como em outros tempos abreviou sua frustrada retomada.

PELOS TRILHOS DO TURISMO

Enquanto tentou durar, o ‘Pantanal Express’ foi administrado pela Serra Verde Express que, diante das circunstâncias, deixou de operar o serviço. Especializada em turismo ferroviário, a empresa atualmente oferece pacotes diversos para o Trem da Serra do Mar, entre Curitiba e Morretes, no Paraná.

O Trem do Vinho é uma opção de diversão, cultura e, claro, saborosas degustações no Rio Grande do Sul. O passageiro trafega pelos 23 quilômetros de história entre Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa.

Há dezenas de outras opções de trens turísticos pelos rincões do Brasil. Entre os mais conhecidos estão o Trem do Forró, em Recife (PE); o Trem do Corcovado, no Rio de Janeiro; o Trem de Guararema; a Maria Fumaça Campinas-Jaguariúna; e os passeios entre as cidades mineiras de Ouro Preto e Mariana e de São João Del Rei e Tiradentes.

Ricardo Almeida
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