A “fórmula do sucesso” do burnout

OMS agora considera síndrome como doença do trabalho. Como estamos lidando com essa parte de nossas vidas?

Síndrome de burnout afeta quem ama o que faz, mas vive exausto. Entenda como repensar sucesso e equilíbrio.

Faça o que você ama e você nunca terá que trabalhar um dia na vida.” Como uma boa millennial, tenho ouvido isso há alguns anos, até mesmo antes de entrar para o mercado de trabalho. Sempre amei o jornalismo, profissão que escolhi, e tenho um orgulho grande em dizer que mantive essa escolha desde os 11 anos de idade. É um amor antigo e, de fato, eu amo o que eu faço. Inclusive, amei antes mesmo de exercer a profissão.

No auge dos meus 24, hoje, me lembro de uma outra máxima que complementa a citada acima: “Trabalhe bastante para realizar seus sonhos.” Aparentemente, se trabalhássemos firme, o mundo seria pequeno para nossas conquistas. E se trabalharmos firmemente com o que amamos, na verdade, não trabalharíamos (pelo menos não naquele conceito antigo de trabalho como uma coisa chata e obrigatória). Esse é o verdadeiro sonho – conquistar tudo o que queremos, trabalhando com o que amamos, o que, idealmente, significa “não trabalhar”. Confuso? Sim. Mas essa parece ser a fórmula a ser seguida. 

Entretanto, um problema que nós, millennials, temos enfrentado com bastante afinco é o fato de que, o que nos foi prometido, não tem sido cumprido. Nós trabalhamos, bastante, em alguns casos, em tempo integral, sem que o momento de descanso venha. E se não trabalhamos, estamos estudando e se não estudamos, estamos analisando o mercado para que possamos tomar as melhores escolhas em nossa carreira. Tudo isso em busca da concretização de um conceito tão abstrato quanto o sucesso. 

O QUE É SUCESSO PARA VOCÊ?

Infelizmente, generalizamos o sucesso. O seu conceito tem que ser o mesmo que o meu e isso exige que sejamos muito bem sucedidos em nossas vidas – é preciso equilibrar todos os pratinhos: vida financeira em alta, carreira em ascensão, vida amorosa como um filme de comédia romântica e uma família estilo comercial de margarina. 

O sucesso de hoje desconsidera os percalços da vida. Tem até uma corrente “very good vibes” que nos manda ignorar nossos sentimentos e emoções negativas, para que sejamos sempre felizes e isso é um bom insumo para que possamos continuar produzindo em tempo integral. Já ouviu aquela que diz que “gente feliz não enche o saco?” Pois bem, gente feliz também é gente que ama o que faz e o faz sem questionar e sem parar. 

E O RESULTADO NÃO PODERIA SER OUTRO

De fato, somente um lado da promessa se concretizou – aquele em que a gente trabalha muito. A outra parte ficou em falta. Não estamos realizando nossos sonhos e muito menos tendo o sucesso esperado, porque essa definição de sucesso simplesmente não existe. Na verdade, o produto dessa busca incessante por algo que não existe resultou em uma grave doença: o burnout. 

A Organização Mundial da Saúde definiu que o burnout, em 2022, será considerado uma doença ocupacional, do trabalho. Quem diria que teríamos uma síndrome causada pela falta de descanso? Pela falta de um respiro de toda essa corrida que não há uma linha de chegada que participamos todos os dias. 

Essa rotina de acordar e já estar no celular, respondendo mensagens; comer, verificando e-mails; treinar, lendo um artigo para a reunião de mais tarde, é desesperadora. E se engana quem acha que “descansa” quando para de trabalhar e fica rolando feed de rede social. Nesses momentos, estamos ainda colaborando com o “jogo do sucesso”, já que redes sociais e comparação são dois conceitos que andam lado a lado. Se aquela pessoa a qual você segue está fazendo mais sucesso que você… Bom, é porque você não trabalhou o bastante. E nisso, você entra em um ciclo que, além de se perdurar, ainda vai te adoecer. 

A síndrome do burnout é uma realidade para todos nós, infelizmente. Mas há quem se utilize dos recursos que têm e podem para poder lutar contra isso. Um vídeo que me ajudou muito foi o do professor Clóvis de Barros Filho, no TedX Brasil, em São Paulo. Esteja presente, respire, faça realmente o que você ama (não somente aquilo que você é paga para amar) e viva uma vida entendendo que sucesso é você quem define.

 

Ricardo Almeida
Bem-vindo! Sou Ricardo, e neste espaço, minha paixão por futebol, o universo do esporte e as nuances da política se transformam em análises e discussões. Venha falar comigo os temas que moldam o Brasil.
Leia também