Ricardo Barros é o protagonista da CPI de hoje
Depois de solicitar ao STF que seu depoimento fosse adiantado, o deputado vai à CPI da Covid hoje dar seu depoimento para tentar explicar o porquê do seu nome ter sido citado no depoimento do deputado Luís Miranda

Um dos depoimentos mais aguardados nesta segunda temporada da CPI da Covid, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) vai ao Senado para tentar explicar sua versão dos fatos.
Depois de ter sido citado pelo deputado federal Luís Miranda (DEM-DF) como o mandante do esquema de corrupção que envolvia pedido de propina na compra da Covaxin, vacina indiana que nunca chegou ao Brasil, Barros solicitou aos membros da CPI que fosse convocado para poder desmentir o que Miranda tinha afirmado.
Na ocasião, o deputado Luís Miranda disse, depois de muito ser pressionado pelos senadores, que Ricardo Barros era o responsável por todo o esquema e que, quando levou a denúncia ao presidente Bolsonaro (sem partido), que o próprio afirmou que Barros, líder do governo na Câmara dos Deputados, estava envolvido em todo o imbróglio.
O presidente Bolsonaro, quando questionado, não negou e nem afirmou que tinha citado o nome de Barros na conversa com Luís Miranda e por essa falta de defesa do presidente, Ricardo Barros se movimentou para tentar ir à CPI o mais rápido possível, no intuito de explicar o porquê do seu nome ter sido citado pelo deputado Miranda durante seu depoimento.
A ansiedade para depor na CPI era tanta, que Barros chegou a solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a data de seu depoimento fosse adiantada. Entretanto, a estratégia dos membros da Comissão foi outra: prorrogar o depoimento tanto quanto fosse possível, ouvindo outros supostos envolvidos no esquema, para ter mais insumos na hora de formular as indagações ao deputado quando fosse depor.
Quem é Ricardo Barros?
Ricardo Barros é deputado federal do Partido Progressistas pelo estado do Paraná, sendo esta a sexta vez que ocupa o cargo, com o primeiro mandato em 1995. Ele é natural de Maringá e já foi prefeito da cidade. É casado com a ex-governadora do Paraná, Cida Borghetti, nomeada pelo presidente Jair Bolsonaro como conselheira da usina Itaipu Binacional. Borghetti foi eleita vice-governadora na chapa do ex-governador Beto Richa (PSDB).
Barros é líder do governo na Câmara dos Deputados e integra o famoso centrão. Ele ganhou o posto após indicação de Arthur Lira, atual presidente da Câmara, com a promessa de que seria uma peça importante na articulação política do presidente no Congresso.
No governo Temer, Barros foi ministro da Saúde e fechou um contrato com a Global Gestão em Saúde, que enganou o governo na época, prometendo entregar medicamentos de doenças raras em um negócio de R$ 20 milhões. Esses medicamentos nunca foram entregues, entretanto, o governo Bolsonaro continuou fazendo negócios com essa Global, que é sócia da Precisa Medicamentos, representante da Covaxin no Brasil.
Na gestão Bolsonaro, como líder de Governo, Barros coleciona polêmicas, especialmente falando de vacinas. É que o deputado foi autor de uma emenda parlamentar que dava celeridade na compra dos imunizantes e em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”, Barros ameaçou ”enquadrar” a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para acelerar a permissão das utilização das vacinas no Brasil.
E agora, o deputado é cotado como um dos responsáveis pelo suposto esquema de corrupção na compra dos mesmos imunizantes que queria tanto trazer para o Brasil.
No que ele será indagado hoje na CPI?
O objetivo da CPI hoje é tentar analisar qual versão é verdadeira: a do deputado Luís Miranda ou do deputado Ricardo Barros?
Por isso, os membros da Comissão hoje devem indagar com bastante veemência qual é a relação que Barros tem com a Precisa Medicamentos, já que foi ele quem fez negócios com a sócia Global, enquanto era ministro da Saúde na gestão Temer.
Além disso, o deputado terá que explicar o porquê do deputado Luís Miranda tê-lo citado como um dos responsáveis por todo esquema de corrupção da compra da Covaxin, com o endosso do presidente da República não ter negado ter citado o nome dele em conversa com Miranda.
Já no caso da Davati, os senadores tentam descobrir se Ricardo Barros foi quem, de fato, indicou o ex-Diretor do departamento de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias para o cargo de confiança e se ele tem algum envolvimento também com esse esquema irregular de compra da vacinas da AstraZeneca.
Análise: Qual estratégia utilizada hoje pelo depoente?
Por ser um político com mais de 20 anos de Congresso Nacional e por isso, conhece bem as nuances do jogo político. Sendo assim, o deputado deve ir com uma estratégia consolidada para não deixar os senadores crescerem para cima dele.
Para ilustrar isso, basta que pensemos em debates na época de eleições, em que um sai vencedor da discussão. Pois bem, o que Barros quer hoje é ganhar dos senadores.
Para isso, Barros não deve abaixar a cabeça para as investidas dos membros da CPI e, até por ser uma característica dele, o deputado deve responder às perguntas de forma incisiva, tentando não demonstrar nenhuma fraqueza ou medo de ser “descoberto”.
Entretanto, considerando que esse depoimento é um dos mais esperados da CPI, os senadores também estão preparados com perguntas bem fundamentadas e coloco aqui em evidência, as indagações que serão feitas pelo senadores Alessandro Vieira, Simone Tebet e Randolfe Rodrigues, que geralmente enquadram o depoente em seus questionamentos.
Para “vencer” o depoimento de hoje, será necessário que Barros tenha uma boa justificativa para cada indagação feita pelos senadores.
