‘Plano Dória’ de vacinação 100% em SP tem pretensão de 1ª dose no braço e 2ª no voto
Todos os brasileiros residentes em São Paulo estarão imunizados contra a covid-19 até 31 de outubro deste ano. A informação é oficial.

Todos os brasileiros residentes em São Paulo estarão imunizados contra a covid-19 até 31 de outubro deste ano. A informação é oficial. Foi declarada no começo da tarde desta quarta-feira (2) pelo próprio governador João Doria (PSDB), em uma de suas coletivas de imprensa de rotina no Palácio dos Bandeirantes, na capital.
A iniciativa recuou em dois meses o prazo anterior de vacinação. Pelo cronograma atual, o estado priorizou para esta semana a imunização de pessoas com deficiências permanentes e com comorbidades na faixa dos 30 a 39 anos – a partir da próxima segunda (7), a prioridade será aos que têm entre 18 e 29 anos.
Na quarta-feira (9), será a vez dos profissionais da Educação Básica com 45 e 46 anos. Segundo o governo paulista, cerca de 350 mil profissionais da Educação com idade superior a 47 anos já foram vacinados. A aplicação das doses ocorre em parceria com as prefeituras.
DOSE VACINAL
Segundo o novo cronograma divulgado nesta quarta (2), a primeira ‘leva’ de vacinação antecipada tem início em 1º e segue até 20 de julho para os paulistas de 55 a 59 anos. De 21 a 31, entram na fila da imunização os profissionais da Educação de 18 a 44 anos.
Em agosto, a prioridade é para quem tem entre 50 a 54 anos, dos dias 2 a16 e de 45 a 49 anos, de 17 a 31. Em setembro, a vacinação ficou assim: de 1 a 10, para 40 a 44 anos; de 11 a 20, de 35 a 39 anos; e de 21 a 30, de 30 a 24 anos de idade.
Por fim, ainda segundo o novo calendário de vacinação, serão imunizados em outubro quem tem entre 25 a 29 anos, do dia 1º ao 10º e de 18 a 24 anos, até o dia 31. “A população com mais de 18 anos estará plenamente imunizada até esta data”, discursou o governador.
DOSE ELEITORAL
Em tese, sim. O calendário se refere ao período definido para que as pessoas recebam a primeira dose do imunizante. Quem receber a da Coronavac precisa retornar em 21 dias. Nos casos da Pfizer e da Oxford Astrazeneca, a volta a 2ª dose ocorre 12 semanas depois.
Além disso, apesar da ‘promessa oficial’, o cronograma ainda pode ser alterado. As datas anunciadas têm por base uma projeção feita pelo Plano Estadual de Imunização (PEI) com base na disponibilidade prevista, ao menos por ora, pelo Ministério da Saúde.
Na pior das hipóteses – o atraso da entrega de vacinas pelo Ministério da Saúde – a vacinação pode até retornar ao prazo anterior (31 de dezembro), ou mesmo avançar em 2022, em pleno ano eleitoral, no qual a imunização tem, desde já, forte impacto político.
GOTAS DE CAMPANHA
Apesar do entusiasmo em anunciar a vacinação de “todos os brasileiros de São Paulo” ainda em 2021, o governador paulista pode se beneficiar politica e eleitoralmente do arrasto de sua estratégia de ‘vacinação 100%’ em solo paulista até o ano que vem.
De olho no Planalto, Dória teria sua eventual largada em uma campanha presidencial com a vacina ainda no braço do eleitor, na pretensão de que a imunização em massa no maior colégio eleitoral do país possa alcançar também as mãos dos eleitores em outubro de 2020.
Por ora, no entanto, e apesar do avanço da vacinação no estado de São Paulo, a candidatura de João Dória à Presidência da República ainda segue a conta gotas no ninho tucano. O governador paulista ainda não dispõe de vacina para imunizar o próprio partido ao consenso de seu nome.
