#ParalimpíadasDeTóquio: 5 exemplos de superação para você repensar reclamar da vida

Conheça a trajetória de 'gigantes' do paradesporto brasileiro que preferiram a carreira paradesportiva à lamentação por suas limitações

Representado por sua maior delegação em competições paradesportivas no exterior, o Brasil disputa os Jogos Paralímpicos no Japão a partir desta terça (24) com a missão de se manter no ‘Top 10’ das potências mundiais.

Mais do que isso, o país expõe ao mundo 434 histórias de superação, de gente que fez de suas limitações motoras, visuais e intelectuais a oportunidade para cruzarem a linha de suas próprias possibilidades através do esporte.

Destacamos abaixo cinco dessas sagas paradesportivas, pinceladas entre os favoritos ao pódio na terra do sol nascente. São grandes exemplos que servem de inspiração para novos campeões da vida.

ALANA MALDONADO

Natural de Tupã (SP), a judoca iniciou sua trajetória nos tatames aos quatro anos. A migração ao paradesporto ocorreu aos 14 após ser diagnosticada com a doença de Stargardt, que afeta a visão central, é progressiva e incurável (ao menos, por enquanto).

Alana deu um ippon no problema com uma carreira vitoriosa. Vice-campeã nos Parapan-Americanos de Toronto (2015), ela foi prata nos Jogos Paralímpicos do Rio (2016) e se sagrou bicampeã da Copa do Mundo no Uzbequistão (2017 e 2019).

Atual campeã mundial na categoria até 70 quilos, a judoca de 26 anos é atleta do Palmeiras e reside em São Paulo. “Agradeço a todas as dificuldades que passei na vida. Elas foram grandes adversárias, mas tornaram minhas vitórias muito mais gloriosas”, escreveu Alana em sua conta no Instagram.

ANTÔNIO TENÓRIO

Uma das brincadeiras mais comuns na infância simples de Antônio Tenório era acertar as coisas com um estilingue. Na ausência de pedrinhas, a ‘munição’ estava garantida no bolso com um cacho de mamonas.

Além de tanto mirar, Tenório também foi o alvo. Ainda aos 13, foi atingido no olho esquerdo. Seis anos depois, perderia o direito por causa de uma infecção. Cego, enxergou uma nova vida no judô.

Tetracampeão paraolímpico (1996, 2000, 2004 e 2008), foi prata no Rio (2016) e segue entre os favoritos pela categoria B1, aos 51 anos. Em 2008, Tenório disputou o Paulista Master de Judô regular e mostrou sua visão do esporte pela técnica. Foi o campeão.

DANIEL DIAS

Foi na madrugada de 24 de maio de 1988 que Daniel Dias fez sua primeira exibição. Já chegou surpreendendo: sem um dos pés e as mãos, e sorrindo. Aos 3 anos, venceu sua primeira grande prova: aprendeu a nadar.

Desde então, Daniel Dias mergulhou numa trajetória única na história do paradesporto mundial. Aos 33 anos, ele é o maior vencedor de sua modalidade com 24 medalhas paraolímpicas, além de outras 40 em mundiais.

Único brasileiro premiado com três Troféus Laureus (2009, 2013 e 2016), conhecido como o ‘Oscar do Esporte’, Daniel Silva fará sua despedida paraolímpica em Tóquio. Ele anunciou a sua aposentadoria das disputas mundiais.

PETRÚCIO FERREIRA

Primogênito de humildes agricultores na pequena São José do Brejo do Cruz, no sertão paraibano, Petrúcio Ferreira percebeu muito rápido o ofício que lhe caberia no auxílio à família no trato com o campo.

Com apenas um ano e onze meses, ousou moer capim para o pai. A máquina lhe arrancou metade de seu braço esquerdo. A deficiência adquirida não lhe tirou o brilho nos olhos, tampouco a velocidade.

Ouro nos 100 e 200 metros do Parapan-Americano de Toronto (2015) e campeão nos 100 e prata nos 400 e nos 4×100 na Rio-2016, Petrúcio Ferreira é um dos principais braços para a conquista de novas vitórias ao Brasil em Tóquio.

BETH GOMES

Beth Gomes sempre encaminhou sua vida pelo esporte. Começou aos 14, pelo vôlei, sua paixão. Chegou a ser tricampeã nos Jogos dos Servidores Públicos. Aos 27, a vida lhe sacou das quadras: recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla.

Passou a andar de muletas e, pouco depois, viu-se em uma cadeira de rodas. Veio a depressão, mas também o convite para ser jogadora de basquete. Aceitou. Afinal, a vida precisava rodar. A decisão a levou às Paralimpíadas de Pequim (2008).

A esclerose avançou em 2010: paralisou todo seu lado direito. O atrofiamento dificultou a vida no basquete mas a conduziu ao atletismo. Em 2017, foi a vez do lado esquerdo também perder a luta contra a esclerose.

Mas Beth Gomes seguiu adiante. Aos 56 anos, a paratleta chega às Paralimpíadas de Tóquio como atual campeã e recordista mundial no lançamento de disco e candidata a pendurar no peito novas conquistas no esporte e na vida.

Webert Oliveira
Sou um autor por escolha, curioso, especializado em transformar fatos e histórias inusitadas em narrativas cativantes. Com formação em Letras, gosto de combinar pesquisa rigorosa com um estilo envolvente, buscando não só informar, mas também inspirar a curiosidade de meus leitores sobre o mundo.
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