O que é o “fundão bilionário” que foi aprovado pelo Congresso Nacional?

Recursos públicos destinados às campanhas eleitorais de 2022 foram dispostos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e, para entrar em vigor, só falta a sanção do presidente Bolsonaro

O Congresso Nacional aprovou ontem (15) o texto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2022, que diz, basicamente, o que será gasto pelo governo federal no ano que vem. Esses gastos, que são feitos com dinheiro público, refletem as prioridades do governo e mostra, de forma preliminar, como os recursos serão utilizados durante o período. 

Entretanto, apesar desse texto citar vários tipos diferentes de gastos, um chamou atenção: o governo disponibilizará mais de R$ 5,7 bilhões para o fundo eleitoral, que é o dinheiro que financia as campanhas eleitorais. Anteriormente, o valor também não era baixo – R$ 2 bilhões. Mas o aumento foi considerável. 

Apesar de ter sido questionado por alguns deputados, o texto foi aprovado pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) e agora o texto segue para a sanção ou veto do presidente Bolsonaro. 

O “fundão” para as campanhas eleitorais foi criado após a proibição do financiamento privado, em 2015, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), alegando que as grandes doações empresariais priorizam poucos partidos políticos e isso desequilibra uma campanha mais justa e democrática. Por isso, o recurso é dividido entre os partidos políticos.

Porém, muitos deputados que votaram sim para a aprovação do orçamento foram questionados nas redes sociais pela polêmica do alto valor destinado ao fundão. As críticas se tornaram ainda mais incisivas depois que, muitos desses parlamentares que haviam feito vídeos e postagens contra o financiamento público das campanhas. Esse foi o caso de deputados da base bolsonarista. 

Deputados bolsonaristas são criticados por seu próprio eleitorado

Mesmo os mais fiéis eleitores do presidente e dos parlamentares de sua base criticaram os votos a favor do orçamento que destina esse valor exorbitante para as campanhas eleitorais. Muitos internautas reclamaram que em várias publicações os políticos bolsonaristas costumam criticar o uso de dinheiro público para financiar campanhas eleitorais, mas ajudaram a triplicar o valor dos recursos.

Inclusive os filhos do presidente Bolsonaro, como o deputado Eduardo Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro estão tendo que lidar com os comentários de sua base eleitoral. O deputado votou a favor do texto e Flávio ainda não se pronunciou sobre o assunto. 

A deputada Carla Zambelli, da base apoiadora do presidente, também votou a favor e lidou de forma mais “agressiva” com os seguidores que a criticaram nas redes sociais. Em resposta a um dos comentários, Zambelli chamou de “desgraçados” quem a criticou por votar a favor do fundão.

Como os partidos se organizaram para votar a LDO?

Apesar de serem críticos ferrenhos ao financiamento público de campanhas eleitorais, os partidos da base bolsonarista e outros colocados mais à direita do espectro político votaram a favor do texto:

  • PSL
  • PL
  • PP
  • PSD
  • MDB
  • PSDB
  • DEM
  • Solidariedade
  • Pros
  • PSC
  • PTB
  • Cidadania 

Já os partidos da oposição ao governo e os que se encontram mais à esquerda política votaram contra a aprovação da LDO:

  • PT
  • PSB
  • PDT
  • Podemos
  • PSOL
  • Novo
  • PV
  • Rede
Webert Oliveira
Sou um autor por escolha, curioso, especializado em transformar fatos e histórias inusitadas em narrativas cativantes. Com formação em Letras, gosto de combinar pesquisa rigorosa com um estilo envolvente, buscando não só informar, mas também inspirar a curiosidade de meus leitores sobre o mundo.
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