Novo reajuste na conta de energia elétrica acende luz de alerta a hábitos de consumo

A conta de luz vai ficar mais cara no Brasil a partir desta terça-feira (1). O reajuste foi anunciado na semana passada pelo Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em virtude dos “níveis mais baixos” dos principais reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN) e a previsão de “condições hidrológicas desfavoráveis” com “reduzida geração hidrelétrica e aumento da produção termelétrica”.

Diante deste cenário, a agência recorreu à cobrança pela ‘bandeira vermelha patamar 2’, a mais alta da aquarela tarifária atual. Pela tabela padrão, trata-se de um aumento adicional na conta de R$ 6,243 para cada 100 kWh consumido. O aumento na cobrança acende uma luz de alerta aos hábitos de consumo do brasileiro – ainda mais nestes tempos econômicos pandêmicos difíceis.

Segundo a Aneel, o próprio escalonamento dos valores de custo de uso de energia elétrica em bandeiras possibilitar ao consumidor ter uma conta de luz “mais transparente” e ainda “a melhor informação para usar a energia elétrica de forma mais eficiente, sem desperdícios”. “É importante reforçar aos consumidores ações relacionadas ao uso consciente e ao combate ao desperdício de energia”, orientou a agência.

‘VILÕES’ DO CONSUMO

Com o reajuste, cabe a cada um analisar seus próprios hábitos de consumo para não encarecer ainda mais a conta de luz. O comportamento, aliás, serve tanto aos períodos de aperto nas tarifas como nos tempos de abundância de oferta do serviço – o que tem sido cada vez mais raro em virtude das mudanças climáticas e da falta de uma integração nacional do sistema de energia elétrica no país.

A primeira mudança começa pelo tempo de banho. A energia gasta pelo chuveiro representa de 25% a 30% do valor da conta, segundo cálculos da CPFL Energia. A concessionária orienta a permanência da posição do aparelho no modo ‘verão’ em dias quentes, banhos rápidos, a limpeza periódica de seus orifícios e o descarte das resistências queimadas.

Outra ‘vilã’ da energia elétrica é a geladeira. O patamar de consumo é semelhante ao do chuveiro. A recomendação é que o eletrodoméstico seja instalado em local arejado, longe de fontes de calor como o fogão, que em muitas casas costuma ficar ao lado. Sugere-se degelá-la com frequência e verificar a qualidade das borrachas de vedação da porta.

Quem tem ar condicionado em casa ou na empresa vai economizar no uso se não quiser que a conta esquente demais no fim do mês. Pelo menos 15% do custo é desse aparelho responsável por oferecer um ambiente mais agradável, sobretudo em lugares onde o clima é quente por natureza. A limpeza permanente dos filtros e o desligamento, sempre que possível, ajudam a refrescar o bolso.

Até o ferro elétrico não precisa esquentar tanto. Prefira utilizá-lo após juntar maior volume de roupa possível. A mesma dica serve para a utilização da máquina de lavar roupa. E pra quem costuma ficar assistindo televisão noite adentro, um alerta: todo o esforço de economia de um dia pode se perder para o seguinte. Não tem jeito: se for para pagar menos, é preciso repensar seu comportamento.

APAGÃO À VISTA

Se mesmo com o reajuste atual o brasileiro não se adequar à realidade, o país pode ficar no escuro, literalmente. O apagão registrado em vários estados na última sexta-feira (28) reforçou um alerta histórico emitido pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden): em 111 anos, é a primeira vez que se emite um comunicado de emergência hídrica prevista para persistir até setembro.

Especialistas ouvidos pelo site Infomoney apontam para dois sérios riscos para o Brasil para o segundo semestre: a possibilidade de um déficit de potência energética, sobretudo nos horários de picos das grandes cidades ou mesmo a própria interrupção do serviço, a exemplo do que ocorreu no Brasil na crise do apagão entre 1 de julho de 2001 e 19 de fevereiro de 2002.

As condições atuais são muito semelhantes à da época: níveis baixos os reservatórios das usinas hidrelétricas e uma crise hídrica rigorosa pela frente. Como consequência, houve vários apagões em vários pontos do país, que acabaram por ser, curiosamente, a ‘solução’ para que a economia, inevitavelmente afetada, não sofresse um blecaute ainda maior.

Webert Oliveira
Sou um autor por escolha, curioso, especializado em transformar fatos e histórias inusitadas em narrativas cativantes. Com formação em Letras, gosto de combinar pesquisa rigorosa com um estilo envolvente, buscando não só informar, mas também inspirar a curiosidade de meus leitores sobre o mundo.
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