#Lupa: O que dá para comprar com o Auxílio Brasil?
Benefício já chegará corroído pelo custo de vista no bolso de milhões de brasileiros pobres e miseráveis

O Governo Federal deposita a partir desta quarta-feira (17) os valores do Auxílio Brasil, o substituto do Bolsa Família. A estimativa é que o benefício financeiro alcance 17 milhões de famílias em situação de pobreza e extrema pobreza.
O valor médio previsto a ser distribuído é de R$ 217,18 mensais ante os R$ 190 do programa anterior. O valor mínimo pode chegar a R$ 400 em 2022, mas ainda não há garantia legal para o orçamento do próximo ano.
Apesar da majoração em quase 20%, o tíquete médio continua a ser um desafio orçamentário para as milhões de famílias que dependem exclusivamente desta renda para sobreviver durante um mês inteiro.
Afinal, quanto tempo resiste o benefício, que já chegará ao bolso de milhões de brasileiros corroído pela inflação e os reajustes que persistem nas contas de água, luz, gás, alimentos e dos combustíveis?
O QUE SOBRA?
O valor do benefício para cada família depende do atendimento aos critérios do Auxílio Brasil. Famílias em situação de pobreza – com renda individual de até R$ 200 por mês – só receberão o benefício caso tenham gestantes ou menores de 21 anos.
Em média, as famílias terão R$ 217,18 para sobreviver ao longo de 30 dias. Apenas o gás de cozinha, necessário para preparar os alimentos, abocanha quase a metade do benefício. Os valores médios variam de R$ 95 a R$ 103 no país.
O valor do benefício – sem nenhum desconto – não é suficiente para comprar nem a metade de uma cesta básica, cujo preço mínimo mais barato era de R$ 478, em Salvador (BA), segundo a pesquisa de setembro do Dieese.
Ou seja: o brasileiro que depende agora do Auxílio Brasil para sobreviver, precisa completar a renda para tentar fechar a conta do mês para não correr o risco de passar fome. Não raro, ou paga suas contas, ou come.
APORTE ASSISTENCIAL
A exemplo do Bolsa Família, o Auxílio Brasil é um ‘combo’ de benefícios assistenciais unificados em um só. Estão agregados o ‘Primeira Infância’’, o ‘Composição Familiar’ e o de ‘Superação da Extrema Pobreza’.
No mesmo ‘pacote’ constam ainda os auxílios ‘Esporte Escolar’, ‘Criança Cidadã’, ‘Inclusão Produtiva Urbana e Rural’, a ‘Bolsa de Iniciação Científica Junior’ e o ‘Benefício Compensatório de Transição’.
Todo este apoio governamental pode ainda não ser o suficiente para garantir o mínimo de dignidade para muitas famílias. Por isso, o portfólio assistencial é mais amplo para suprir outras necessidades básicas.
O Ministério da Cidadania oferece ainda iniciativas de alcance coletivo como o ‘Cisternas nas Escolas’, ‘Cozinha Comunitária’, ‘Restaurante Popular’ e serviços de atendimento às famílias e de proteção social a pessoas com deficiências e idosas.
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NEM O SALÁRIO MÍNIMO
Mesmo que reajustado, o auxílio oferecido pelo Governo Federa a partir desta quinta (17) ainda segue muito abaixo ao valor do salário mínimo nacional, de R$ 1,1 mil. O tíquete médio é mais do que quatro vezes menor.
O próprio salário mínimo, aliás, já é defasado. Pelos cálculos do Dieese, o valor necessário em outubro seria de R$ 5.886,50 – suficiente, segundo o departamento, para suprir as despesas de uma família com dois adultos e dois menores.
Nesta conta entram os custos com alimentação, educação, higiene, lazer, moradia, previdência, saúde, transporte e vestuário. Uma realidade orçamentária ainda muito distante para milhões de famílias brasileiras assistidas pelo Auxílio Brasil.
Criado por medida provisória, o novo programa de proteção social do Governo Federal está em tramitação não Congresso Nacional e ainda precisa ser aprovado nas duas casas legislativas (Câmara dos Deputados e Senado) para ter a força de uma lei.
