#LençoBranco: A luta contra o câncer precisa passar pela cabeça
Revelação ao vivo da jornalista Lilian Ribeiro reforça importância do cuidado mental na busca pela cura da doença

Pela primeira vez em um telejornal de alcance internacional transmitido ao vivo no Brasil, uma jornalista apresentou seu programa com um lenço na cabeça. A primeira notícia era ela mesma: “Fui diagnosticada com um câncer de mama”.
A doença, contou Lilian Ribeiro, no Em Pauta, da GloboNews, foi descoberta no último dia 1º de outubro. O início imediato do tratamento quimioterápico provocou a queda dos cabelos – daí o uso do lenço.
“Nos próximos meses eu vou aparecer assim”, avisou a apresentadora, cuja imagem correu tão rápido nas redes sociais quanto sua mensagem de otimismo diante do tratamento da doença que acaba de começar.
PAZ CONSIGO
Tão importante quanto cuidar do corpo – em particular, onde se faz necessária a cura – é o cuidado com a saúde mental. A forma como a jornalista se comportou diante de sua própria notícia expressou faz toda diferença.
Lilian Ribeiro poderia ter utilizado o mesmo espaço para murmurar sobre a doença e a vida. Ela preferiu esperançar. “Dores todos temos, e sempre teremos. Mas que as nossas dores nunca nos tenham”, disse.
As palavras doces em um momento de angústia refletem o caráter do sentimento da jornalista diante do maior desafio de sua vida: a serenidade, a difícil escolha pela paz, representada pelo lenço que agora carrega na cabeça.
OUTRAS MADEIXAS
Receber o diagnóstico de um câncer é difícil para qualquer pessoa. As reações mais comuns são o choro, o desespero, o medo de morrer. E os efeitos do tratamento não param por aí, particularmente para as mulheres.
Não bastasse o diagnóstico, a queda dos cabelos costuma ter, ao menos no início, um efeito devastador na autoestima da mulher. São nos cabelos que muitas ancoram sua beleza, seu passatempo, sua vaidade feminina.
Com o tempo, no entanto, a calvície inesperada acaba ocupada por outras madeixas, preparadas sob medida, ou pela beleza, então descoberta, em lenços, cores e fitas, para se usar dali pra frente, depois do câncer.
PAPO CABEÇA
A postura altiva de Lilian Ribeiro diante da doença é um exemplo de resistência comportamental a ser seguido pelas pessoas acometidas pelo câncer, apesar das reações provocadas pelo tratamento.
Daí a importância de monitorar(-se) sempre diante dos momentos de desânimo, tristeza, que podem se aprofundar para quadros de ansiedade e depressão. O acompanhamento psicológico e psiquiátrico é indispensável.
For o caso, este processo pode ser coletivo, à medida que se possa expressar suas dores e angústias, mas também as vitórias diárias – e da própria doença – diante de iguais ou pessoas ainda em tratamento, em grupos de apoio.
A MELHOR NOTÍCIA
Do mesmo modo em que anunciou sua doença, a jornalista espera, em breve, levar ao ar sua experiência de cura. A melhor notícia da vida dela ainda pode levar algum tempo, mas já é aguardada por seus familiares, amigos e telespectadores.
Até lá, Lilian Ribeiro vai seguir a pauta de seu tratamento à risca: apresentará o telejornal um dia, passará pelas sessões de quimioterapia em outro, descansará, voltará à TV para mais uma jornada de trabalho. E assim, adiante.
Mulher, mãe, negra, jornalista, esposa e, em breve, curada de um câncer de mama. Personagem ideal para uma bela reportagem de mais um exemplo de superação pra ficar na cabeça de tanta gente. Fique ligado: vai dar na GloboNews.
