‘Gangorra’ de empregos na pandemia não impede oportunidades para mudança

Após duas décadas no mesmo emprego, a jornalista Juliana Rosa anunciou seu pedido de demissão da Globo News, canal fechado do principal de grupo de comunicação do país. Em texto publicado em sua conta no Instagram, ela diz ter aceitado “um novo desafio”. Segundo o colunista Flavio Ricco, Rosa estaria se transferindo para o Grupo Bandeirantes. Até a publicação deste post, a emissora paulistana ainda não havia se manifestado oficialmente.
A ‘mudança de ares’ de Juliana Rosa não chegou a repercutir tanto nos Trending Topics do Twitter, mas chamou a atenção daqueles e daquelas que, a exemplo da jornalista, pensam em trocar de emprego, seja com outro à vista, ou não, em plena gangorra de contratações e demissões em plena pandemia.
SOBE E DESCE
A decisão pelo pedido de demissão passa pela análise do mercado de trabalho. Por conta da pandemia, há setores que mais demitiram que contrataram e outros que, além de agregar novos colaboradores e parceiros, seguem em alta. Os dados consolidados de 2020 do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) servem como bússola.
Segundo o levantamento, as profissões mais afetadas nesta pandemia foram as de cobrador de transportes coletivos (menos trem), tratorista agrícola, motorista de ônibus urbano, professor e auxiliar, gerente de conta, bancário, cozinheiro e trabalhadores nos setores de comércio e serviços em geral.
Por outro lado, as portas se abriram para auxiliar de logística, trabalhador rural, estoquista, operador de telemarketing e montador de móveis, entre outros. A necessidade de adaptação de empresas e empregados ao home office também abriu oportunidades para profissionais que atuam na área de TI (Tecnologia da Informação), como analistas de sistema e desenvolvedor java.
PONDERAÇÕES
Além da análise do mercado, o profissional que deseja trocar de casa acaba por fazê-lo por diferentes motivos. Seja desde um convite da concorrência, à percepção da iminência da demissão, doença ou necessidade de se adaptar à realidade imposta pela pandemia para manter ou ampliar o orçamento do lar.
- Convite do concorrente
Se a oportunidade está na empresa que disputa o mesmo mercado que a sua, a orientação dos especialistas é que o interesse não fique restrito à proposta financeira. Recomenda-se analisar o momento da contratante no mercado e o ambiente de trabalho. Se mudar, seja ético no trato com as informações da ‘ex-empresa’.
- Percepção de demissão
Caso as circunstâncias de seu trabalho – redução contínua de vagas, indisposição com chefias, etc – sinalizem a possibilidade de ser demitido já passou da hora de buscar uma nova colocação. Acione seus contatos, distribua currículo, cadastre-se em sites de vagas de emprego. Se der tempo, troque de vaga antes de ser substituído.
- Doença no trabalho
O adoecimento no ambiente de trabalho é um dos fatores que costumam pesar na decisão de continuar ou não em um emprego. Antes de mais nada, é importante que se busque o tratamento adequado. Em certos casos, um afastamento temporário pode fazê-lo repensar o pedido de demissão. Quem não tem a saúde em dia não trabalha.
- Abertura de negócio
Se a manutenção do emprego já não garante mais a cobertura das despesas ampliadas por efeitos da pandemia a saída pode ser a abertura de um pequeno negócio. Se essa for a saída, é importante que se busque orientação – no Sebrae, por exemplo – e capacitação adequadas para ‘virar patrão(oa)’
NOVOS ARES
A mudança de emprego pode proporcionar oportunidades de crescimento profissional e desenvolvimento pessoal. Quando você é contratado da concorrência, por exemplo, já chega no novo emprego com o ‘status’ valorizado, a começar pelo fato de a procura por aquela vaga ter partido da empresa e não de você. Confira o que você pode tirar de bom desta experiência:
- Conhecimento maior de mercado
A transferência de uma empresa para outra do mesmo mercado – ou com a mesma função – amplia sua visão sobre o segmento e sua própria atuação profissional. Esse lastro de experiência é um dos ativos mais desejados por executivos, por exemplo. Seja qual for sua função na empresa, aproveite-a para aprender.
- Capacite-se mais
Mudança de emprego não pode ser oportunidade de estagnação. Em nenhuma hipótese. Por isso, providencie tempo para ampliar seus conhecimentos técnicos e relacionais de modo que possa melhorar ainda mais suas capacidades. Considere especializar-se no que faz, por exemplo. Fique esperto: a competitividade do mercado produz demitidos todos os dias.
- Amplie os contatos
Ao iniciar seu novo emprego ou trabalho você terá, naturalmente, a ampliação de seus contatos profissionais. Recomenda-se que os organize e os identifique e acompanhe nas redes sociais, por exemplo. Quanto maior for sua malha de relacionamentos laborais, mais fácil será sua lembrança caso surja uma outra oportunidade sob medida pra você.
- Coragem para mudar
O maior empecilho para uma ‘mudança de ares’ na vida profissional pode ser você mesmo. As crenças limitantes, assentadas pela acomodação disfarçada de ‘estabilidade’ e pela falta de confiança na própria capacidade de evoluir podem abortar um futuro promissor para a carreira e para a vida. Nunca é tarde para buscar o que há de melhor para cada um.
