Entenda a crise do ENEM
Há apenas quatro dias da primeira prova, estudantes estão tendo que lidar com a ansiedade do futuro e com a crise gerada nos âmbitos do Ministério da Educação e do Inep

O fato que perdura nos noticiários nesta semana é sobre a crise do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), que há poucos dias de ser aplicado para milhões de estudantes no Brasil, enfrenta um imbróglio que afeta tanto o governo, quanto a população.
Tudo começou com a debandada dos servidores do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) – 37 funcionários pediram demissão do órgão, alegando “fragilidade técnica e administrativa da atual gestão máxima”. Além disso, os servidores relataram uma “falta de comando técnico” e “clima de insegurança e medo” promovido pela gestão atual. Ao Fantástico, eles alegaram tentativas de interferência no conteúdo das provas e situações de intimidação.
Com a instabilidade no instituto responsável por aplicar a prova, muitos estudantes começaram a questionar se o exame seria aplicado ainda nesta semana. O clima de ansiedade aumentou com as declarações feitas pelo presidente Bolsonaro, em Dubai, que foi questionado sobre o ocorrido e ressaltou que não era necessário preocupação, já que agora o ENEM passa a ter a “cara do governo”.
“O que eu considero muito também: começam agora a ter a cara do governo as questões da prova do Enem”, disse. “Ninguém precisa ficar preocupado. Aquelas questões absurdas do passado, que caíam tema de redação que não tinha nada a ver com nada. Realmente, algo voltado para o aprendizado”, completou, o presidente.
A junção da debandada com as declarações de Bolsonaro fizeram com que a oposição ao governo dentro do Congresso Nacional, se movimentasse para exigir explicações dos responsáveis pela gestão do Inep – a principal suspeita era de interferência ideológica nas provas.
Convidado pelo Senado para dar maiores esclarecimentos sobre o ocorrido, o presidente do Inep, Danilo Dupas Ribeiro, afirmou que a data da prova está mantida e que não houve interferência da presidência na formulação do Enem. Além disso, Dupas ressaltou que o Ministro da Educação, Milton Ribeiro, juntamente com ele, não tiveram acesso às provas e que as mesmas foram montadas pela equipe técnica, mas que é comum uma mudança nas questões durante a montagem para um melhor funcionamento do teste.
MILTON RIBEIRO PRESTA ESCLARECIMENTOS NA CÂMARA DOS DEPUTADOS
O ministro da Educação, Milton Ribeiro, compareceu, por conta própria, na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (17) para prestar esclarecimentos sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). O ministro comentou sobre os trâmites da prova e enfatizou a declaração do presidente Bolsonaro em relação à “cara do governo”.
“Enem tem a cara do governo, sim”, disse. “Essa é a cara do governo. Não temos nenhum ministro preso, nenhum caso de corrupção. Isso é importante”, completou, Ribeiro.
Além disso, o ministro explicou o pedido de demissão em massa dos servidores do Inep e afirmou que a motivação da debandada teria sido referente a uma questão de bonificações.
“Existem alguns [servidores] cuja função e descrição dos cargos que exercem já contempla a montagem da prova e acompanhamento da prova. A que título eles iriam ganhar mais 40 ou 50 mil por ano somado aos seus salários? Essa que é a grande questão”, indagou.
Em relação à interferência do governo, Milton endossou o que foi dito pelo presidente do Inep e afirmou que não teve acesso à prova, mesmo sendo ministro da Educação.
“Até por ordem de hierarquia, não posso achar que é anormal o ministro da Educação ter acesso à prova, mas abri mão disso. Em nenhum momento, houve interferência na qualidade ou na quantidade [de perguntas]. As questões fazem parte de um banco preparado [Banco Nacional de Itens] já em outras gestões”, disse.
O ministro ainda ressaltou que as datas das provas continuam mantidas – 21 e 28 de novembro.
