#Eleições2022: PSDB tenta, de novo, concluir suas prévias presidenciais

Partido confirma retomada de votação para escolha do candidato à Presidência da República para o próximo domingo (28)

Após falhas técnicas no aplicativo de votação, o PSDB adia para o domingo seguinte a conclusão de suas prévias presidenciais, que seguem disputadas entre Arthur Virgílio, Eduardo Leite e João Doria em busca de uma terceira via nas eleições de 2022.

Ficou para o próximo domingo (29) a tentativa de conclusão do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) para suas prévias para escolha do nome da legenda para a Presidência da República nas Eleições-2022.

A data da retomada do processo eleitoral interno foi confirmada em nota oficial divulgada pela direção do partido em seu site e suas redes sociais e em coletiva de imprensa, ainda na segunda-feira (22).

As prévias continuarão exatamente uma semana após terem sido iniciadas, mas suspensas em virtude de problemas técnicos como o aplicativo contratado pelo partido para a coleta de votos de forma remota.

Até esta terça (23), o PSDB informava que ainda não havia sido apresentado um diagnóstico pela Fundação de Apoio à Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs), que desenvolveu o aplicativo.

O Edgital teve acesso ao app através de um vereador tucano de Marília (SP), que não conseguiu votar. Ele digitou sua senha de acesso, fez sua foto (exigida pelo programa) e clicou em ‘validar’. O processo não saiu mais daí.

O PSDB informou, em nota, que todos os votos registrados inclusive pelo aplicativo e também nas urnas estão preservados para contagem geral aos que vierem ser feitos no próximo domingo (28).

CANDIDATOS

Apesar dos contratempos na votação, não houve mudança nas opções tucanas para a disputa da Presidência da República. Os candidatos são o ex-prefeito de Manaus (AM), Arthur Virgílio Neto e os governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e João Doria (São Paulo).

Ex-deputado federal e ex-senador, Arthur Virgílio é o mais velho entre os três – tem 76 anos – e já chegou a ocupar as dependências do Palácio do Planalto como ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República no Governo FHC.

Aos 36 anos – apenas um a mais que o mínimo para candidatar-se à Presidência da República, Eduardo Leite foi vereador e prefeito de Pelotas (RS), onde nasceu. Ele ganhou notoriedade ao assumir sua homossexualidade, em julho.

Atual governador de São Paulo, João Doria, 63, foi prefeito de São Paulo entre 2017 e 2018 e presidente da Embratur, nos anos 1980. Ele polariza com Leite as intenções de votos entre os filiados tucanos.

TABU PÓS-FHC

Seja qual for o candidato escolhido pelo ninho, o PSDB tem a difícil missão de emplacar um nome como ‘terceira via’. Por ora, as intenções de votos estão no ex-presidente Lula (PT) e no atual, Jair Bolsonaro (sem partido), segundo as pesquisas.

A busca por um lugar ao sol no eleitorado brasileiro foi o que restou ao PSDB em 2022. O partido nem chegou ao 2º turno em 2018. O então candidato, Geraldo Alckmin, foi apenas o 4º mais votado.

De pensar que os tucanos conseguiram passar do 1º turno com Aécio Neves, em 2014; José Serra, em 2010 e 2002 e Alckmin, em 2006. As únicas vitórias aconteceram com Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998.

Fundado em 1988, na esteira da aprovação da nova Constituição Federal, o PSDB ensaiou sua primeira disputa presidencial direta desde 1960, já no ano seguinte, com Mário Covas (1930-2001), que ficaria apenas na 4ª colocação.

O QUE É UMA ELEIÇÃO PRIMÁRIA PARTIDÁRIA

As chamadas prévias, ou eleições primárias, são um processo interno pelo qual um partido escolhe democraticamente, entre seus próprios filiados, qual nome vai representá-lo em uma disputa eleitoral majoritária, como a Presidência da República. Diferente da escolha feita apenas pela cúpula do partido em reuniões restritas, as prévias abrem a decisão a uma base maior de militantes e quadros, o que costuma ser apresentado como um exercício de democracia interna e transparência na definição da candidatura.

No caso do PSDB, o modelo adotado em 2022 previa votação remota via aplicativo combinada com urnas físicas em alguns estados, um formato híbrido que, segundo o próprio partido, visava ampliar a participação dos filiados mesmo em um cenário de pandemia, quando aglomerações em convenções presenciais ainda eram vistas com cautela por parte da militância tucana.

POR QUE A TERCEIRA VIA GANHOU FORÇA NO DEBATE POLÍTICO

O termo terceira via, recorrente nas coberturas sobre as prévias tucanas, se refere à tentativa de construir uma candidatura competitiva fora da polarização entre Lula e Bolsonaro, que dominava as pesquisas de intenção de voto naquele momento. Partidos de centro, como o próprio PSDB, o MDB e o Podemos, apostavam que uma parcela relevante do eleitorado insatisfeita com os dois polos poderia se traduzir em votos para um nome alternativo, desde que esse candidato conseguisse construir visibilidade suficiente antes do início oficial da campanha.

O desafio dessa estratégia, no entanto, sempre esteve em transformar essa insatisfação difusa em apoio concreto nas urnas, algo que exige tempo de exposição na mídia, recursos de campanha e, sobretudo, um discurso capaz de unificar diferentes públicos descontentes com a polarização, tarefa que se mostrou historicamente difícil para candidaturas de centro nas eleições presidenciais brasileiras mais recentes.

Ricardo Almeida
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