#Eleições2022: Confira como foi a quarta-feira dos futuros pré-candidatos
Moro no Podemos, Bolsonaro rumo ao PL, Lula na Europa, Ciro ‘de volta’ e PSDB dividido

A menos de onze meses para o 1ª turno das Eleições-2022, os potenciais candidatos à Presidência da República já se articulam para a disputa que promete ser uma das mais concorridas das últimas décadas no Brasil.
Quatro dos principais nomes que deverão estar na urna eletrônica se movimentaram nesta quarta-feira (10) em busca de espaço político e, principalmente, visibilidade para posicionarem-se no páreo eleitoral.
Ao menos por enquanto, por exigência da legislação eleitoral, nenhum deles pode declarar-se oficialmente como candidato. Mera formalidade: os discursos e contextos não deixam dúvida alguma sobre as pretensões eleitorais de cada um.
MORO NO PODEMOS
Ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do Governo Bolsonaro, o ex-juiz da Operação Lava-Jato, Sérgio Moro, filiou-se nesta quarta (10) no Podemos. O que poderia ter sido uma mera formalidade ganhou ares de comício.
Posicionado à frente do palco do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (DF), com a bandeira do Brasil projetada ao fundo, Moro discursou tal qual já fosse um candidato – o que não confirmou.
Quando (e se for), carregará na urna uma legenda de centro-direita contada entre as de ‘médio porte’, com pouco mais de 400 mil filiados, segundo números atuais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Na prática, Moro se coloca como opção de ‘3ª Via’, com propósito de arrecadar votos entre os eleitores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e inclusive na centro-esquerda de seu ex-réu, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (PT).
BOLSONARO RUMO AO PL
Também nesta quarta (10), o atual presidente encaminhou sua filiação ao Partido Liberal (PL). O ato deverá ser oficializado no próximo dia 22 em cerimônia a ser realizada em Brasília – a exemplo, portanto, de Moro.
Bolsonaro está sem partido desde 2019, quando deixou o PSL que, apesar de ter alçado o maior cargo da nação por algum tempo, segue entre os ‘nanicos’. Também de centro-direita, o PL, também compõe a base do governo no Legislativo.
Em quase 30 anos de carreira política, o presidente tem sido pouco afeito a longos períodos de filiação. Ele já esteve no PDC (1989), PPR (1993), PPB (1995), PTB (2003), PFL (2005), PP (2005), PSC (2016) e PSL (2018).
Bolsonaro chegou a tentar criar um partido para chamar de seu, o Aliança Pelo Brasil, mas fracassou. Em legenda alheia pela 9ª vez, o presidente encaminhará sua candidatura pela reeleição em 2022.
LULA NA EUROPA
Enquanto os dois que, por ora, serão seus dois principais adversários alinham suas filiações, o ex-presidente Lula, líder do PT desde a fundação, em 1980, segue em ‘pré-campanha’ fora do Brasil pelos próximos dias.
Lula vai se encontrar a partir desta quinta (11) com lideranças políticas na Europa. Estão agendadas conversas e eventos na Alemanha, na Bélgica e na França – países cujos governos são alinhados à direita.
Aos 76 anos, Lula quer voltar ao cargo que exerceu entre 2003 e 2011. Nunca negou isso. Ele venceria as eleições se fossem hoje, segundo pesquisas realizadas pelo IPEC, o DataFolha, Genial/Quaest – esta última, divulgada nesta quarta (10).
Mas a campanha, propriamente dita, de Lula à presidência não promete ser das mais fáceis, apesar da vantagem do eleitorado divulgada pelas pesquisas, em virtude da relação do seu governo com grandes escândalos de corrupção.
CIRO ‘DE VOLTA’
Ainda nesta quarta (10), quando Moro anunciava sua filiação ao Podemos, seu principal concorrente ao ‘status’ de ‘3ª Via’, o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT) comunicava seu retorno à pré-campanha.
Coincidência ou não, Ciro afirmou ter retomado seu projeto de presidência da República em virtude do “gesto generoso e corajoso” de deputados do partido que votaram contra a PEC dos Precatórios, apesar da aprovação no plenário da Câmara.
A exemplo de Moro, que transita pela direita, Ciro também posicionou seu discurso na centro-esquerda de confronto a Bolsonaro e Lula, com o mesmo objetivo de agradar um naco eleitoral que rejeita ambos.
“Eu sou o único, entre os candidatos, contrário ao teto de gastos e a criminosa política de preços da Petrobrás”, escreveu Ciro, em sua conta no Twitter. “Candidatura de Moro não atrapalha ninguém”, desconstruiu.
PSDB DIVIDIDO
Ao tempo em que a corrida presidencial já esquenta seus motores, o PSDB ainda segue nos boxes, à espera de quem assumirá, de fato, o cockpit da legenda. As prévias acontecem no próximo dia 21.
Há três candidatos: o ex-prefeito de Manaus (AM), Arthur Virgílio Neto e os atuais governadores João Dória, de São Paulo e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. A escolha deve entre os últimos dois.
Entre os três maiores partidos do país, ao lado de MDB e PT, o PSDB tenta retornar à cadeira presidencial desde o fim do governo de Fernando Henrique Cardoso, em 2003. Em 2018, nem chegou ao 2º turno.
Os tucanos esperam não repetir a mesma derrota em 2022. Daí as articulações para escolha de um candidato que tenha mais aderência ao eleitorado nacional além dos estados de cada um de seus pré-candidatos.
