#Lupa: Os pré-candidatos e possíveis cenários para presidência do Brasil nas Eleições-2022
Ainda polarizada, disputa já tem 12 nomes, com sinalização de fusões de siglas em prol de ‘terceira via’ para o Planalto

Com a filiação de Bolsonaro ao PL, o quadro de pré-candidatos às eleições de 2022 se completa entre nomes como Lula, Moro, Doria e Ciro Gomes, em uma disputa que pesquisas apontam como polarizada entre governo e oposição.
Filiado ao Partido Liberal (PL) nesta terça-feira (30), o presidente da República, Jair Bolsonaro, cumpriu, enfim, a legislação eleitoral – a saber, o vínculo partidário – para concorrer ao próprio cargo nas eleições presidenciais de 2022.
O registro do chefe do Executivo nacional o posiciona no fim da fila de um time, literalmente, de futuros concorrentes, segundo posicionamento de momento de 11 partidos. Bolsonaro é o 12º nome da lista.
Além do Presidente da República, já tiveram suas pré-candidaturas anunciadas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os senadores Alessandro Vieira (Cidadania), Rodrigo Pacheco (PSD) e Simone Tebet (MDB) e o deputado federal André Janones (Avante).
Candidatos em 2018, cabo Daciolo (Brasil 35) e Ciro Gomes (PDT) devem voltar à disputa e se juntarão a Felipe D’Ávila (Novo), ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a Leonardo Péricles (UP) e ao ex-juiz Sérgio Moro (Podemos).
POLARIZAÇÃO
Apesar da quantidade de candidatos, a disputa pelo principal cargo público do país está polarizada, segundo pesquisas, entre Bolsonaro e Lula, com vantagem para o segundo, seja em primeiro ou segundo turnos.
A última confirmação deste cenário é de terça-feira (30), pelo Atlas Político. Segundo os números divulgados, o candidato do PT teria 42,8% dos votos ante 31,5% do novo filiado ao PL, com margem de erro de 1%.
Recém-ingressado à política partidária, o ex-juiz federa da Lava Jato, Sergio Moro (Podemos) apareceu na 3ª posição, com 13,5% dos votos, à frente do ex-governador Ciro Gomes (PDT), que está em pré-campanha desde 2018.
Eleito candidato do PSDB à Presidência da República após prévias marcadas por falhas no aplicativo contratado para votação, o governador de São Paulo, João Dória, não registrou mais do que 1,7% das intenções de votos.
MOVIMENTOS
Ainda que a pouco menos de um ano das eleições de 2022, as pesquisas apontam, desde já, a preferência do eleitorado, a tempo de que os partidos possam analisa-las para ajustar caminhos e discursos eleitorais.
A ascensão atual de Moro, por exemplo, preocupa o governo. De ‘garoto propaganda’ eleitoral, o ex-juiz e ex-ministro do próprio Bolsonaro é forte concorrente no eleitorado de direita que elegeu o atual presidente.
Principal candidato da esquerda, Lula busca uma parceria de centro para compor sua chapa. Ele flerta com o ainda tucano, Geraldo Alckmin – 4º colocado nas eleições de 2018 – para que seja seu vice.
O PSDB, por sua vez, acaba de ganhar o apoio do apresentador e crítico, José Luiz Datena, da TV Bandeirantes. Ainda sem nova filiação partidária, o jornalista admite aceitar o convite para ser vice na chapa de João Doria.
TERCEIRA VIA
Mas, se a tendência da polarização se mantiver, caberá aos partidos e candidatos de ‘miolo’ de disputa refletir a possibilidade de união de forças políticas e financeiras para tentar colar uma terceira opção viável ao eleitorado brasileiro.
É o que pode acontecer com PSL, MDB, DEM e Podemos, segundo informou o presidente do PSL, Luciano Bivar, ao UOL. A ideia é escolher um nome, por consulta popular. A divulgação se daria em 15 de março.
A serem consideradas as últimas pesquisas, Moro largaria na frente de João Dória (PSDB) e Simone Tebet (MDB). Apesar do pleito, Bivar admite que a definição de candidato e vice se dará pela intenção de votos.
Fora do páreo pela Presidência da República, o ex-ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM) abriu espaço para que o futuro União Brasil, partido que surgirá da fusão entre o DEM e o PSL, possa oficializar apoio a Moro.
FEDERAÇÃO À ESQUERDA
Além de conduzir sua campanha – por ora, vitoriosa, em todos os cenários – Lula tem procurado reunir sua base entre os partidos de esquerda, de olho em uma futura base de apoio no Congresso Nacional.
O ex-presidente pode ser beneficiado pela criação de uma federação partidária que reúna, além do PT, o PSB, o PC do B e, talvez, PV e Rede. Com exceção do PT e do PSB, a alternativa significa sobrevivência.
O Psol e, principalmente, o PDT não apoiam a ideia. Este último, aliás, por já estar com a pré-campanha de Ciro Gomes nas ruas. O ex-governador do Ceará e ex-Ministro da Integração Nacional de Lula busca ser uma terceira via.
Mas, à medida que as pesquisas o afastarem dessa preferência pelo eleitorado, ao curso das novas pesquisas, Ciro Gomes pode recuar de sua candidatura o que, em tese, abriria espaço para o PDT aderir à federação à esquerda.
O PAPEL DAS COLIGAÇÕES E DO TEMPO DE TV
Além do posicionamento nas pesquisas, um fator decisivo para o desempenho de cada pré-candidato em 2022 é a formação de coligações e o tamanho da bancada aliada no Congresso, já que esses elementos determinam diretamente o tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Quanto maior a base de deputados federais reunida em torno de uma candidatura, maior o espaço garantido na propaganda eleitoral, o que costuma ter peso relevante na disputa por eleitores ainda indecisos, sobretudo fora dos grandes centros urbanos.
Esse cálculo explica boa parte da movimentação de partidos médios em busca de federações ou fusões, como a que originou o União Brasil a partir do DEM e do PSL. Ao somar bancadas, esses partidos aumentam não apenas o tempo de TV de seus candidatos à Presidência, mas também o financiamento disponível via fundo eleitoral, recurso público que hoje representa a principal fonte de receita das campanhas no Brasil.
O IMPACTO DO CENÁRIO ECONÔMICO NA CORRIDA PRESIDENCIAL
Historicamente, o desempenho da economia nos meses que antecedem o pleito costuma influenciar diretamente a avaliação do governo e, por consequência, as chances de reeleição do presidente em exercício. Indicadores como inflação, desemprego e poder de compra tendem a pesar na decisão do eleitor tanto quanto o próprio discurso ideológico dos candidatos, especialmente entre a parcela do eleitorado que se declara sem preferência partidária definida.
Por isso, tanto a base de Bolsonaro quanto a oposição liderada por Lula acompanham de perto como o comportamento da inflação, o valor de programas sociais e a taxa de desemprego ao longo de 2022, cientes de que qualquer melhora ou piora perceptível nesses números pode se traduzir rapidamente em variações nas pesquisas de intenção de voto.
