Conheça qual é a ‘Liga da Justiça’ da ciência brasileira no país da ‘capitã cloroquina

Convocada a depor na CPI da Covid nesta terça-feira (25), a titular da Secretaria de Gestão do Trabalho e Educação do Ministério da Saúde, a servidora Mayra Pinheiro, ganhou recente notoriedade e o apelido de ‘capitã cloroquina’ em virtude de sua orientação ao uso do medicamento no tratamento da covid-19, mesmo que sem a comprovação de sua eficácia científica.

A ‘super heroína’ defensora do Governo Federal, protetora do tratamento precoce e inimiga declarada do Programa Mais Médicos implementado durante a gestão petista, no entanto, não tem cadeira cativa na verdadeira ‘Liga da Justiça’ da ciência brasileira.

Embora tenha formação médica – é pediatra -, a ‘capitã cloroquina’ não tem lugar entre os brasileiros que brilham nas diversas áreas do conhecimento em busca de soluções que, a exemplos dos super heróis dos quadrinhos e do cinema, buscam ‘salvar o mundo’.

Confira abaixo alguns destes nossos ‘super herois’ da atualidade:

Ângela Wyse

Pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Bioquímica da Universidade do Rio Grande do Sul (UFRGS), Ângela Wyse ganhou o prêmio de Cientista do Ano 2020 na categoria ‘Ciências Médicas e da Saúde’ por seus estudos sobre os danos causados no cérebro e no coração pela homocisteína, uma substância tóxica produzida pelo organismo. O trabalho da cientista brasileira subsidiou pesquisas feitas pelo setor pediátrico do Centro de Recuperação da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Artur Avila

Crédito: IMPA

Eis um exemplo de ‘super herói’ brasileiro dos cálculos. Premiado na Olimpíada Internacional de Matemática aos 16 anos, ganhou uma bolsa no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) onde encaminhou o mestrado antes mesmo da graduação universitária. Aos 29 anos, foi nomeado diretor mais jovem do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), na França. De lá, passou a lecionar na Universidade de Zurique, na Suiça.

Carlos Nobre

O climatologista recebeu o Prêmio AAAS 2021 de Diplomacia Científica por seus estudos sobre a proteção da biodiversidade e os povos indígenas na floresta amazônica. Referência nacional em ciências ambientais com quatro décadas de atuação pelo Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (IGE/Unicampo), Nobre é o idealizador do conceito da ‘Terceira Via – Amazônia 4.0’, cujo conceito consiste em agregar tecnologias às cadeias produtivas desta região do país.

Edenise Garcia

Depois de passar pelas aventuras das Letras e os desafios da prática jornalística, esta cientista brasileira encontrou seus principais ‘poderes criativos’ sob a capa da ecologia. Formada ainda em biologia, Edenise fez mestrado no Canadá, trabalhou na Organização Mundial da Saúde (OMS) na Suiça e, nos dias atuais, dirige uma organização não governamental dedicada a salvar o meio ambiente na Amazônia através de alternativas sustentáveis para o uso da terra e da floresta.

Juliana Stradioto

Primeira brasileira a conquistar a medalha de ouro na Regeneron International Science and Engineering Fair (Isef), uma das feiras de ciência mais importantes do mundo, realizada nos Estados Unidos, a jovem cientista brasileira desenvolveu um plástico biodegradável feito da casca do maracujá e também um material biológico produzido a partir da casca da macadâmia para uso tanto na indústria têxtil quanto como pele e veias artificiais. Juliana nem precisou usar capa para chegar ao espaço: ela ganhou o próprio nome em um asteróide.

Marcelo Gleiser

Ainda criança, ele desbrava os mundos da Literatura na ampla biblioteca dos pais. Não por acaso, encantou-se cedo pela astrobiologia, a cosmologia e as teorias complexas, que o levaram ao topo mais alto do Prêmio Templeton, reconhecido como o ‘Nobel’ dos estudos que relacionam ciência e espiritualidade. Em 2006, ele, enfim, ganhou visibilidade nacional ao apresentar a série ‘Poeira nas Estrelas’, exibido no Fantástico. Atualmente, ele compartilha seus conhecimentos pelo canal que leva seu nome no Youtube.

Ricardo Galvão

O físico também foi premiado no AAAS 2021 na categoria de liberdade e responsabilidade cientifica. Ele fez jus à menção ao defender o relatório do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) sobre o desmatamento da Amazônia em 2019. A posição, natural para um cientista, contrariou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e custou seu cargo de diretor no órgão. Livre-docente desde 1983, ele é um dos nomes mais respeitados do mundo em assuntos relacionados à preservação de florestas tropicais.

Webert Oliveira
Sou um autor por escolha, curioso, especializado em transformar fatos e histórias inusitadas em narrativas cativantes. Com formação em Letras, gosto de combinar pesquisa rigorosa com um estilo envolvente, buscando não só informar, mas também inspirar a curiosidade de meus leitores sobre o mundo.
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