Como a família pode ajudar um parente com câncer?
O momento é delicado e atinge não só o paciente, mas a família como um todo. É necessário entender o papel de cada um nesta situação

“Estou com câncer.” Ouvir essas palavras da boca de alguém que nós amamos é, com toda a certeza, desesperador. Essa aqui, que vos escreve, sentiu isso no início deste ano de 2021 e, infelizmente, perdeu o avô por um câncer na laringe. O momento da perda não é fácil, mas o processo de enfrentar a doença é ainda mais desafiador, pois envolve um sentimento muito nobre que se chama esperança. E qualquer equívoco da família no tratamento de quem está com câncer, pode ser crucial para essa esperança.
Por isso, é importante que cada membro saiba sua função quando algum familiar atravessar esse difícil momento. É crucial lembrar e relembrar sempre que, por mais que a pessoa tente estar ou parecer bem, receber um diagnóstico de câncer é um choque e ainda, é preciso de um período de adaptação para que o paciente possa digerir a notícia e se estruturar para lidar com o tratamento, que também é árduo.
Sendo assim, separei algumas dicas, de quem passou por isso recentemente, para que possamos aprender e ajudar quem mais precisa de apoio em um momento como esse.
- Saiba mais sobre a doença: quando ouvimos que um ente querido está com câncer, nosso primeiro impulso é fazer alguma coisa (qualquer coisa) para ajudar, mas na maioria das vezes, não sabemos o que, de fato, fazer. Por isso, é importante estudar mais sobre a doença, conversar com quem já passou por isso, se inteirar das consequências e de como é o tratamento, dentro e fora dos hospitais.
- Converse com a pessoa: nesse momento, é importante entender o que a pessoa quer e como ela se sente. Pode ser que ela tente se passar como forte e tente parecer bem para a família, por isso é essencial ouvi-la. Inclusive nas entrelinhas. Mais importante que palavras de conforto, fazer a pessoa ter voz e se sentir ouvida é ainda mais confortante.
- Esteja ao lado: com uma doença dessa magnitude, muitos pacientes tendem a se isolar da família. Por isso, é crucial se fazer presente – mas claro, sempre respeitando o espaço da pessoa.
- Não foque apenas na doença: apesar da grande dificuldade de passar por um momento desses, quando você estiver presente com a pessoa que está com câncer, tente diversificar os assuntos. É importante que o paciente saiba que ele não é a doença e que ela não é a única coisa que importa na sua vida.
- Ajude com tarefas do dia a dia: a rotina de quimioterapia, radioterapia ou preparação para uma possível cirurgia é cansativa e, muitas vezes, desanimadora. Por isso, ajude a pessoa com as tarefas do cotidiano, como arrumar a casa, fazer as compras, cozinhar.
- Evite generalizações: na tentativa de ajudar, podemos atrapalhar. Muitas vezes, generalizamos a situação e ainda comparamos cada caso. Isso é ruim, pois cada paciente passa por um contexto diferente. Por isso, por mais que a generalização ou comparação seja positiva, evite.
- Atente-se ao padrão de codependência: algumas pessoas vão além do seu limite para ajudar o outro. Isso é ruim para os dois lados. Caso você analise que não está conseguindo ajudar como gostaria ou se está fazendo mais do que pode, prejudicando a si mesmo e a quem está do seu lado, procure especialistas que possam apoiar de forma mais profissional. É um momento difícil para todos, logo, é importante que os membros da família estejam com o emocional fortalecido para ajudar quem está com a doença.
