Coleta seletiva: Saiba como reciclar atitudes em prol do meio ambiente a partir de hoje

A pandemia aumentou o consumo de produtos que fazem uso de materiais recicláveis como recipientes e embalagens. Principalmente, o plástico, presente nas incontáveis sacolinhas que envolvem a alta demanda do delivery no país.
Esse acúmulo, estimado em mais de 25% segundo a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), pesou ainda mais na consciência pública a necessidade da reciclagem.
Daí a importância de iniciativas, sejam individuais, coletivas, governamentais ou empresariais para diminuir o impacto de todo o volume de descarte gerado na natureza, que ainda sofre com lixo descartado por terras e mares.
Confira abaixo algumas ações que podem ser replicadas, seja em casa, no trabalho, em entidades ou em áreas públicas de sua cidade. O primeiro passo, muitas vezes, depende da reciclagem da própria conscientização.
1 – Faça sua própria coleta seletiva
O discurso de proteção à natureza pode ser colocado em prática no trato com o próprio lixo de casa. Aquele cesto comum, onde se joga de tudo na cozinha – de lata a restos de comida – é o símbolo da indiferença com natureza.
Por isso, mãos à obra: reserve um lugar na casa ou apartamento para descartar o que não te serve mais. A princípio, reserve espaços individuais para guardar os recicláveis – papeis, vidros, plásticos e metais.
Nem tudo que não se encaixa nesse grupo – os chamados não-recicláveis – pode ser jogado no lixo. São os casos, como exemplos, de lâmpadas diversas, baterias, pilhas e embalagens de remédios (aquelas dos comprimidos).
Pilhas, baterias e remédios podem provocar grave contaminação ao solo e até a lençóis freáticos. Os dois primeiros devem ser descartados em locais de coleta e o último em drogarias e farmácias.
Quanto aos recicláveis, é possível que se dê destinos diferentes:
Venda. Dependendo do volume que você guardar, o seu ‘lixo’ pode render algum dinheiro. As latinhas de alumínio são o artigo mais valioso. A venda costuma ser por quilo.
Doe. Muita gente depende da coleta de recicláveis para levar o pão pra casa. Colabore com aquele(a) coletor(a) que costuma passar em frente à sua casa.
Reutilize. Use sua criatividade e transforme o que seria descartado em soluções. Garrafas PET podem servir de vaso e vidros de palmito em cofrinhos. A imaginação é sua.
2 – Mobilize a coleta seletiva
Além de dar exemplo em casa – porque o exemplo vale mais do que muito discurso – considere se dedicar à causa através da mobilização de sua comunidade para a instalação da coleta em seu condomínio, bairro, empresa, instituição ou cidade.
No caso de um ambiente habitacional, o primeiro passo costuma ser a instalação de recipientes para o descarte correto por tipo de material. Para quem ainda não decorou, eis a aquarela do reciclável abaixo:
Amarelo. Metais em geral
Azul. Papéis em geral e papelão.
Verde. Vidros
Vermelho. Plásticos
Preto. Madeiras
Marrom. Resíduos orgânicos.
Além de expor a coleta, é preciso conscientizar quem descarta a não misturar o recicláveis inadequadamente. O material pode ser vendido, doado ou reaproveitado, a depender do interesse dos moradores.
Empresas que não se importam em cuidar do lixo que produzem podem ser motivadas pelos funcionários a despertarem à consciência ambiental. O apreço pela natureza é um ativo cada vez mais valorizado no mundo corporativo.
Entidades do terceiro setor em geral também podem (e devem) dar o exemplo. Clubes de serviço, igrejas, associações e sindicatos são espaços para se propor e praticar ações voltadas ao descarte consciente do lixo.
A soma de ações isoladas acaba por contribuir na conscientização ambiental de uma cidade inteira. É a oportunidade para que se reivindique junto aos poderes públicos (Executivo e Legislativo) a implantação ou manutenção da coleta seletiva.
3 – Apoie (ou crie) uma cooperativa
Quem decide doar ou vender os recicláveis que juntou pode recorrer a ‘ferro-velhos’ ou a cooperativas responsáveis pela coleta, separação e destinação adequada de milhões de toneladas diárias de descartáveis reaproveitáveis.
Segundo levantamento feito pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), o Brasil é o quarto país que mais produz lixo plástico no mundo, seguido dos Estados Unidos, da China e da Índia. O Brasil não é signatário do combate mundial assinado em 2018 por 187 países.
As cooperativas de recicláveis reúnem milhões de coletores que saem às ruas diariamente em busca de materiais que possam ser separados e vendidos a empresas que os reprocessam e reaproveitam para diversos fins.
Além de possibilitar renda comum aos seus associados, as cooperativas são uma alternativa institucional, representativa e segura em comparação à ‘catação’ que ainda se faz em lixões espalhados pelo país.
O desemprego provocado pela pandemia arrastou muitos brasileiros à labuta diária da coleta seletiva. Nem todos, no entanto, se preocuparam em se associar a uma cooperativa. Simplesmente saíram às ruas.
Esta realidade tem demandado ações de conscientização e apoio assistencial de governos, cooperativas e entidades. A própria população pode colaborar interagindo com os coletores para checar a realidade e encaminhar caminhos e soluções.
Uma das alternativas – esta, para quem pensa em fazer a diferença – é engajar-se através do apoio pessoal, institucional ou empresarial a uma cooperativa e, se for o caso, na instalação de mais uma, quando necessário.
Nesta última hipótese, é necessária assistência jurídica e a quantidade mínima de 20 associados, conforme exige a Lei 5.764/1971, além da disponibilidade de estrutura (galpão, balanças e prensas) e mão de obra.
