Caso Prevent Senior faz CPI da Covid se estender ainda mais

Médicos que trabalharam no plano de saúde denunciaram “pesquisa secreta” de kit covid para senadores da CPI e grave suspeita faz com que a Comissão queira se aprofundar ainda mais no caso

  • Relatório final quase pronto – OK.
  • Data para entrega definida – OK.
  • Depoimentos mais importantes já feitos – OK.
  • Data para conclusão – OK.

A CPI da Covid caminhava para seus momentos finais, com uma investigação muito bem consolidada. Apesar do palanque político que se tornou em diversas oportunidades, a Comissão Parlamentar de Inquérito conseguiu um apoio importante – o da opinião pública. E justamente por estarem sendo observados dia a dia, que os senadores fizeram questão de mostrar trabalho, para que todo o esforço não “acabasse em pizza”. 

O relatório final, de responsabilidade do relator Renan Calheiros (MDB-AL), já contava com mais de 1000 páginas e ele afirmou variadas vezes que esse documento ajudaria o Ministério Público Federal, a Procuradoria-geral da República, a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal a denunciar e julgar o presidente Jair Bolsonaro, já que, para o relator, Bolsonaro é o verdadeiro culpado pelas quase 600.000 mortes que a doença ocasionou no Brasil. 

Entretanto, esse relatório irá ganhar mais algumas páginas. Isso porque Calheiros, em decisão conjunta com a presidência da CPI, decidiu adiar a entrega do documento. O motivo – as denúncias que envolvem o governo federal e o convênio da Prevent Senior

De acordo com a denúncia recebida pela CPI, médicos que trabalhavam no plano de saúde relataram que a empresa estava fazendo “pesquisas secretas” com os medicamentos do chamado “kit covid” em pacientes que estavam com covid-19. Ainda consta na denúncia que os pacientes não sabiam que estavam sendo tratados com cloroquina e ivermectina, e que esses dados estavam sendo ocultados do atestado de óbito dos enfermos que participaram dessa “pesquisa” e morreram. 

Para tentar esclarecer o caso, a CPI irá ouvir nesta quarta-feira (22), o diretor executivo da Prevent Senior, Pedro Benedito Batista Júnior, que deverá explicar do que se tratava essa pesquisa e se ela tinha sido encomendada pelo governo federal ou tinha recebido algum apoio do Ministério da Saúde. 

Os medicamentos que são e foram defendidos amplamente pelo presidente Bolsonaro, recebeu uma propaganda enorme entre os órgãos de saúde. Apesar da não comprovação científica de eficácia, o governo federal adquiriu e distribuiu os chamados “kit covid” para que fossem inseridos no tratamento de pessoas com a doença, ou com suspeita. O governo federal sempre alegou a autoridade do médico para receitar o que achar melhor para o paciente, entretanto, muitos infectados que foram tratados com os medicamentos foram à óbito ou tiveram graves sequelas posteriormente. 

A “pesquisa secreta” 

Segundo os médicos que denunciaram o suposto esquema para a CPI, a Prevent Senior fez um acordo com o governo Bolsonaro para disseminar o uso da cloroquina em seus pacientes com covid-19 e, desse acordo, saiu a ideia para fazer uma “pesquisa secreta” sobre os desdobramentos desses medicamentos do kit covid em pacientes infectados. 

Entretanto, uma mensagem enviada em um grupo de médicos que trabalhavam no convênio, demonstrou que a direção do plano de saúde solicitava que os profissionais não informassem aos pacientes e familiares que estavam participando da pesquisa e que estavam sendo “tratados” com cloroquina e ivermectina. 

Na denúncia, os médicos alertavam que a “pesquisa” tinha um destino final já traçado: comprovar que os medicamentos que faziam parte do kit covid eram eficazes. Mas não foi isso que a pesquisa conseguiu demonstrar. 

O dossiê que embasou a denúncia afirmou que a Prevent Senior ocultou o número real de mortes de pacientes que participaram da pesquisa, sendo, ao todo, nove óbitos confirmados após o estudo. Entretanto, os representantes do plano informaram apenas duas mortes, sendo que seis delas estavam entre os pacientes que tomaram as medicações do kit covid.

De acordo com a defesa do convênio, há provas que mostram que as mensagens inseridas na denúncia pelos ex-funcionários foram tiradas de contexto e que irá divulgar esses documentos no depoimento durante a sessão da CPI.  

Caso se mistura com Manaus, imunidade de rebanho e TrateCov 

O escândalo envolvendo a Prevent Senior é mais um braço da investigação da CPI que tenta comprovar que o governo preferiu investir em remédios sem eficácia e imunidade de rebanho, ao invés de ser ativo na corrida para comprar vacinas.

Nessa investigação, a CPI da Covid diz ter comprovado que o caso de Manaus – em que as pessoas infectadas morreram sem oxigênio – foi total negligência do governo federal, para insistir na tese da imunidade de rebanho e no tratamento com cloroquina. 

De acordo com o presidente da Comissão, Omar Aziz, que é senador por Manaus, o Ministério da Saúde utilizou a população manauense para servir de laboratório. Nesse “teste”, o governo estimularia a aglomeração, a população se contaminaria de forma breve e em massa e esses pacientes seriam tratados com os medicamentos. 

Entretanto, a infecção em massa, que realmente aconteceu, foi além do que o SUS aguentaria e isso fez com que o colapso da saúde em Manaus fosse um dos mais fatais da história da pandemia no Brasil. Mas, durante essa tragédia ocorrida no início do ano, membros do Ministério da Saúde estavam em Manaus para divulgar um aplicativo chamado TrateCov, que recomendava medicamentos do kit covid para médicos que fossem tratar pacientes com a doença. Após a má repercussão, o Ministério da Saúde tirou o aplicativo do ar. 

O caso da Prevent Senior agrava as suspeitas de alguns senadores da CPI, que afirmam que o objetivo do governo nunca foi imunizar a população, mas sim, favorecer empresas, indústrias e o lobby farmacêutico que produzem e vendem os medicamentos sem eficácia para a covid-19. Para atingir esse objetivo, o suposto esquema seria esse:

  • investir nos medicamentos;
  • estimular a aglomeração de pessoas para que elas pudessem se infectar mais rapidamente e reforçar a tese da imunidade de rebanho;
  • tratar as várias pessoas infectadas com os medicamentos do “kit covid”;
  • não comprar vacinas, já que com a vacina, o medicamento não seria necessário;
  • e com isso,  enriquecer os empresários da indústria farmacêutica.
Ricardo Almeida
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