Bolsonaro cobra respeito da Jovem Pan, principal emissora que o apoia; veja vídeo

Presidente deixou live que participava, depois de pergunta sobre “rachadinha”

Bolsonaro irritado com pergunta sobre rachadinha feita pelo humorista André Marinho na Jovem Pan., abandona live

Bolsonaro deixou uma live na Jovem Pan após ser questionado sobre as denúncias de rachadinha envolvendo seus filhos, em um episódio marcado por trocas de acusações com o humorista André Marinho.

O presidente Jair Bolsonaro se irritou e abandonou a live que participava, nessa quarta-feira, na rádio Jovem Pan, após pergunta sobre rachadinha. No programa Pânico, o humorista André Marinho, que esteve em evidência após realizar imitações de políticos famosos, incluindo Bolsonaro, fez o questionamento ao presidente em forma de metáforas, com ironias incrustadas.

Presidente Bolsonaro, André Marinho aqui, uma honra revê-lo, você que muito além de nosso presidente da República é um verdadeiro mito, mas realmente está todo mundo muito preocupado com o retorno do PT ao poder. PT que vendeu o Governo para o Centrão, que comprou base parlamentar com emenda e tinha milícia digital para atacar opositor e fez indicação de cunho político para o STF. Ninguém quer ver voltar à tona aqui. Mas eu tenho uma denúncia de uma prática que vem ocorrendo no Rio de Janeiro onde nasci, onde ele militou na política, que são vários deputados nos seus gabinetes, PSB, PSOL, PT que estão roubando a torto e direito o salário de assessor e botando no próprio bolso, desviando dinheiro público. O PT inclusive é campeão deste ranking de peculato. Então presidente, eu te pergunto: rachador tem que ir para a cadeia ou não?

Bolsonaro entendeu o tom da pergunta, que fazia referência às denúncias que envolvem seu nome e o nome dos seus filhos – Flávio Bolsonaro e Carlos Bolsonaro – suspeitos de praticarem o crime de “rachadinha”. O presidente não respondeu ao questionamento, mas replicou provocando Marinho.

Ô, Marinho, você sabe que eu sou presidente da República, eu respondo sobre os meus atos, tá ok? Não vou aceitar provocação sua. Não vou aceitar. Não vou aceitar. O teu pai [Paulo Marinho] é o maior interessado na cadeira do Flávio Bolsonaro. O teu pai quer a cadeira do Flávio Bolsonaro. Eu decidi com o Flávio indicar teu pai. Não tem mais conversa contigo. – disse Bolsonaro, que cobrou respeito dos apresentadores da Jovem Pan.

Paulo Marinho, citado por Bolsonaro, é o pai de André Marinho e suplente do senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). Mas, a relação entre ele e a família Bolsonaro não é das melhores, já que o suplente foi o responsável pela revelação de que Flávio recebeu informações privilegiadas dentro da Polícia Federal (PF) na investigação das “rachadinhas”.

Mesmo com a irritação do presidente, o humorista não o poupou de suas provocações. Ele continuou.

O PT não pode voltar. Então, por favor, responda à pergunta que te fiz, cara. Por quê? Só quer pergunta de bajulador?

O bajulador em questão era o entrevistador e ex-BBB, Adrilles Jorge, que em questionamento anterior, afirmou que tem “um prazer e um tesão, no sentido metafísico do termo” pelo presidente Bolsonaro.

Quando Adrilles entendeu que o termo foi utilizado em referência a ele, iniciou-se uma discussão acalorada entre os participantes do programa, em que tamanha gritaria, não permitia que se ouvisse nenhuma das vozes em clareza. Com o ocorrido, Bolsonaro preferiu deixar a live, gerando lamentações do apresentador Emílio Surita.

O que é o caso da rachadinha

O termo “rachadinha” ficou conhecido no noticiário político brasileiro para descrever um suposto esquema em que assessores parlamentares devolveriam parte de seus salários para o próprio gabinete que os contratou, prática que configuraria peculato caso comprovada em investigação formal. A denúncia mais conhecida envolve o gabinete que era comandado pelo senador Flávio Bolsonaro quando ele ainda era deputado estadual no Rio de Janeiro, tendo como um dos personagens centrais o ex-assessor Fabrício Queiroz.

Ao longo dos anos, a investigação teve diferentes desdobramentos, incluindo idas e vindas na Justiça sobre a validade de provas obtidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. O caso se tornou um dos temas mais recorrentes entre opositores do governo, que o utilizam com frequência para questionar o discurso anticorrupção que marcou a campanha de Bolsonaro em 2018.

A repercussão do episódio nas redes sociais

O climão ao vivo repercutiu rapidamente nas redes sociais, dividindo opiniões entre apoiadores do presidente, que classificaram a pergunta como uma armadilha política, e opositores, que comemoraram o momento como uma evidência do desconforto do presidente diante do tema. Trechos do vídeo circularam amplamente no Twitter e no YouTube, acumulando compartilhamentos e comentários de perfis políticos de diferentes correntes.

A Jovem Pan, emissora historicamente próxima ao presidente, também virou alvo de críticas de parte de sua própria audiência, que considerou o momento revelador de uma tensão que já vinha se acumulando entre o governo e a linha editorial do veículo em outras ocasiões ao longo do mandato.

Webert Oliveira
Sou um autor por escolha, curioso, especializado em transformar fatos e histórias inusitadas em narrativas cativantes. Com formação em Letras, gosto de combinar pesquisa rigorosa com um estilo envolvente, buscando não só informar, mas também inspirar a curiosidade de meus leitores sobre o mundo.
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