Alimentação saudável ajuda a prevenir doenças que mais complicam reação à covid-19

Obesidade, diabetes e hipertensão estão entre as comorbidades que mais agravam casos de covid-19, e a adoção de hábitos alimentares saudáveis pode ajudar a reduzir esses riscos.
Pelo menos seis a cada dez brasileiros com idade superior a 18 anos são obesos. Há cerca de 16,8 milhões de diabéticos e ao menos 30% da população (63,3 milhões) já pode ser contada entre os que estão acometidos pela hipertensão arterial.
Os dados acima constam da Pesquisa Nacional de Saúde 2019, publicada em 2020, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia, respectivamente.
Ser obeso(a), diabético(a) e/ou hipertenso(a) tem sido perigoso e, por muitas vezes, fatal, nestes dias de pandemia. É comum a associação de uma ou mais destas comorbidades como fatores de complicação à recuperação de pacientes que morreram.
As três doenças jogam contra o próprio corpo na disputa pela vida, seja por provocarem reações inflamatórias (obesidade e hipertensão arterial) ou comprometem a imunidade (diabetes). Pior ainda quando agem em corpos desnutridos e/ou sedentários.
PREVENÇÃO PELA BOCA
A prevenção à ameaça externa mais perigosa da atualidade passa pelo cumprimento das orientações sanitárias – uso de máscaras, higienização das mãos com álcool gel e distanciamento social -, mas também pela preferência por alimentos e hábitos saudáveis.
Tais atitudes não garantem imunidade a eventual contaminação pela covid-19, mas provém o organismo de maior resistência ao sistema imunológico pela nutrição mais balanceada e de redução no estresse pela prática regular de atividades físicas.
A preferência nutricional é por alimentos in natura como frutas, hortaliças e leguminosas, e não por ultraprocessados como barras de cereal (sim, elas também), biscoitos, macarrões instantâneos, refrigerantes, salgadinhos de pacote, entre outros de origem industrializada.
Dados preliminares de uma pesquisa em andamento sobre os hábitos alimentares do brasileiro na pandemia apontam um paradoxo: aumentou o consumo de produtos naturais e também de ultraprocessados – estes últimos, na região Nordeste.
Segundo análise preliminar do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens/USP), que conduz os estudos, a diferença está associada a realidades sociais distintas: o maior consumo in natura às famílias confinadas e o de ultraprocessados àquelas que precisaram sair de casa para trabalhar.
ROTINA SAUDÁVEL
O Nupens/USP é um dos coautores do Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado desde 2014 pela parceria com o Ministério da Saúde e a Organização Pan-Americana da Saúde. Clique na capa abaixo para fazer download da última versão.
Além de alguns princípios nutricionais, o ‘Guia’ orienta na escolha de alimentos, a preparação adequada, o ato de comer e o impacto dos hábitos nutricionais corretos. Confira abaixo algumas das dicas abaixo:
1 – Prefira produtos naturais ou minimamente processados
Água, arroz, café, carnes, castanhas, cereais, cogumelos, ervas frescas e secas, especiarias, farinhas, feijão, frutas, frutos do mar, iogurte, legumes, leite, macarrão ou massas, milho, ovos, pescados, sucos de frutas, tubérculos (batata, mandioca, mandioquinha, entre outros) e verduras.
2 – Moderação no consumo de açúcares, gorduras, óleos e sal
Açúcar de mesa branco ou mascavo, Azeite, banha de porco, gordura de coco, manteiga, melado, rapadura, sal de cozinha e óleos vegetais.
3 – Cuidado com produtos processados
Castanhas com sela ou açúcar, carnes salgadas, enlatados e conservas, extratos de tomate, frutas em calda e cristalizados, queijos e pães.
4 – Evite o consumo de ultraprocessados
Bebidas energéticas, biscoitos, caldos com sabores, congelados em geral, macarrões instantâneos, maionese pronta, pães, sopas e sorvetes.
ATIVIDADE FÍSICA E IMUNIDADE
Além da alimentação, a prática regular de atividade física é apontada por médicos como um fator importante no fortalecimento do sistema imunológico durante a pandemia. Exercícios moderados, como caminhada, corrida leve e treinos funcionais em casa, ajudam a controlar o peso, reduzir a inflamação crônica associada à obesidade e melhorar a qualidade do sono, fatores que, juntos, contribuem para uma resposta imunológica mais eficiente.
A recomendação geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de, pelo menos, 150 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada para adultos. Mesmo durante períodos de maior restrição de circulação, especialistas destacam que pequenas mudanças na rotina, como subir escadas, alongar-se ao longo do dia e evitar longos períodos sentado, já fazem diferença para quem vive em isolamento.
HIDRATAÇÃO E SONO DE QUALIDADE
A ingestão adequada de água também integra a lista de hábitos que ajudam o organismo a funcionar melhor. A recomendação varia de pessoa para pessoa, mas gira em torno de 2 litros diários para um adulto saudável, podendo aumentar em dias mais quentes ou durante a prática de exercícios.
Já o sono de qualidade, com duração entre 7 e 9 horas por noite para a maioria dos adultos, está diretamente relacionado à produção de células de defesa do organismo. A privação de sono, muito comum durante a pandemia por conta da ansiedade e da alteração nas rotinas, pode reduzir a eficácia da resposta imunológica e aumentar a predisposição a doenças.
Combinados, alimentação equilibrada, atividade física regular, boa hidratação e sono adequado formam um conjunto de hábitos que, embora não substituam o uso de máscara, a vacinação e o distanciamento social, seguem como aliados importantes na proteção da saúde durante a pandemia.
Vale reforçar que qualquer mudança significativa na dieta ou na rotina de exercícios deve ser acompanhada por um profissional de saúde, sobretudo entre pessoas que já vivem com obesidade, diabetes ou hipertensão, já que ajustes bruscos podem trazer riscos adicionais sem o acompanhamento adequado.
Pequenos ajustes sustentados ao longo do tempo tendem a trazer resultados mais consistentes do que mudanças radicais e de curta duração, especialmente em um momento em que o acesso a exames e consultas de rotina também ficou mais limitado pela sobrecarga do sistema de saúde.
