#SãoESalvo: A sobrevivência a acidentes aéreos está no ar
Saiba o que você deve fazer e saber para escapar com vida se o seu avião não chegar ao destino do voo

As cenas aterrissaram rápido nas plataformas de notícias – e, claro, nos grupos de WhatsApp: um avião destruído no chão, ainda consumido pelas chamas. Sobraram apenas o leme e alguma fuselagem traseira para contarem história.
Só que não.
Todas as 21 pessoas a bordo – três tripulantes e 18 passageiros – têm a preferência da palavra para explicar como conseguiram se salvar de um acidente aéreo enquanto outros não tiveram a mesma oportunidade.
Afinal, quais são as possibilidades de sobrevivência a uma viagem de avião? O que preciso saber para aumentar minhas chances caso a aeronave caia, não decole ou colida no chão? É seguro mesmo voar?
OUTRO ‘MILAGRE’?
À primeira vista, o resgate de todos que estavam a bordo remete a outro acidente marcado pela preservação de todas as vidas: as 155 do Voo 1549 da US Airways, que seguiria de Nova York para Charlotte, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos.
O caso aconteceu em 15 de janeiro de 2009. O avião ganhava altitude quando colidiu-se com pássaros. A perda dos dois motores obrigou a tripulação a um pouso alternativo sobre as águas. A operação bem sucedida ficou conhecida como ‘Milagre do Rio Hudson’.
O final feliz virou filme, estrelado por Tom Hanks, que interpretou o piloto Chesley Sullenberger, condecorado e elevado a herói nacional. Alguns fatores foram fundamentais para que o desfecho não fosse outro.
A começar pelo treinamento do piloto, que escolheu um ponto do rio onde o resgate chegasse mais rápido. Já sobre as águas, os passageiros foram retirados rapidamente para as asas com coletes salva-vidas para que não se afogassem.
SEMELHANÇAS
A pronta evacuação foi uma semelhança decisiva de procedimento entre o avião que pousou sobre o rio e o que nem saiu do chão nesta terça-feira (19) no aeroporto de Houston, no Texas, nos Estados Unidos.
Segundo relatos da imprensa local, a aeronave “escapou da pista”, invadiu uma cerca e parou em meio a um matagal, o que dificultou na contenção das chamas depois que todos já haviam escapado em segurança.
A saída rápida foi favorecida pela última configuração da área de passageiros do MD-87. Fabricado em 1988 para levar até 117 pessoas, o aparelho teve sua capacidade reduzida para servir a voos executivos.
Também aqui o impacto não foi suficiente para que o avião se partisse, o que facilitou a saída de todo mundo e ajudou no trabalho dos paramédicos e bombeiros que já estavam por perto para o resgate.
UM ENTRE MILHÕES
Os dois casos bem sucedidos de sobrevivência estão contados na maioria dos acidentes aéreos sem vítimas fatais. Sim, maioria. Em 2020, por exemplo, dos 40 envolvendo grandes aeronaves no mundo, apenas em 5 houve mortes (12,5%).
As 299 perdas catalogadas pela consultoria holandesa To70 estão inseridas em um contingente de centenas de milhões de passageiros que utilizaram os 24,4 milhões de voos disponíveis no ano passado – 40% a menos, por causa da pandemia.
Ou seja: a possibilidade de se envolver em um acidente aéreo é de uma entre milhares ou até milhões. E com chance de sobreviver. Foi o que ocorreu com 51,2 mil das 53,4 mil pessoas que passaram por essa experiência entre 1983 e 2000, nos Estados Unidos, segundo o Departamento Nacional de Segurança nos Transportes.
Segurança que, aliás, é a principal obsessão no desenvolvimento de novas tecnologias do mercado aeronáutico. Quando ocorrem, os acidentes com vítimas fatais também contribuem no aprimoramento de peças, processos e sistemas mais eficientes.
E SE ACONTECER?
Dependendo de como se dá o acidente aéreo – seja por colisão ou explosão – a possiblidade de sobrevivência é praticamente nula. Mas há procedimentos que, a depender do caso, amplia as chances (ou evita a fatalidade).
A primeira é levar a sério as informações de segurança comunicadas pela tripulação ou empresa aérea. É importante saber, por exemplo, onde ficam as saídas de emergências e sentar-se o mais próximo possível.
Se acontecer, é por ali que você terá que escapar rapidamente. Chegar mais rápido significa, por exemplo, evitar a inalação de fumaça. E, se tiver que correr, esteja calçado(a) – e sem salto – para proteger os pés.
Caso o piloto peça para que todos se preparem para o impacto, sente-se, afivele os cintos, mantenha as pernas em 90 graus, deite o peito sobre os joelhos e proteja a cabeça. A posição reduz a possibilidade de traumas e pode salvar a vida.
