Eu, autor(a): saiba como escrever o seu primeiro livro de ‘a a z’

O texto traz um guia completo para quem quer escrever seu primeiro livro, com dicas sobre escolha de gênero literário, registro da obra, publicação em e-book e ferramentas digitais de escrita.

Referência de martírio na luta pela independência de seu país, o jornalista, filósofo e poeta cubano, José Julián Marti Péres (1853-1895) – ou, simplesmente José Martí – ganhou notoriedade por uma frase que, de quando em quando, ainda se escuta pelo mundo afora.

“Há uma coisa que um homem deve fazer na sua vida: plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro”. Em comum, as três ações têm o mesmo propósito: deixar um legado. Um ao meio ambiente, outro de si e o terceiro à literatura.

Afora os dois primeiros, há muitos que arvoram seus talentos pelo último, seja por ofício, pelas circunstâncias da vida ou mesmo para florear essa tríade de singelas oportunidades humanas, conforme disse o poeta.

RAÍZES LITERÁRIAS

Como fora dito no parágrafo anterior, o ato de escrever um livro depende da motivação própria de cada pessoa. O escritor ‘profissional’, por exemplo, termina um já rabiscando o próximo. Escrever é seu trabalho.

Outros se inspiram em suas experiências de vida – das mais espetaculares às traumáticas ou midiáticas. É deste estofo que surgem obras escritas por quem deseja contar, em detalhes, sua trajetória ou seu lugar nos fatos.

Os gêneros literários dividem-se em muitas possibilidades de escrita. Autoajuda, aventura, biografias, comédia, contos, crônicas, didáticos, eróticos, fábulas, gestão, novelas, poesias, romances, suspense, tragédia, entre outros.

MÃOS À OBRA

O primeiro passo do autor é a escolha do gênero. O motivo para a publicação do livro, por exemplo, agiliza esse processo. Um jornalista que queira aprofundar-se em uma história costuma recorrer ao livro-reportagem.

Há quem já tenha o hábito de escrever romances, poemas, sagas. Seja qual for, é imprescindível estar atento ao conteúdo. Além da atenção à estrutura própria ao gênero escolhido, a revisão ortográfica é indispensável.

Obra feita, é hora de registrá-la na Fundação da Biblioteca Nacional. Se for a primeira, recomenda-se que faça a impressão de forma independente. Você pode angariar recursos através de um financiamento coletivo.

E-BOOKS

Se preferir, você nem precisa imprimir sua obra. Basta publicá-la em forma de e-book. Seria como se estivesse ‘plantando uma árvore’. Aliás, várias, a considerar a quantidade de papel utilizado na impressão.

Neste caso, você tem a possibilidade de redigir seu livro no formato digital desejado através de aplicativos feitos sob medida. Confira abaixo sete destes programas literários. Clique e confira os recursos oferecidos:

Evernote

Scrivener

Sigil

Storybook

Ulysses

yWriter

ZenWriter

QUANTO CUSTA PUBLICAR UM LIVRO

Uma das primeiras dúvidas de quem decide escrever um livro é quanto vai custar transformar aquelas páginas em uma obra pronta para chegar às mãos dos leitores. A resposta varia bastante e depende do caminho escolhido pelo autor ou autora, seja ele a publicação independente, o lançamento por meio de uma editora tradicional ou a opção pelo formato digital.

Na publicação independente, o próprio autor assume os custos de revisão, diagramação, capa e impressão. Esses serviços podem ser contratados separadamente ou em pacotes oferecidos por empresas especializadas em autopublicação, que costumam cobrar valores proporcionais ao tamanho da obra e à quantidade de exemplares impressos.

Já quando o livro é aceito por uma editora tradicional, os custos de produção costumam ficar a cargo da própria editora, que em troca fica com uma parte maior dos direitos e do lucro sobre as vendas. Esse caminho, porém, costuma ser mais concorrido, já que exige a aprovação do manuscrito por uma equipe editorial antes mesmo de qualquer negociação.

Para quem prefere economizar, o e-book continua sendo a alternativa mais acessível. Além de dispensar os custos de impressão, plataformas de autopublicação digital permitem que o autor coloque sua obra à venda em poucos dias, recebendo uma porcentagem de cada exemplar vendido, sem precisar de um investimento inicial alto.

DIVULGANDO SUA OBRA

Escrever o livro é apenas metade do caminho. Sem divulgação, mesmo a obra mais bem escrita pode passar despercebida pelo público. Por isso, cada vez mais autores investem tempo nas redes sociais para construir uma base de leitores antes mesmo do lançamento oficial.

Uma estratégia comum é compartilhar trechos da escrita, bastidores do processo criativo e reflexões sobre o tema do livro, criando uma conexão com potenciais leitores. Grupos de leitura, clubes do livro e parcerias com outros autores também ajudam a ampliar o alcance de uma obra recém-lançada.

Feiras literárias, sejam presenciais ou virtuais, continuam sendo uma ótima oportunidade para autores independentes apresentarem seus livros a um público interessado em literatura. Participar desses eventos, mesmo em estandes coletivos, pode gerar as primeiras vendas e os primeiros contatos com leitores fiéis.

ÚLTIMA PÁGINA

Escrever um livro é uma experiência que pode ser repetida mais de uma vez. A opção pela versão digital é a forma mais prática – e, praticamente sem custo – para que alguém seja conhecida(o) também como escritor(a).

Quem ainda se sente inseguro a ‘colocar na praça’ uma obra com seu nome pode ensaiar essa realidade através de um blog. É uma ótima forma de se praticar a escrita, seu gênero preferido e ainda receber o feedback de seus(suas) leitores(as).

Cada novo(a) autor(a) não apenas põe em prática uma das realizações pessoais imortalizadas pelo poeta cubano, mas também cultiva cultura em um país árido de leitores. Compartilhado em solo fértil, o conhecimento também gera livros.

Webert Oliveira
Sou um autor por escolha, curioso, especializado em transformar fatos e histórias inusitadas em narrativas cativantes. Com formação em Letras, gosto de combinar pesquisa rigorosa com um estilo envolvente, buscando não só informar, mas também inspirar a curiosidade de meus leitores sobre o mundo.
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