Cheguei, e agora?: o que fazer para se manter no topo da carreira profissional

O texto reúne conselhos de especialistas em Recursos Humanos sobre como profissionais e treinadores podem se manter no topo da carreira, além dos principais erros que costumam levar à queda de quem já alcançou uma posição de destaque.

Destaque do mercado após um trabalho vencedor pelo Athletico Paranaense, em 2019, o técnico Tiago Nunes não conseguiu de manter entre as ‘grandes empresas’ do futebol brasileiro, com rápidas passagens por Corinthians e Grêmio.

Neste último, ficou apenas 74 dias no cargo. Deixou para trás algumas realizações – o título do Gauchão contra o arquirrival Internacional e ainda as classificações na Copa do Brasil e na Copa Sul-americana – mas prevaleceu o último resultado: a lanterna no Brasileirão.

A exemplo de Nunes, há muitos outros treinadores – Eduardo Batista, Ney Franco, Vagner Mancini, entre outros – e profissionais das mais diversas áreas que até ‘chegaram lá’ mas não conseguiram ficar no topo.

Seja no futebol, no acirrado mercado de executivos ou na sobrevivência diária em cargos de gestão no comércio, os caminhos parecem ser semelhantes para quem deseja subir os degraus da carreira profissional – e permanecer por lá.

BÊ-À-BÁ DA LIDERANÇA

Especialistas em Recursos Humanos (RH) entendem que a ascensão profissional está aliada a características comuns que, apesar dos percalços e eventuais fracassos, forjam o modelo de lideranças resilientes e duradouras:

Seja parte do time

Chefes acostumados a mandar e aguardar resultados nas mãos parecem ser ainda hoje a grande maioria, mas líderes que participam do processo fazem a diferença. Primeiro, porque promovem ajustes, quando necessários e, segundo – e não menos importante – interagem com suas equipes. Os reflexos deste relacionamento costumam incidir na produção e nos resultados – que, por sua vez, sustentam gestores em seus cargos.

Atualize-se

Quem está à frente de uma empresa ou projeto precisa estar permanentemente se atualizando sobre o mercado ou área onde atua. Mas não é só: importante também é agregar novos conhecimentos que possibilitem ampliar o raio de visão sobre o negócio e o mundo – seja desde a aprendizagem de um novo idioma a uma pós-graduação, como exemplos. Líderes curiosos por saber tendem a ser mais criativos e inovadores.

Entre para o clube

Mesmo grandes lideranças mundiais, sejam governamentais ou empresariais, costumam reunir-se, nem que seja de forma remota nestes dias de pandemia, para momentos de networking. O motivo é simples: saber o que o outro pensa e o que anda fazendo. Essa troca de informações é importante para autoavaliação. Um líder atento se adapta rápido a novas tendências – sobretudo por autopreservação.

Excursione

Como já fora dito neste post, é preciso ter uma ‘visão de mundo’. Melhor ainda quando você pode viver, na prática, a oportunidade de observar o planeta por seus mais diversos ângulos, culturas, idiomas, moedas e estilos de vida. É o tipo de experiência que transcende o aspecto profissional e contribui para formação pessoal. Grandes empresas precisam de líderes que falem do que viveram e não apenas do que sabem sobre o mundo.

CAUSAS DO TOMBO

Os motivos que levam à queda – por assim dizer – de um profissional que estava no topo ou, ao menos, em evidência em uma organização, passam por algumas falhas como as que relacionamos abaixo:

1 – Apontar o dedo: assuma quando errar. É correto e ético. Diz mais sobre você do que seu belo currículo.

2 – Ficar refém de planilhas: líderes precisam enxergar além de números e agir de forma estratégica, atento aos contextos, quando necessário.

3 – Esbanjar confiança além do juízo: por melhores que sejam os planos, é preciso agir rápido nos percalços. Ignorar essa hipótese é brincar de liderar.

4 – Recair na egolatria: renome, cases de sucesso e status de nada servem se não aplicados com eficiência em um novo negócio.

5 – Ocupar o cargo errado: chegue ao topo por competência, reconhecimento e consciência de ter perfil para gestão – e não para figuração.

6 – Adiar decisões: líderes buscam decisões rápidas ou sustentáveis para os negócios. Adiamentos costumam estar relacionados a procrastinação ou incompetência.

BUSQUE MENTORIA E ACOMPANHAMENTO PROFISSIONAL

Além de evitar os erros mais comuns que levam profissionais e treinadores a perderem espaço, buscar orientação externa tem se tornado uma prática cada vez mais valorizada entre quem deseja se manter relevante em sua área. Mentores e coaches de carreira ajudam a identificar pontos cegos que o próprio profissional, imerso na rotina, muitas vezes não consegue perceber.

No futebol, essa prática já é comum entre técnicos que contam com preparadores mentais e consultores de carreira para lidar com a pressão constante dos resultados. No mundo corporativo, o mesmo papel é cumprido por mentores mais experientes, que ajudam executivos a tomar decisões mais assertivas e a lidar melhor com momentos de crise.

Outro ponto importante é a construção de uma rede de contatos sólida antes que ela seja necessária. Esperar cair do posto para só então buscar apoio profissional costuma ser tarde demais. Quem investe continuamente em relacionamentos, atualização e autoconhecimento tende a ter mais recursos disponíveis no momento em que precisa reagir a uma crise na carreira.

Por fim, vale lembrar que manter-se no topo não depende apenas de talento ou competência técnica. A capacidade de se reinventar, aceitar feedbacks e ajustar a própria conduta diante de novos desafios costuma ser o que diferencia profissionais duradouros daqueles que, mesmo brilhantes, não conseguem sustentar o sucesso por muito tempo.

Webert Oliveira
Sou um autor por escolha, curioso, especializado em transformar fatos e histórias inusitadas em narrativas cativantes. Com formação em Letras, gosto de combinar pesquisa rigorosa com um estilo envolvente, buscando não só informar, mas também inspirar a curiosidade de meus leitores sobre o mundo.
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