Na ponta da agulha: como vacinar-se de coragem para enfrentar a Covid-19

Com a vacinação avançando pelo país, quem sofre de medo de agulhas encontra na respiração, no relaxamento e em pequenos cuidados diários formas simples de encarar a hora da vacina com mais tranquilidade.
Mais de 101 milhões de brasileiros já haviam sido vacinados contra a covid-19 até a noite desta quinta-feira (1), segundo levantamento feito pelo consórcio de veículos de imprensa com as secretarias estaduais de saúde.
Tomaram a primeira dose 74,5 milhões de pessoas. Já chegaram à segunda outras 25,9 milhões e tiveram a oportunidade de receber a dose única outras 636 mil. Os números são atualizados e divulgados diariamente.
Alegria para muitos – com direito a registro em fotos e vídeos nas redes sócias – a vacinação também é motivo de tensão para outros que, apesar de reconhecerem a importância da imunização, têm pavor de injeção.
AICMOFOBIA
Se você também sente aquele medo inconsciente de agulhas e objetos pontiagudos é mais um, entre tantos, com aicmofobia. E se o pavor de sentir dor também vier ‘no pacote’, trata-se de agliofobia.
Fobias são medos que extrapolam a realidade. A própria vacinação é um exemplo: para muita gente, o ato da vacinação é um momento comum como tantos outros e em nada interfere na rotina do dia.
É exatamente o contrário do que costuma acontecer com quem não curte encarar injeções. As reações incluem quadros de medo e ansiedade. A orientação é que se busque tratamento médico especializado.
E AGORA?
Quem é ansioso e já está na iminência de ser vacinado em sua cidade, seja hoje ou em breve, pode recorrer a algumas técnicas para relaxar e enfrentar, com disposição e coragem, o momento da vacinação.
RESPIRE
Respire profunda e lentamente. Repita aos poucos, sem pressa. Não vai demorar muito, os batimentos cardíacos vão desacelerar e a tendência é que a mente acompanhe esse novo ritmo do corpo.
RELAXE
À medida que você respira, também relaxa os músculos e alivia as tensões, o que proporciona uma sensação de bem estar e de paz. Se puder, deite-se ou, se praticar ioga, posicione-se em uma forma que te traga conforto.
OUÇA
Esse momento de relaxamento pode ser acompanhado tanto do silêncio, em contato com as sonoridades da natureza ou mesmo embalado por uma música relaxante ou que te remeta a lembranças inesquecíveis.
CUIDE-SE
Como a vacinação em massa avançou no Brasil
A campanha de imunização contra a covid-19 no Brasil começou em janeiro de 2021, priorizando profissionais de saúde, idosos e grupos de risco, antes de se estender gradualmente para o restante da população adulta. Apesar do início lento, marcado por atrasos na entrega de doses e disputas políticas em torno da aquisição de vacinas, o ritmo de vacinação ganhou velocidade ao longo do ano, impulsionado pela ampliação da produção nacional de imunizantes e pela chegada de novos lotes importados.
Estados e municípios organizaram campanhas locais, com postos volantes, drive-thrus e mutirões de vacinação em bairros de maior vulnerabilidade social, na tentativa de reduzir as barreiras de acesso enfrentadas por quem tem dificuldade de locomoção ou de conciliar horário de trabalho com a ida a um posto de saúde.
Por que a imunização coletiva importa
Além da proteção individual, a vacinação em massa tem um efeito coletivo conhecido como imunidade de rebanho, quando uma parcela suficientemente grande da população se torna imune a uma doença, dificultando sua circulação e protegendo indiretamente quem, por algum motivo médico, não pode ser vacinado. Por isso, campanhas de saúde pública costumam reforçar que tomar a vacina não é apenas um cuidado pessoal, mas também um gesto de proteção à comunidade ao redor.
Quanto maior a cobertura vacinal em uma cidade ou região, menor a circulação do vírus e, consequentemente, menor a pressão sobre hospitais e unidades de saúde, o que ajuda a reduzir internações e óbitos mesmo entre pessoas que ainda não completaram o esquema vacinal.
Outras fobias comuns ligadas a procedimentos médicos
Além do medo de agulhas, é comum que pessoas relatem desconforto ou pavor em relação a outros procedimentos médicos, como exames de sangue, consultas odontológicas ou até mesmo o simples fato de estar em um ambiente hospitalar, condição conhecida como nosocomefobia. Em geral, essas fobias têm origem em experiências desconfortáveis vividas na infância, no medo da dor ou até no receio de receber más notícias sobre a própria saúde.
Reconhecer o padrão do medo e conversar abertamente sobre ele, seja com profissionais de saúde, seja com familiares de confiança, é um dos primeiros passos para reduzir a ansiedade associada a esses procedimentos, tornando a experiência menos traumática ao longo do tempo.
Quando buscar ajuda profissional
Quando o medo passa a interferir na rotina, levando a pessoa a evitar cuidados médicos essenciais, como vacinas, exames preventivos ou tratamentos indicados, é recomendável buscar orientação de um psicólogo ou psiquiatra. Técnicas de terapia cognitivo comportamental, por exemplo, têm se mostrado eficazes para ajudar pacientes a lidar com fobias específicas, incluindo o medo de agulhas, sem a necessidade de recorrer a medicamentos em todos os casos.
Depois da vacina: cuidados nos dias seguintes
Reações leves, como dor no local da aplicação, cansaço ou febre baixa, são consideradas normais nas primeiras 24 a 48 horas após a vacinação e tendem a desaparecer sem necessidade de tratamento específico. Hidratação, repouso e, se necessário, o uso de analgésicos indicados por um profissional de saúde ajudam a amenizar esse desconforto passageiro, permitindo que a rotina volte ao normal em poucos dias.
Mantenha práticas saudáveis. Alimente-se corretamente, respeite suas horas necessárias de sono e pratique atividades físicas. Esse ‘combo’ comportamental é sua melhor contribuição à sua saúde física e mental.
