Conheça statups LGBTQIA+ que conectam pessoas e negócios em tempos de pandemia

Startups criadas por pessoas LGBTQIA+ ganham espaço no mercado brasileiro ao conectar profissionais, empresas e serviços voltados para a comunidade, mesmo em meio às dificuldades econômicas da pandemia.

Com perspectiva de crescimento de 4,5% para 2021, segundo estimativa divulgada no início de junho pelo Banco Mundial, a economia brasileira tem se recuperado aos poucos, mesmo que ainda em tempos de pandemia.

Os indicadores econômicos apresentam avanços na produção industrial, no comércio, no setor de serviços e, principalmente, no agronegócio, impulsionado pela influência da alta do dólar no preço das commodities.

Em meio à economia heterodoxa nacional, vigente há séculos no Brasil, iniciativas digitais promovidas por lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queers, intersexuais, assexuais e pansexuais seguem ativas mais do que nunca no país.

Mesmo que ignoradas nos anúncios econômicos oficiais, startups criadas pela comunidade LGBTQIA+ têm promovido o empoderamento de pessoas e negócios que, embora focados no próprio segmento, auxiliam na recuperação do país.

MERCADO BILIONÁRIO

Todas estas plataformas têm, em comum, promover maior visibilidade ao chamado mercado LGBTQIA+ que, apenas no Brasil, tem potencial de movimentar pelo menos US$ 26 bilhões (R$ 128,5 bilhões), segundo dados da LGBT Travel Market, de 2018.

Trata-se de, pelo menos, 6% do PIB (Produto Interno Bruto) que pode ser movimentado através da geração ou promoção de eventos, produtos e serviços, seja por personalidades, empresas ou entidades do terceiro setor.

Confira abaixo quatro das principais plataformas que atuam como ‘pontes’ entre pessoas e organizações e o mercado bilionário LGBTQIA+:

Camaleao.com

Plataforma conecta oportunidades de emprego à comunidade LGBT+. Na prática, trata-se de um ‘banco’ de currículos – o serviço é pago. Até a publicação deste post o site informava haver 3.457 perfis de candidates colorides e a parceria com 12 empresas.

Lacrei

O Lacrei posiciona-se como “o primeiro portal criado para conectar a comunidade LGBTQIA+ a profissionais de saúde, advogades e empresas que respeitam a diversidade oferecendo oportunidades de trabalho e desenvolvimento profissional”.

TODXS

O crescimento do empreendedorismo LGBTQIA+ no Brasil

Nos últimos anos, o número de negócios criados e liderados por pessoas LGBTQIA+ tem crescido de forma consistente no Brasil, impulsionado tanto pela busca de autonomia financeira frente a um mercado de trabalho tradicional muitas vezes hostil, quanto pelo desejo de oferecer produtos e serviços pensados especificamente para essa comunidade. Esse movimento ganhou ainda mais força durante a pandemia, quando muitas pessoas precisaram reinventar sua fonte de renda diante do aumento do desemprego.

Feiras, eventos de networking e programas de aceleração voltados para empreendedores LGBTQIA+ também se popularizaram nesse período, ainda que majoritariamente em formato digital, ajudando a conectar fundadores de startups a investidores e potenciais parceiros de negócio interessados em apoiar esse ecossistema.

Desafios enfrentados por empreendedores LGBTQIA+

Apesar do crescimento, empreendedores LGBTQIA+ ainda enfrentam obstáculos específicos para conseguir crédito, investimento e visibilidade em um mercado que, historicamente, prioriza fundadores dentro de um perfil considerado padrão. A falta de representatividade em bancos, fundos de investimento e aceleradoras tradicionais dificulta o acesso a capital, obrigando muitos negócios a crescerem de forma orgânica, com recursos próprios ou por meio de financiamento coletivo.

Além da barreira financeira, esses empreendedores frequentemente relatam episódios de discriminação em reuniões de negócios, dificuldade em fechar parcerias comerciais e até resistência de parte do público para consumir marcas identificadas publicamente como voltadas à comunidade LGBTQIA+, o que reforça a importância de redes de apoio como as plataformas citadas neste post.

Outras iniciativas que merecem destaque

Além das startups já citadas, o Brasil conta com uma série de outras iniciativas que atuam em diferentes frentes de apoio à comunidade LGBTQIA+, como consultorias especializadas em diversidade corporativa, contratadas por empresas que desejam tornar seus ambientes de trabalho mais inclusivos, e grupos de mentoria voltados especificamente para pessoas trans que buscam recolocação no mercado de trabalho formal.

Universidades e incubadoras também têm criado editais específicos para selecionar e apoiar projetos liderados por pessoas LGBTQIA+, reconhecendo o potencial econômico e social desse tipo de empreendedorismo dentro do ecossistema de inovação brasileiro.

Como o mercado pode apoiar essa comunidade

Especialistas em diversidade e inclusão apontam que o apoio ao empreendedorismo LGBTQIA+ vai além do consumo pontual de produtos e serviços durante datas comemorativas, como o mês do orgulho. Construir parcerias comerciais duradouras, incluir fornecedores diversos em processos de compra corporativa e investir financeiramente em fundos ou aceleradoras voltadas a esse público são caminhos apontados como mais efetivos para fortalecer esse mercado de forma sustentável ao longo do ano.

O papel da tecnologia na inclusão

Plataformas digitais como as apresentadas neste post exemplificam como a tecnologia pode reduzir barreiras de acesso para comunidades historicamente marginalizadas, aproximando profissionais LGBTQIA+ de oportunidades de trabalho e de serviços especializados, muitas vezes difíceis de encontrar fora de grandes centros urbanos. Aplicativos de geolocalização, por exemplo, ajudam a mapear estabelecimentos, profissionais de saúde e serviços jurídicos que se declaram abertamente inclusivos, facilitando decisões de consumo e de cuidado pessoal para quem busca ambientes seguros.

Esse tipo de solução tecnológica tende a se expandir nos próximos anos, à medida que mais investidores e desenvolvedores identificam o potencial econômico e social de conectar comunidades específicas a serviços pensados para suas necessidades particulares.

Trata-se de uma ONG (Organização Não-Governamental) que promove programas, eventos, consultoria, pesquisas, entre outros serviços. O app oferecido pela plataforma mapeia legislações relacionada à “causa LGBTI+” e um portal de denúncias.

Webert Oliveira
Sou um autor por escolha, curioso, especializado em transformar fatos e histórias inusitadas em narrativas cativantes. Com formação em Letras, gosto de combinar pesquisa rigorosa com um estilo envolvente, buscando não só informar, mas também inspirar a curiosidade de meus leitores sobre o mundo.
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