Saiba como fazer seu pé de meia na previdência privada trilionária do Brasil

O texto mostra o crescimento do mercado de previdência privada no Brasil durante a pandemia e reúne dicas práticas para quem está pensando em começar a investir nesse tipo de aplicação financeira.
Reportagem exclusiva publicada pelo portal UOL na terça-feira (22) confirmou uma tendência que já se estimava há anos no mercado da previdência privada: o número de investidores que esperam se aposentar pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) segue em rimo de queda, pelo menos desde 2018.
A informação, segundo o UOL, é da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). Segundo a reportagem, as pessoas “pretendem se manter com seus investimentos pessoais, com aluguel de imóveis, trabalhando após a aposentadoria ou com ajuda da família”.
A tendência, que atravessou a pandemia, elevou o patrimônio líquido do mercado de previdência privada em mais de R$ 1 trilhão de reais, pela primeira vez, segundo dados divulgados pela Anbima. A captação entre abril de 2020 (com covid e tudo) e de 2021 (já com vacinação) foi de R$ 61 bilhões.
EFEITO PANDEMIA
Apenas em janeiro de 2021, naqueles dias de segunda onda da pandemia no país, pelo menos 32 milhões de pessoas aderiram à previdência privada da Susesp (Superintendência de Seguros Privados), autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda. A contratação superou em 12% a do mesmo período em 2020 (ainda sem nenhum caso oficial de covid-19 no Brasil).
Entre os fatores que levaram o brasileiro a fazer, cada vez mais, seu pé de meia na previdência privada estão o risco do desemprego, a busca de segurança financeira a médio e longo prazo, e ainda a diversidade dos produtos oferecidos pelo mercado e a permanente desconfiança da capacidade de pagamento do INSS.
Quanto a este último ponto, a previdência privada padece do mesmo risco. Diferentemente do INSS, que ainda poder recorrer ao governo para sobreviver, este tipo de aplicação não tem cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Crédito). Ou seja: se o fundo falir, todo dinheiro investido é perdido.
COMO APLICAR
Não por acaso, a primeira orientação a quem pretende investir em previdência privada – ou já o faz há pouco tempo – é a busca por prestadores de serviço especializados no assunto. A orientação profissional orientará, por exemplo, quanto a hora de permanecer ou trocar, por portabilidade, de um fundo para o outro.
Antes de assinar seu contrato de previdência privada esteja atento aos seguintes pontos:
1 – Aprofunde seus conhecimentos sobre o assunto. Consulte sites especializados, compare informações, consulte quem já tem (se conhecer).
2 – Organize-se financeiramente. Procure deixar suas contas pessoais em ordem antes de assumir o compromisso mensal de aportes ao investimento que escolheu fazer.
3 – SOS financeiro. Por garantia, deixe uma reserva de emergência para garantir a regularidade das aplicações diante de eventuais imprevistos
4 – Escolha o plano adequado. São dois: aberto (adquirível por qualquer pessoa) e fechado (exclusivo para funcionários e associados)
5 – Defina o tipo. São dois: o VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre) e o PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre. O primeiro é indicado a quem fez a declaração do Imposto de Renda (IR) pelo modelo completo e o segundo, pelo simplificado.
6 – Escolha a tabela de tributação. São duas: a regressiva (de 35% a 10% após dez anos) e progressiva (0 a 27,5%, quanto maior for o resgate)
7 – Analise os custos. Antes de bater o martelo, compare as taxas administrativas cobradas por bancos ou corretoras de valores.
8 – Comece a investir. Inicie suas aplicações e não deixe de observar outras oportunidades de investimento para ampliar sua carteira e seus ganhos.
Erros comuns de quem está começando
Além de seguir os passos básicos para escolher o plano ideal, é importante que o investidor iniciante fique atento a alguns erros recorrentes que costumam comprometer o rendimento da previdência privada a longo prazo. O primeiro deles é resgatar o dinheiro antes do prazo planejado, o que pode gerar perdas significativas, especialmente para quem optou pela tabela regressiva de tributação.
Outro erro comum é escolher o plano baseado apenas na indicação de amigos ou familiares, sem considerar o próprio perfil de investidor e os objetivos financeiros pessoais. Cada pessoa tem uma tolerância diferente ao risco e um horizonte de tempo distinto até a aposentadoria, o que torna essencial uma análise individualizada antes de assinar qualquer contrato.
Também é comum que investidores esqueçam de revisar periodicamente o desempenho do fundo escolhido. O mercado financeiro muda com o tempo, e um plano que era vantajoso há alguns anos pode não ser mais a melhor opção disponível hoje. Por isso, especialistas recomendam reavaliar a aplicação, pelo menos, uma vez por ano.
Por fim, muitos brasileiros ainda confundem previdência privada com um produto de curto prazo, quando na verdade ela é pensada para ser mantida por décadas. Entender essa diferença é fundamental para não desistir do investimento nos primeiros anos, período em que os rendimentos costumam ser menos expressivos por conta das taxas envolvidas.
Buscar orientação de um profissional certificado, como um planejador financeiro, também ajuda a evitar decisões precipitadas e a montar uma estratégia de aportes compatível com a renda disponível, sem comprometer o orçamento mensal da família.
