Carro usado é ‘preferência nacional’ pelas vias econômicas da pandemia

Com a renda em baixa durante a pandemia, brasileiros priorizam a compra de carros usados e mais antigos, enquanto a produção de veículos novos segue travada pela falta de semicondutores.

Estacionada há anos, a venda de carros usados no Brasil acelerou 40,7% apenas nos primeiros quatro meses de 2021, segundo dados divulgados pela Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto). E a expectativa do mercado é que o ritmo não diminua tão cedo.

Antes abarrotados, os tradicionais estacionamentos agora acusam esvaziamento de oferta em seus estoques. A maior demanda, ainda segundo a Fenauto, tem sido pelo carro ‘velho’ mesmo – aqueles com mais de 13 anos de fabricação. As vendas, ainda neste ano, superaram os 34% no país.

Logo atrás na fila estão os modelos com nove a 12 anos de uso, com 27,7% dos negócios. Já os seminovos (zero a três anos) tiveram procura de apenas 9%. Os três modelos mais procurados em maio foram o Volkswagen Gol e os Fiats Uno (cotados para saírem de linha em breve) e Palio (não fabricado desde 2018).

PREFERÊNCIA X NECESSIDADE

Os números da Fenauto apontam uma tendência de mercado observada ainda em 2020, em plena pandemia de covid-19. Entre a preferência e a necessidade, o brasileiro, de uma forma geral, tem optado pela segunda opção, sobretudo pela falta de recursos suficientes para ter o privilégio da primeira.

Entre os fatores que explicam a procura maior pelos usados neste momento estão a escolha pela aquisição de um veículo próprio a ter que enfrentar o risco de contágio do coronavírus no transporte público, a oportunidade de troca do carro por outro menos antigo e a oferta de crédito mais ‘acessível’, ao menos por ora.

A comparação com o preço de um zero quilômetro, ou mesmo de um seminovo, é o que costuma atrair o comprador. Apenas um a cada dez vendidos, segundo a Fenauto, ainda tem alguma garantia de fábrica. A grande maioria vai precisar de oficina e cobertura cara de seguro – isso, para quem faz.

VENDAS X PRONTA ENTREGA

Paralisadas em 2020 por conta da pandemia, que impôs restrições ao atendimento presencial de concessionárias, as vendas de veículos novos no Brasil seguem em marcha lenta. Entre maio e abril, o aumento no volume de negócios foi de 7,7% segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

Mas, diferentemente da compra de um usado ou seminovo, o consumidor que opta por retirar um carro zero quilômetro na concessionária corre o sério risco de ficar em uma lista de espera – comum, antes mesmo da pandemia – que pode levar até meses de entrega a depender do modelo adquirido.

O principal motivo é o atraso na entrega de semicondutores, fabricados principalmente na Ásia, ao mercado brasileiro. Sem este componente, fábricas da Volkswagen e da General Motors simplesmente paralisaram suas linhas e da Hyundai reduziu o funcionamento para penas um dos três turnos de trabalho.

CARROS POR ASSINATURA

Educado há várias gerações a adquirir o próprio carro, o brasileiro aos poucos está descobrindo outras opções para ter um veículo, senão próprio, mas para uso exclusivo. Esta oportunidade é possível através de planos de carros por assinatura, já oferecidos inclusive por várias montadoras.

Na prática, o cliente sai da concessionária com um carro zero quilômetro, mas sem a obrigação de pagar a documentação (IPVA incluso), o seguro e a manutenção obrigatória. A exemplo de qualquer outro produto, como a assinatura de um clube de cerveja, o cliente paga uma mensalidade e, por óbvio, o combustível.

Financiamento e crédito para carros usados

Acompanhando o aumento na procura por veículos usados, instituições financeiras e bancos digitais ampliaram as linhas de crédito voltadas especificamente para esse tipo de compra, com taxas de juros mais competitivas do que em anos anteriores. Ainda assim, especialistas recomendam que o comprador simule o financiamento em mais de uma instituição antes de fechar negócio, já que a diferença entre taxas pode representar um impacto significativo no valor final pago pelo veículo ao longo do contrato.

Outra alternativa que ganhou espaço é o consórcio de veículos, modalidade em que o comprador se compromete a pagar parcelas mensais em um grupo de participantes até ser sorteado ou dar um lance para receber a carta de crédito, sem incidência de juros, apenas taxa de administração.

Cuidados na hora de comprar um carro usado

Antes de fechar a compra de um veículo usado, é recomendável verificar a documentação completa do carro, incluindo histórico de multas, débitos de IPVA e eventuais restrições judiciais ou financeiras. Consultar o histórico de sinistros também ajuda a identificar se o veículo já passou por acidentes graves ou enchentes, informação que pode não estar visível apenas com uma inspeção visual superficial.

Além da documentação, uma vistoria mecânica realizada por um profissional de confiança, antes de assinar qualquer contrato, é a forma mais segura de evitar surpresas com problemas ocultos no motor, na suspensão ou no sistema elétrico do veículo, especialmente em carros mais antigos, que são justamente os mais procurados neste momento pelo consumidor brasileiro.

O que considerar antes de assinar um carro por assinatura

Para quem avalia a opção de assinatura de veículos como alternativa à compra tradicional, vale comparar o valor da mensalidade com o custo total de possuir um carro próprio, somando prestação, seguro, manutenção, IPVA e depreciação ao longo dos anos. Em alguns casos, especialmente para quem roda poucos quilômetros por mês ou pretende trocar de carro com frequência, a assinatura pode representar uma economia relevante e menos burocracia no dia a dia.

Esta opção de consumo já está disponível no Brasil para clientes da Audi, Caoa Chery, Fiat, Jeep, Renault, Toyota e Volkswagen. As condições de cada uma podem ser verificadas nos próprios sites de cada uma das montadoras. Na dúvida, clique no nome de cada uma neste parágrafo e obtenha mais informações.

Ricardo Almeida
Bem-vindo! Sou Ricardo, e neste espaço, minha paixão por futebol, o universo do esporte e as nuances da política se transformam em análises e discussões. Venha falar comigo os temas que moldam o Brasil.
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