Vai de app? Siga viagem sem precisar dar carona ao ‘jeitinho’ para pagar menos

Com o vírus da covid-19 ainda em trânsito pelo Brasil – e sem perspectiva de parada – plataformas especializadas no transporte de pessoas e, mais recentemente, de mercadorias, recorreram ao lançamento de promoções com descontos ainda mais generosos para se manterem no fluxo dos passageiros que utilizam seus serviços.
Carros-chefes deste mercado, a Uber e a 99 baixaram ainda mais os preços de suas corridas em horários de baixa procura – os da madrugada ou mesmo durante o dia, como exemplos – possibilitando aos usuários uma economia média de até 30% se comparados com os valores praticados pela manhã, no horário do almoço ou no final da tarde.
A estratégia promocional é uma via de mão dupla. Além de aliviar o bolso de quem utiliza o serviço, também ajuda na recuperação financeira das próprias companhias. A Uber anunciou um prejuízo de US$ 108 milhões (R$ 543 milhões) no primeiro trimestre de 2021 ante os US$ 2,9 bilhões (R$ 14,6 bilhões) arrecadados no mesmo período em 2020.
ATALHO
Apesar das promoções, há quem esteja recorrendo a um ‘jeitinho’ para conseguir um desconto a mais para as corridas seguintes. Para isso, assinalam à pior avaliação possível ao motorista após o final da corrida. Em certos casos, as empresas podem oferecer reembolso ou, ao menos, algum tipo de desconto.
A análise oferecida espontânea e anonimamente pelos usuários é levada em consideração pelas empresas na avaliação de seus motoristas e, a depender de persistência negativa, pode provocar seu desligamento. A Uber não se manifestou sobre o assunto. A 99 informou ao Tilt não “gerar descontos automáticos após notas ruins”.
Apesar da má reputação imposta por usuários interessados apenas no próprio (e eventual) desconto, os motoristas escolhidos para as corridas recebem os valores referentes ao trecho solicitado através de vouchers. A classificação, aferida através de estrelas, é um dos critérios utilizados para escolha do prestador do serviço.
REAJUSTE
A queda nas receitas anunciadas pelas empresas passa pela diminuição dos ganhos dos motoristas. Não por acaso, as manifestações por reajuste nos valores praticados pelas empresas têm se intensificado pelo país. Atualmente, a Uber paga R$ 0,96 por quilômetro e R$ 0,16 por minutos e a 99 Pop, R$ 0,15 por minuto e R$ 4,25 mínimo por corrida, respectivamente.
Em Santa Catarina, por exemplo, a categoria reivindica um reajuste de 42%. O sindicato local aponta o encarecimento do preço dos combustíveis como principal fator de custo aos motoristas de aplicativos, além de gastos com pneus, manutenção do motor ou mesmo de serviços de limpeza.
Ao portal G1, a Uber informou que as taxas referentes às corridas são variáveis e que as explicações estão disponíveis em e-mails enviados semanalmente. Em relação ao custo dos combustíveis, o app afirmou que o preço “fosse ao nosso controle” e indicou que os motoristas abasteçam em postos parceiros.
PERFIL DA CLIENTELA
Além das companhias e dos motoristas, a pandemia também atingiu a clientela e provocou uma espécie de estratificação social. Segundo pesquisa divulgada pela 99, os mais pobres foram os que mais utilizaram seus serviços entre fevereiro de 2020 e de 2021. O aumento foi de 75% no período, segundo o app.
Os clientes mais assíduos estão entre os que se informaram receber até dois salários mínimos. Entre os que constaram ter renda superior a cinco o fluxo caiu 54%, de acordo com o mesmo levantamento. De uma forma geral, os mais pobres solicitaram o 99 36% a mais e os mais ricos, 41% a menos.
Segundo a empresa, os números refletem a realidade da pandemia no Brasil: enquanto os mais ricos puderam se confinar em home offices com o próprio carro à disposição na garagem, os mais pobres tiveram que sair de casa para cumprir jornada de trabalho formal ou não. Diante do risco de contágio no transporte público, muitos têm recorrido ao serviço dos aplicativos.
