O amor em tempos de pandemia: como curtir o dia dos namorados nesse momento?

Curtir o dia dos namorados em tempos de pandemia, não é a mesma coisa. Será que a forma de viver o amor mudou?

“Era ainda jovem demais para saber que a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a esse artifício conseguimos suportar o passado.” 

Esse trecho, retirado do livro “O amor em tempos de cólera”, de Gabriel García Márquez, pode ser interpretado por muitos vieses. Num contexto mais apaixonado e, talvez, dramático, uma das interpretações poderia ser o fato de que, às vezes, nos decepcionamos muito com nossos amores, mas que o coração não se importa muito com isso, quando essa pessoa nos faz falta. Quem nunca passou pela fase em que só temos lembranças boas do ex, não é? O amor tem dessas coisas. 

Mas, hoje, venho tentar interpretar de outra ótica. Vejo o quanto está difícil para “amar nos tempos de pandemia”. Manter a chama acesa, o romantismo, o carinho, enquanto vemos na TV que o Brasil já está para ultrapassar o número de 500.000 óbitos pela covid-19 e que temos um presidente da república que influencia a população a não usar máscara. Realmente, isso tira qualquer desejo por um momento amoroso. 

Nesse sentido, escrevo esse artigo pensando na esperança de dias melhores, em que poderemos amar sem se preocupar com o distanciamento social. Como diz o trecho do livro, “(…) a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a esse artifício conseguimos suportar o passado.” Que um dia, essa pandemia possa ser uma lembrança eliminada pelo coração e que fique no passado, mas sem nos esquecermos do aprendizado – e isso vale para a pandemia e para aquele ex que já deu o que tinha que dar em nossas vidas!

Entretanto, apesar das dificuldades de amar em tempos de pandemia, o amor não acabou. Os casamentos continuam, os namoros, os noivados continuam acontecendo. Aos trancos e barrancos? Talvez. No segundo semestre de 2020, foram contabilizados 43,8 mil processos de divórcio no Brasil, de acordo com o Colégio Notarial do Brasil — Conselho Federal (CNB/CF).  O número foi 15% maior em relação ao mesmo período de 2019.

Além disso, tudo bem que nem todos os casais de namorados sobreviveram às novas formas de namorar. O namoro à distância, respeitando, de fato, o distanciamento social, não é para todo mundo. Beijar pela câmera do notebook ou do celular, realmente é mais complicado. 

Ok, não negamos as dificuldades do amor em tempos de pandemia, mas não podemos afirmar que o amor acabou. Casais também são formados durante esse tempo, até porque, parece que o amor salva. Quando você ama, é como se você fosse teletransportado dessa realidade tão triste e sem perspectiva, para um lugar de imenso prazer e borboletas no estômago. 

Mas amar vai além do amor romântico. Nesse momento que vivemos é preciso que o amor seja mais amplo. É preciso ter amor por você e se proteger do vírus. É preciso ter amor pela sua família e conscientizá-los a se protegerem do vírus. É preciso ter amor pela população e fazer sua parte no combate à pandemia. É preciso ter amor pelo nosso país, para que um dia consigamos vencer todos os vírus que nos assolam: sejam eles biológicos ou morais. 

Amor em tempos de pandemia, é usar máscara, é se distanciar socialmente, é passar álcool, é confiar na ciência e tomar vacina, as duas doses, para que possamos estar, de fato, imunizados. 

Porém, como o dia de amanhã é um dia comemorativo, se você mora junto de seu namorado (a) ou é casado (a), tente sair dessa realidade triste que estamos passando e invista nesse momento romântico para ter borboletas no estômago. Faça aquele jantarzinho em casa, compre uns chocolates para comerem juntos, escute aquela musiquinha e dancem juntos. Abra aquele vinho para comemorar a vida e o amor que ainda teimam em persistir em um país que tanto sofre para sobreviver. Se dê um pouco de saúde emocional nesse momento. 

Já para os solteiros, assim como essa que lhe escreve, infelizmente não dá para afogar as mágoas em um barzinho com música ao vivo, mas dá para investir no amor próprio e fazer coisas por você. Faça o que te agrade, o que te faz sentir vivo, o que te faz sentir amada. No meu caso, o vinho já está na geladeira, os filmes de comédia romântica da Netflix estão escolhidos e os chocolates eu estou indo comprar agora! 

E para todos, feliz dia do amor nos tempos de pandemia.

Ricardo Almeida
Bem-vindo! Sou Ricardo, e neste espaço, minha paixão por futebol, o universo do esporte e as nuances da política se transformam em análises e discussões. Venha falar comigo os temas que moldam o Brasil.
Leia também