“Tá vendo aquela lua que brilha lá no céu?”: amanhã Brasil será presenteado com eclipse lunar e superlua; veja os melhores horários para vê-la

Um raro eclipse lunar total coincide com uma superlua nesta quinta-feira, formando a chamada “lua de sangue” visível a olho nu em boa parte do Brasil, exceto em algumas capitais do Nordeste.

Um eclipse lunar total acontece quando o Sol, a Terra e a Lua se alinham e nosso planeta faz sombra sobre o satélite natural. Amanhã, será possível ver esse fenômeno acontecer a olho nu no Brasil e em grande parte do continente sul-americano.

Apesar da possibilidade de acompanhar o fenômeno, o eclipse lunar total será mais dificultado de ver no Brasil, por conta da luminosidade e também pelo curso da lua. A luminosidade irá dificultar o processo porque será possível ver a lua parcialmente eclipsada de manhã. Veja os horários, segundo Brasília, para acompanhar o fenômeno:

6h47: inicia-se o eclipse

7h44: inicia-se a fase da umbra, que é quando a sombra da Terra começa a ser observada na lua. 

8h11 até 8h25: o eclipse lunar total começa, ficando 14 minutos na posição que “tampa” a lua.

9h52: a fase parcial do eclipse se mantém até às 10h49, quando o fenômeno se encerra.

Logo, será possível observar com mais facilidade a fase parcial, em que se vê a lua parcialmente “tampada” pela sombra da Terra. Para acompanhar de forma mais significativa, é recomendado acordar mais cedo, ao amanhecer. Em praias e áreas rurais, que não há muita luminosidade, é mais fácil de ver o fenômeno acontecer. 

“Superlua de sangue”

Outro fenômeno que vai acontecer é a lua “parecer” maior. A superlua ocorre quando a Lua está próxima do seu perigeu, que é quando o satélite está no ponto de sua órbita mais próximo da Terra.

Durante o eclipse, a Lua vai parecer maior e avermelhada, dando origem à “Lua de Sangue”, termo popular utilizado para explicar o tom avermelhado que a Lua obtém quando a luz do sol não chega diretamente a ela, porque parte dessa luz é filtrada pela atmosfera terrestre, fazendo com que as cores avermelhadas ou laranjas sejam projetadas no satélite natural. 

Logo, não é que a Lua muda de cor, mas sim um filtro de cores projetado nela, fazendo com que ela seja observada a olho nu com essa cor mais avermelhada aqui na Terra. 

Infelizmente no nordeste, nas cidades de São Luís, Fortaleza, Natal, Recife, Aracajú e Salvador, não será possível observar o eclipse. 

Como acompanhar o fenômeno sem prejudicar a visualização

Diferente de um eclipse solar, observar um eclipse lunar não representa nenhum risco aos olhos, já que a luz refletida pela Lua é bem mais fraca do que a luz direta do Sol. Isso significa que não é preciso usar nenhum filtro especial ou óculos de proteção para acompanhar o fenômeno, bastando um bom local com pouca poluição luminosa e, se possível, o horizonte livre de prédios ou montanhas na direção em que a Lua estará no céu.

Para quem quiser registrar o momento, câmeras de celular mais recentes costumam ter um modo noturno ou modo “lua” que ajuda a captar mais detalhes do satélite, ainda que o resultado dificilmente se compare ao de uma câmera profissional com lente teleobjetiva. Apoiar o aparelho em uma superfície firme ou em um tripé improvisado reduz o tremor da imagem e melhora bastante a qualidade da foto final, especialmente durante a fase de totalidade, quando a Lua fica mais escura e avermelhada.

Quando será o próximo eclipse lunar visível no Brasil

Eclipses lunares totais não são tão raros quanto os solares, mas também não acontecem todos os anos no mesmo local. Segundo astrônomos, o Brasil deve voltar a ter a chance de observar um eclipse lunar total nos próximos anos, embora as condições de visibilidade dependam da posição da Lua no céu no horário do fenômeno e das condições climáticas de cada região do país.

Vale lembrar que eclipses lunares parciais e penumbrais, fenômenos mais sutis em que apenas parte da sombra da Terra cobre a Lua, ocorrem com uma frequência maior, embora sejam menos vistosos e passem despercebidos por boa parte da população que não acompanha de perto o calendário astronômico.

Curiosidades sobre a “Lua de Sangue”

O apelido “Lua de Sangue” existe há séculos e aparece em diferentes culturas ao redor do mundo, muitas vezes associado a superstições ou previsões sobre eventos importantes. Cientificamente, porém, o fenômeno tem uma explicação simples: a atmosfera terrestre filtra a luz solar da mesma forma que faz durante o nascer e o pôr do sol, deixando passar principalmente os tons vermelhos e alaranjados, que acabam sendo refletidos na superfície lunar durante a totalidade do eclipse.

Quanto mais partículas de poeira ou nuvens houver na atmosfera no momento do eclipse, mais intensa tende a ser a tonalidade vermelha observada na Lua. Por isso, o tom exato da “Lua de Sangue” pode variar de um eclipse para outro, sendo às vezes mais alaranjado e, em outras ocasiões, quase marrom escuro, dependendo das condições atmosféricas do planeta naquele momento específico.

Considerando os dias difíceis, talvez parar um pouco para ver fenômenos acontecendo no céu, seja uma boa ideia!

Ricardo Almeida
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