“Não somos obrigados a seguir orientações da OMS”, Pazuello já depõe na CPI. Veja o que analisar no depoimento do ex-ministro da Saúde

Um dos depoimentos mais esperados desde o início da CPI, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello já está depondo no Senado e trouxe detalhes sobre a compra e produção da cloroquina, vacina da Pfizer e direcionamento do Brasil no combate à pandemia. 

Apesar de ter solicitado ao STF o habeas corpus para ficar calado durante o depoimento, Pazuello responde às perguntas feitas pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros, e utiliza de uma estratégia inteligente para tentar se esquivar das perguntas mais diretas: o ex-ministro contextualiza todas as respostas, não respondendo às perguntas de forma objetiva, ficando fácil de se perder no meio da resposta. Por conta disso, o senador e relator Renan Calheiros está tendo que fazer as mesmas perguntas várias vezes, para tentar arrancar uma resposta objetiva do depoente. 

É importante considerar que Pazuello era o ministro em cargo no pior momento da pandemia no Brasil, com um fato de destaque, que foi o colapso do sistema de saúde de Manaus. O ex-ministro já é investigado pelo Ministério Público Federal que apresentou uma ação de improbidade administrativa contra Pazuello e contra o secretário estadual de Saúde do Amazonas, Marcellus Campelo, pela omissão que levou ao colapso hospitalar em Manaus, quando faltou oxigênio para tratamento da Covid-19.

Apesar da dificuldade para entender o que Pazuello está falando, alguns pontos de análise podem auxiliar na compreensão do depoimento do ex-ministro da Saúde, que é de suma importância para a conclusão desta CPI.

O que já foi falado no depoimento de Pazzuelo?

1 – Ministério da Saúde e a cloroquina

No depoimento de Ernesto Araújo, o ex-chanceler ressaltou que o Ministério das Relações Exteriores investiu nas relações com outros países para conseguir mais cloroquina, por meio de uma orientação do Ministério da Saúde. 

Pazuello disse hoje no depoimento que a cloroquina foi utilizada em vários países e que isso foi o bastante para que os médicos brasileiros utilizassem o medicamento aqui no Brasil. E que por isso, o Ministério da Saúde emitiu uma orientação para a utilização da cloroquina em casos graves. 

2 – Vacina da Pfizer

Pazuello afirmou que respondeu todos os contatos que a Pfizer fez referentes às vacinas e relatou que o ex-presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murilo, mentiu ao afirmar que não obteve resposta do governo em carta enviada para autoridades brasileiras com o intuito de alertar sobre as vacinas. Nessa declaração, o ex-ministro contraria o depoimento, inclusive, do ex-secretário de comunicação do governo, Fabio Wajngarten. 

A CPI deverá fazer uma acareação, para verificar se Carlos Murilo e Fabio Wajngarten mentiram no depoimento, além de cobrar de Pazuello todas as respostas que foram dadas à Pfizer. 

3 – Orientações da OMS

O ex-ministro afirmou que o Brasil seguia orientações próprias e que não tem obrigação de seguir a Organização Mundial da Saúde nos protocolos de combate à pandemia. Além disso, Pazuello ressaltou que os posicionamentos da OMS não eram contínuos. Com isso, o ex-ministro deixa claro que seguir os protocolos que eram recomendados pela OMS nunca foi prioridade para o Brasil. 

4 – Ministério Paralelo

Com as acusações já feitas por outros depoentes de que existiria um ministério paralelo no Ministério da Saúde, Pazuello respondeu que o empresário Carlos Wizard propôs recomendações ao Ministério, mas ele não aceitou. 

Além disso, afirmou que não reconhece nenhum “gabinete do ódio” e que pouco conversou com os filhos do presidente da república durante seu posto frente ao Ministério da Saúde.

5 – Defesa do presidente Bolsonaro 

Pazuello foi ao Senado no intuito de defender o presidente Bolsonaro das acusações que estão sendo feitas a ele desde o início da CPI. Em dado momento, o ex-ministro afirmou que Bolsonaro tem dois tons: quando ele fala sério e quando ele fala para a internet. 

Além disso, Pazuello afirmou que ele e o presidente nunca discordaram ou tiveram conflitos na condução da pandemia e ainda ressaltou que Bolsonaro nunca deu “ordens diretas para nada.”

Perguntas para se fazer durante o depoimento para entender o que foi falado e criar opinião

1 – Quais são os pontos de discussão entre Pazuello e os senadores?

2 – O presidente da CPI precisou interromper o depoimento em algum momento para acusar alguma inconsistência no depoente?

3 – Os senadores governistas defenderam Pazuello? O que eles disseram sobre a condução do ex-ministro na pandemia?

4 – Quais são as acusações que os senadores da oposição fizeram a Pazuello?

Webert Oliveira
Sou um autor por escolha, curioso, especializado em transformar fatos e histórias inusitadas em narrativas cativantes. Com formação em Letras, gosto de combinar pesquisa rigorosa com um estilo envolvente, buscando não só informar, mas também inspirar a curiosidade de meus leitores sobre o mundo.
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