5 pontos para analisar no depoimento de Ernesto Araújo na CPI da Covid hoje

A saída de Ernesto Araújo do comando do ministério das Relações Exteriores do governo Bolsonaro não foi o bastante para fazer com que ele ficasse de fora dos depoimentos da CPI da Covid.
Sempre envolto em meio de polêmicas com a China e com outros países que não seguem a mesma linha ideológica do governo, Araújo se tornou peça chave das investigações da Comissão, já que uma das funções mais primordiais do ministério nesse período de pandemia, era a de manter uma boa relação com os países, para que tivéssemos auxílio nesse momento tão crítico.
Como essa política de boa vizinhança não foi evidenciada e priorizada pelos membros das Relações Exteriores e nem pelo presidente em si, a CPI deseja investigar se essa má relação com a China, principalmente, foi o que causou o atraso na aquisição de vacinas e insumos no Brasil.
O ex-chanceler não pediu habeas corpus para assegurar seu direito de ficar calado na CPI, assim como fez o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Inclusive, a defesa de Ernesto garantiu que ele está tranquilo para responder todas as perguntas feitas durante o depoimento, para explicar o papel que ele desempenhou na pandemia durante sua função.
Além disso, os senadores, especialmente da oposição, devem focar suas perguntas também nas questões que envolvem a relação de Ernesto Araújo com os filhos do presidente Bolsonaro (Carlos, Eduardo e Flávio), já que as declarações de Eduardo Bolsonaro contra a China podem ter atrapalhado o vínculo com os chineses.
Essas críticas que eram feitas por Eduardo Bolsonaro eram bem associadas às opiniões e declarações que o ex-chanceler também fazia à China, tais como as expressões “comunavírus” e “vachina”, se referindo à origem do coronavírus. Tais declarações não foram bem aceitas pelas autoridades chinesas, o que pode ter atrapalhado a aquisição dos insumos e vacinas aqui no Brasil.
Outro ponto que deve ser indagado é como a relação entre os filhos do presidente e Araújo pode ter sido responsável pela priorização de tratamentos precoces em detrimento às vacinas. Depoimentos já feitos na CPI disseram que Bolsonaro tinha um “aconselhamento paralelo à ciência”, que inflava na compra e produção de cloroquina, além do spray nasal israelense que estava em estudos para comprovação de eficácia contra a Covid-19. Lembrando que Araújo, Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro foram à Israel pessoalmente para analisar a aquisição desse spray.
O depoimento de Ernesto Araújo deverá ser um dos mais importantes da CPI e pode ajudar ou atrapalhar o governo Bolsonaro. Para analisar isso, veja alguns pontos de atenção para a hora do depoimento do ex-chanceler:
1 – Ernesto Araújo vai alinhado com o governo
O ex-chanceler era da ala ideológica do governo, ou seja, era um dos ministros que mais defendia Bolsonaro e suas ações. Isso deve acontecer hoje. O ex-ministro não deve declarar fatos que comprometam o governo. Por isso, será necessário que as perguntas dos senadores sejam bem feitas e argumentadas.
2 – Senadores da base do governo devem ajudar Ernesto, mesmo a contragosto
Como o ex-ministro sempre foi envolto em polêmicas e era um dos ministros mais “especiais” de Bolsonaro, Araújo nunca foi muito bem visto no Congresso Nacional. Por isso, até mesmo senadores da ala governista não o vê com bons olhos. Mas como o depoimento de Araújo será um dos mais importantes e considerando que a oposição vai tentar tirar tudo o que pode do ex-chanceler, então os integrantes governistas devem tentar ajudar Ernesto Araújo, mesmo não gostando muito dele.
3 – Relação com os filhos do presidente
Os integrantes da oposição vão tentar tirar alguma declaração de Ernesto em relação aos filhos do presidente Bolsonaro. Em outros depoimentos, foi acusado que Bolsonaro tinha um “aconselhamento paralelo” que era composto por seus filhos e outros integrantes. Esse aconselhamento defendia a cloroquina, a imunidade de rebanho e má relação com a China, para a aquisição das vacinas, já que elas eram vacinas “comunistas”.
4 – Bolsonaro pode utilizar de seus filhos para dizer que CPI é pessoal
Caso a CPI foque grande parte das perguntas do depoimento de hoje para entender a relação de Araújo com os filhos de Bolsonaro, o presidente pode se utilizar disso para argumentar que a CPI é contra ele pessoalmente e não para investigar os fatos que rondam a pandemia no Brasil.
5 – Lado “influencer olavista” de Ernesto Araújo pode ser investigado também
Ernesto Araújo, durante seu mandato à frente do ministério das Relações Exteriores, mantinha um blog pessoal que contava sobre suas ações no governo e suas opiniões sobre a pandemia. O blog Metapolítica Brasil 17, em uma de suas publicações, falava sobre o “Comunavirus”, em que o ex-chanceler discorria sobre a intenção desse vírus que enfrentamos atualmente, ser uma oportunidade para que o comunismo fosse instalado no mundo.
O lado “influencer” de Araújo deve ser abordado no depoimento, já que o blog, por mais que fosse pessoal, foi alimentado durante seu período no posto do ministério das Relações Exteriores.
