Onde há emprego no Brasil?
Com os altos índices de desemprego, muitos brasileiros recorrem à informalidade para conseguir algum tipo de renda; acompanhe, ao final da matéria, os feirões e vagas de emprego que estão vigentes no Brasil

Com mais de 13,7 milhões de desempregados, o Brasil também enfrenta um crescimento da informalidade no mercado de trabalho, mas iniciativas como o Sine e feirões de emprego buscam conectar candidatos a vagas.
A experiência relata e os números confirmam – o desemprego no Brasil é a realidade de mais de 13,7 milhões de trabalhadores, de acordo com a última pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Consequências da pandemia e de uma política fiscal e monetária que falham em emergir um crescimento econômico no país, os alarmantes números que retratam o desemprego no Brasil já são de conhecimento mundial.
Isso porque a agência de classificação de risco Austin Rating, a pedido do portal g1, divulgou um levantamento que mostra que, de 44 países com economia ativa, o Brasil ocupa a 4ª colocação entre as nações com mais desemprego, perdendo somente para Costa Rica, Espanha e Grécia, respectivamente.
Mas, ao passo que temos 13,2% da população sem emprego, observa-se também um aumento na informalidade – ou seja, vagas sem direitos trabalhistas previstas em lei, incluindo a carteira assinada. Com muito desempregado para pouca vaga formal, o trabalhador precisa abrir mão de suas garantias para sobreviver.
A INFORMALIDADE NO BRASIL
37,1 milhões é o número que representa a informalidade no Brasil. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de trabalhadores informais no Brasil, entre os meses de março e maio deste ano, diz respeito a 41,1% da população ocupada no país.
A recessão que o Brasil enfrentou durante a crise política de 2014 a 2016, juntamente com a pandemia e a crise econômica atual são insumos para a informalidade. Um estudo de pesquisadores vinculados ao FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) confirmou que a maioria das vagas de emprego no país estão sendo geradas pelos trabalhos informais.
“Entre as ocupações que registram os maiores aumentos estão relacionadas com a prestação de serviços relativamente mal remunerados, [tendência] compatível com a baixa produtividade do país nos últimos anos”, destaca o levantamento, divulgado pela Folha de S. Paulo.
AS VAGAS DISPONÍVEIS
Em uma tentativa de mudar esse preocupante panorama, os postos do Sine (Sistema Nacional de Emprego), estaduais e municipais, estão fazendo um levantamento das principais vagas das cidades, para divulgar e chamar os candidatos.
Em Rondônia, o Sine está divulgando mais de 600 vagas com atuação nos setores de serviços, indústria, construção civil e varejo. Já no Sine de Porto Velho, mais de 80 vagas estão sendo ofertadas para operador de caixa e ajudante geral.
Os feirões de emprego também estão rodando o Brasil. Hoje (22), a Universidade Guarulhos sedia a Feira de Empregos e Empreendedorismo Guarulhos 2021 – “Juntos Por Um Novo Caminho”, que conta com a presença das principais agências de emprego da cidade para apoiar o encontro entre o empregador e o desempregado. Com início às 9 da manhã, a fila para o evento começou a receber as primeiras pessoas desde às 4 horas.
O IMPACTO DA INFORMALIDADE NA VIDA DO TRABALHADOR
Trabalhar na informalidade significa, na prática, abrir mão de direitos como férias remuneradas, décimo terceiro salário, contribuição previdenciária automática e proteção em caso de demissão. Para milhões de brasileiros, essa é a única alternativa disponível diante da escassez de vagas formais, o que gera uma cadeia de vulnerabilidade que se estende para além da renda mensal.
Sem o vínculo formal, o trabalhador também fica mais exposto em momentos de crise, como ficou evidente durante os períodos mais duros da pandemia, quando quem dependia de bicos e trabalhos avulsos viu a renda despencar de uma hora para outra, sem nenhuma rede de proteção trabalhista para amenizar o impacto.
CAMINHOS PARA QUEM PROCURA UMA RECOLOCAÇÃO
Além dos postos do Sine e dos feirões de emprego, especialistas em recolocação profissional recomendam ampliar a rede de contatos, já que uma parcela significativa das contratações no Brasil ainda acontece por indicação. Participar de grupos profissionais, eventos do setor e até mesmo conversas informais com antigos colegas de trabalho pode abrir portas que não aparecem nos anúncios tradicionais de vaga.
Também vale investir em cursos rápidos de capacitação, muitos deles gratuitos, oferecidos por instituições como o Senai, o Senac e várias prefeituras pelo país. Ainda que não garantam uma contratação imediata, esses cursos ajudam a atualizar o currículo e podem ser o diferencial em processos seletivos concorridos, especialmente para quem está afastado do mercado de trabalho há algum tempo.
Por fim, é importante manter a persistência mesmo diante das dificuldades. O cenário de desemprego no Brasil é resultado de fatores estruturais que vão além do esforço individual de cada trabalhador, mas cada candidatura enviada, cada curso concluído e cada contato feito aumentam, ainda que gradualmente, as chances de conseguir uma nova colocação no mercado.
Você, que está nessa situação, procure o Sine de sua cidade ou estado e verifique as vagas oferecidas. Nas redes sociais, um trabalho interessante também vem sendo feito – procure por “vagas e coloque o nome de sua cidade” – muitas vagas estão sendo divulgadas utilizando essas plataformas também.
