Do luto à vida: como superar a sofrência após grandes perdas

Da rotina com as tragédias à restauração da vida que precisa continuar em sua plenitude, todos os dias

Ainda contando as perdas de uma pandemia que não terminou, o Brasil tem sofrido de um persistente luto nacional desde o anúncio da primeira morte provocada pelo Covid-19 no país, em 12 de março de 2020.

Não bastasse a mortalidade provocada pelo vírus, os brasileiros ainda sofreram as perdas em outras tragédias por naufrágios, temporais, deslizamentos de terras, além das que se repetem no trânsito, todos os dias.

Para piorar a sofrência do povo brasileiro, até do entretenimento veio o luto: a morte da cantora Marília Mendonça, aos 26 anos, em um acidente aéreo na última sexta (5) entristeceu um país inteiro.

Diante de tantas perdas, seja para a doença, a natureza, a imprudência e sabe-se lá mais o quê, a pergunta que se faz é: como superar essa ‘onda’ de tristeza que se abateu sobre todos e cada um de nós?

LUTO E PERSPECTIVAS

Fato é que cada pessoa lida de um jeito diferente diante de tanto desalento, a exemplo do próprio luto. Segundo explica a Psiquiatria, o tempo de assimilação varia de acordo com a percepção em relação à morte.

Percebida como a única certeza que existe na vida – além dos impostos, como acrescentariam os economistas – a morte, sobretudo de alguém que se ama depende de tempo para que se siga em frente na vida.

As religiões exercem importante papel neste processo de interpretação deste momento. Cristãos creem na ressureição e na vida eterna, ao tempo que espíritas e budistas entendem que as pessoas evoluem pela reencarnação.

Também os ateus podem acreditar na retomada da vida, a partir de uma perspectiva diferente que vislumbre caminhos em que possam ressignificar os dias, agora sem a presença física da pessoa que já se foi.

SEGUINDO EM FRENTE

Por isso é necessário viver o luto e superá-lo, de modo a seguir em frente, segundo recomendam os psiquiatras. Da dor virá a saudade e, daí em diante, o tempo de viver novamente – porque os dias continuam.

Esse processo de retomada inclui, necessariamente, a dedicação a atividades que resgate a alegria de viver. Muitos aderem a causas, não raro vinculadas justamente ao que vitimou um ente querido.

Outros ocupam-se da dedicação ao convívio mais próximo e intenso com amigos, familiares ou mesmo consigo mesmo, reservando-se ao direito de retirar-se para um tempo de descanso, retiro ou viagem.

Em todo esse processo, é fundamental cuidar do corpo, privando-se de excessos e vícios e também da mente, revigorando-a pela convivência com pessoas, assuntos e oportunidades agradáveis e saudáveis ao bem-estar.

OMBRO AMIGO

É certo que nem todos os dias sejam plenamente felizes – com ou sem a experiência do luto. Quando o ânimo fraquejar, é necessário ter por perto aqueles que amamos para compartilhar nossas dores e buscar consolo.

Daí a importância da construção de amizades duradouras ao longo da vida para que em um momento de perda sejam, literalmente, o ombro amigo para que a alegria, uma vez amparada, seja restabelecida.

O isolamento, ao contrário, provoca o abandono, a angústia, a depressão. Mesmo aqueles que preferem viver sozinhos não resistem à busca de alguém com quem compartilhar suas dores – um terapeuta, um psicólogo, um psiquiatra, um religioso.

Na dúvida a quem recorrer, basta ligar ao 188. O Centro de Valorização da Vida (CVV) dispõe de voluntários dispostos 24 horas por dia a escutá-lo(a), aconselhá-lo(a). O atendimento é gratuito e sigiloso.

Ricardo Almeida
Bem-vindo! Sou Ricardo, e neste espaço, minha paixão por futebol, o universo do esporte e as nuances da política se transformam em análises e discussões. Venha falar comigo os temas que moldam o Brasil.
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