Marighella estreia hoje no Brasil, em meio à críticas e aplausos

Filme dirigido por Wagner Moura divide opniões no Brasil, apesar de ser ovacionado pela crítica internacional

Guerrilheiro, terrorista ou revolucionário? A história do ex-deputado federal Carlos Marighella é contada de diversas óticas durante a história brasileira. Para uns, ele foi um herói a ser seguido, para outros, um bandido que ajudou a espalhar a violência pelo país. Qual é o seu lado?

Bom, se você ainda não tem uma opinião formada, o filme Marighella, que estreia hoje (04), nos cinemas de todo o Brasil, pode te ajudar a ter uma noção. O longa, inspirado na obra de Carlos Magalhães – Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo – conta a biografia do ex-político pela visão do ator e diretor Wagner Moura, que enfrentou alguns percalços para que seu filme, fosse hoje, um dos assuntos mais comentados no Twitter.

O filme foi lançado em 2019, mas não no Brasil. Por aqui, a Ancine (Agência Nacional do Cinema) encaminhou o projeto de lançamento comercial do longa para o arquivamento. Segundo o órgão, houve “desistência da proponente em prosseguir com o projeto na Chamada Pública.” Mas, a O2 Filmes, produtora responsável pela obra, em nota enviada para o UOL, negou a justificativa da Ancine, afirmando que não houve desistência por parte de nenhum dos responsáveis pelo filme. 

Como não pôde ser lançado no Brasil em 2019, Marighella foi à público pela primeira vez no Festival de Berlim, na Alemanha, em meio às manifestações contra a decisão do governo, afirmando que o arquivamento da Ancine era censura. Por lá, o filme foi aplaudido. Por aqui, uma junção de anseios e críticas rondavam a expectativa da estreia, que pela fila de espera da Ancine, o filme só viria a ser lançado em novembro de 2021, como foi feito. 

Censura?

De acordo com os produtores, um filme que retrata o período militar no Brasil estava sendo censurado. No mínimo curioso. Mas, segundo os responsáveis pela obra, Marighella é uma mensagem direta contra as ações do governo atual. Em entrevista ao Roda Viva, Wagner Moura afirmou que o filme foi feito em homenagem a quem lutou durante a ditadura e também a quem luta, hoje, contra o governo Bolsonaro, que é assumidamente simpático aos anos de chumbo

Para o diretor, essa “mensagem direta” contra o governo, foi crucial para que o longa fosse barrado na fila da Ancine, que é um órgão governamental. Além disso, integrantes do governo, como o Secretário Especial de Cultura, Mário Frias e o presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo criticaram a estreia do filme no Brasil. 

A obra também sofreu com boicotes por parte de apoiadores de Bolsonaro. Com críticas à história de Carlos Marighella, os eleitores do presidente injuriaram o filme no Twitter e moveram uma campanha difamatória no IMDB, que é uma base de dados online de informação sobre cinema, TV, música e games. 

As críticas

Porém, para muitos brasileiros que estão criticando, seus argumentos são válidos. Uma rápida pesquisa no Twitter, já evidencia que as difamações contra o filme giram em torno da história de Marighella, sendo que muitas pessoas o consideram como um terrorista que prejudicou o Brasil.

O ex-político era parte do Partido Comunista Brasileiro, mas se destacou quando fundou a Ação Libertadora Nacional (ALN), um dos primeiros grupos de luta armada do período ditatorial. Durante a atuação da ALN, Marighella assaltava bancos para financiar o grupo, entrava em confronto contra militares, mas ficou ainda mais conhecido pelo sequestro do embaixador norte-americano Charles Elbrick.

Além do contexto sócio-político, a obra também foi criticada pela escolha de Seu Jorge para o papel principal. Isso porque, houveram muitos questionamentos sobre a cor Carlos Marighella – muitas pessoas o consideram branco, incluindo o presidente da Fundação Palmares. 

Sendo assim, Wagner Moura foi acusado de racismo, por escolher um ator negro, para representar um homem supostamente branco, afirmando que “um ator negro foi escolhido para atuar como uma bandido branco.”

O outro lado

Apesar das difamações no Brasil, o filme de Wagner Moura está sendo ovacionado no exterior. Como as primeiras estreias foram em outros países, a obra já conseguiu firmar um bom nome na crítica internacional. 

Além disso, muitos brasileiros foram aos cinemas na pré-estreia, em forma de protesto contra a suposta censura do filme e contra as ações do governo Bolsonaro, já que o filme critica o período militar, em um momento em que tem-se no Brasil, um presidente que enaltece o militarismo. 

Em algumas filmagens pela internet, é possível ver que, ao final, os presentes nas salas de cinema gritam “Fora, Bolsonaro” e aplaudem essa obra que tanto demorou a estrear no país. 

Ricardo Almeida
Bem-vindo! Sou Ricardo, e neste espaço, minha paixão por futebol, o universo do esporte e as nuances da política se transformam em análises e discussões. Venha falar comigo os temas que moldam o Brasil.
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