Nobel da Paz valoriza trabalho de jornalistas em países com governos autoritários
Maria Ressa e Dmitry Muratov, das Filipinas e da Rússia respectivamente, ganharam o prêmio e colocaram em foco a importância do jornalismo independente para o fortalecimento da democracia

“O jornalismo livre, independente e baseado em fatos serve para proteger contra o abuso de poder, mentiras e propaganda de guerra.” – Academia Real das Ciências da Suécia.
O jornalismo causa medo. Mas causa medo em quem deve alguma coisa. E esse medo é causado justamente pelos motivos da citação acima – um jornalismo bem feito protege a população contra abusos e mentiras. E muitas vezes, poder e mentira são os únicos insumos de quem nos “representa” nos governos.
Tantas são as tentativas de acabar ou descredibilizar a atividade jornalística. Na verdade, os historiadores ressaltam que essa é uma das características de governos autoritários. Para que não haja essa denúncia de que a população de tal país está sendo governada por um líder autoritário, esses mesmos líderes se adiantam e vão fragilizando o jornalismo aos poucos.
Entretanto, mesmo que isso tenha acontecido tantas e tantas vezes durante a nossa história, o jornalismo se reinventa e se fortalece. Ele permanece, se mantém. E a Academia Real das Ciências da Suécia reconheceu isso quando entregou o Nobel da Paz para dois nomes importantes do jornalismo independente, que exercem esse ofício em prol da democracia em seus pais – Rússia e Filipinas.
Sabemos que esses dois países não são um exemplo de democracia e é justamente por isso que a atividade jornalística se faz tão crucial. Mesmo com riscos, até mesmo de vida, os jornalistas sabem da importância do seu trabalho para o mundo e continuam, porque sem eles, as consequências são ainda piores.
Mas vamos aos nomes:
- Maria Ressa: Cofundadora e diretora-executiva da Rappler, uma empresa de mídia digital de jornalismo investigativo.
- Dmitry Muratov: Um dos fundadores do jornal independente russo “Novaya Gazeta”.
Maria Ressa usa o jornalismo investigativo da Rappler para denunciar o abuso de poder e violência que o governo autoritário das Filipinas utiliza contra seu próprio país.
“Rappler deu atenção à campanha assassina do regime de Duterte (o presidente da Filipinas). O número de mortes é tão alto que parece uma guerra contra a própria população do país”, afirmou a porta-voz do Nobel.
Já o jornalista russo, Dmitry Muratov, desde quando o presidente Vladimir Putin assumiu o poder, seu jornal Novaya Gazeta teve seis jornalistas assassinados. Não é novidade que o governo Putin caça jornalistas na Rússia, entretanto, apesar do risco, isso é mais um motivo para que o Novaya Gazeta continue trabalhando.
Inclusive, Muratov dedicou o prêmio aos colegas que já se foram.
“Ao mesmo tempo, eles representam os jornalistas que lutam por esse ideal num mundo onde a democracia e a liberdade da imprensa enfrentam condições cada vez mais adversas”, ressaltou a Academia.
O jornalismo independente no Brasil
Se você identificou que situações parecidas ocorrem com o jornalismo no Brasil, especialmente agora no governo Bolsonaro, você também sabe que o nosso trabalho não tem sido dos mais fáceis.
Na maioria das coletivas de imprensa, o presidente arruma uma forma de ofender e descredibilizar o ofício jornalístico e se coloca, efetivamente, contra a atividade, levando seus seguidores e apoiadores a se portarem dessa forma também.
E isso é um perigo para a nossa democracia.
Só em 2020, a violência contra jornalistas cresceu 105,77%, sendo Jair Bolsonaro o líder dos ataques, de acordo com o Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil.
Por isso, o jornalismo independente precisa resistir. Aqui deixo alguns para que você, leitor, possa se informar, fortalecendo assim, a nossa democracia.
E aqui, a própria Agência Pública deixa um mapa com diversos links para você ter acesso ao jornalismo independente do nosso país.
