#WhatIf: E se o Brasil não fosse o país do samba e do futebol?
De Carona na série de sucesso da Marvel Comics, especulamos a realidade tupiniquim paralela de nosso multiverso verde e amarelo

Inspirado na série ‘What If…?’, o texto especula caminhos alternativos para a história e a identidade cultural do Brasil, caso o país não tivesse o samba, o futebol, a Amazônia ou o atual governo como referências centrais.
Imagine se você fosse ao cinema para assistir os ‘Vingadores’, da Marvel Studios, e se deparasse com uma heroína Zumbi; Peter Quill, o ‘senhor das estrelas’, como faxineiro de um fast-food ou Capitã Carter em vez do Capitão América?
É exatamente este ‘outro lado’ do multiverso que a maior editora de quadrinhos do mundo propõe, em formato de animação, na série ‘What If…?’ (E se…?, em português), cuja primeira temporada foi lançada em agosto.
De carona neste mundo paralelo de possibilidades, especulamos abaixo o que teria acontecido de alguns fatos tivessem tomado outro rumo no Brasil. A exemplo da animação, a acomodação dos desfechos é livre.
E SE O BRASIL…
…não fosse o país do samba?
Certamente o ‘ritmo propaganda’ do país seria derivado de outros, também de origem africana, de onde o samba nasceu, pelas mãos dos escravos. Assim, o país poderia ser conhecido pela batida do lundu (assista abaixo) ou o gingado do maxixe.
Sem o samba, outros ritmos que compõem a grande ciranda musical brasileira teriam maior protagonismo internacional. Disputariam este cartaz o baião, o frevo, o sertanejo, o fandango, além da batida universitária e do funk, que disputam as paradas de sucesso atualmente.
…não fosse o país do futebol?
A considerar a quantidade de praticantes de modalidades esportivas no país, cujas estimativas constam do Atlas do Esporte no Brasil, de 2003, ainda balançaríamos muito as redes… do voleibol!
Considerado o ‘segundo esporte’ do brasileiro, o vôlei desenvolveria uma estrutura maior que a atual, semelhante à do futebol. Dos campos para as quadras, o Brasil perderia seu ‘Atleta do Século 20’. No vôlei, o rei posto é o estadunidense Karch Kiraly.
…não fosse o país da Amazônia?
Restaríamos concorrer com países africanos no tamanho de áreas desérticas. O verde tão aclamado de nossa natureza certamente desbotaria na bandeira, no hino e na nossa capacidade de preservação.
Esta possibilidade, aliás, está em curso por conta dos desmatamentos e da exploração irregular da floresta. Estudo científico divulgado em 2019 aponta que, sem a Amazônia, a temperatura subiria até 2,5 graus e as chuvas seriam reduzidas em até 30% no planeta.
…não fosse presidido por Jair Bolsonaro?
A primeira e óbvia hipótese seria a continuidade do governo do Partido dos Trabalhadores (PT) no poder federal. O presidente seria Fernando Haddad que, por agora, poderia até estar focado em sua reeleição, apesar de Lula.
…NÃO TIVESSE UMA POPULAÇÃO TÃO DIVERSA?
A miscigenação é apontada por historiadores como um dos elementos centrais na formação da identidade brasileira. Sem a mistura entre povos indígenas, africanos e europeus, e as posteriores ondas de imigração de italianos, japoneses, alemães, sírios e libaneses, entre outros, o país certamente teria uma cultura muito menos plural do que a atual.
Essa diversidade se reflete na culinária, na religiosidade, nas festas populares e até no vocabulário do português falado no Brasil, que incorporou termos de origem indígena e africana ao longo dos séculos. Um Brasil menos plural provavelmente teria uma produção cultural mais homogênea, com menos riqueza de expressões regionais.
…NÃO FOSSE UM PAÍS TÃO DESIGUAL?
Outra hipótese interessante é imaginar um Brasil que tivesse conseguido reduzir de forma mais consistente as desigualdades sociais herdadas do período colonial e escravocrata. Nesse cenário alternativo, o acesso à educação, à saúde e à moradia seria mais equilibrado entre as diferentes regiões e classes sociais.
Esse Brasil hipotético talvez tivesse índices de violência urbana bem menores, já que estudos relacionam boa parte da criminalidade a fatores estruturais como pobreza, falta de oportunidades e ausência do Estado em regiões periféricas. A desigualdade, aliás, continua sendo apontada como um dos maiores desafios para o desenvolvimento do país nas próximas décadas.
…NÃO TIVESSE PASSADO POR UMA DITADURA MILITAR?
Sem os 21 anos de regime militar, entre 1964 e 1985, é possível imaginar um Brasil com instituições democráticas mais maduras e uma cultura política menos marcada pela desconfiança entre civis e forças armadas. Muitos historiadores apontam que o período deixou marcas profundas na forma como a sociedade brasileira lida, até hoje, com temas como direitos humanos e memória histórica.
Esse Brasil alternativo talvez tivesse desenvolvido, mais cedo, mecanismos mais sólidos de fiscalização do poder público, o que poderia ter reduzido práticas de corrupção que ainda marcam a política nacional na atualidade.
…NÃO TIVESSE UMA CULINÁRIA TÃO VARIADA?
Sem a combinação de influências indígenas, africanas, portuguesas e das diversas ondas de imigração, a culinária brasileira certamente teria menos pratos emblemáticos como a feijoada, o acarajé, o churrasco gaúcho e o tacacá amazônico. Essa diversidade gastronômica é hoje um dos cartões de visita do país no exterior, atraindo turistas e valorizando produtores locais em cada região.
Mesmo que Jair Bolsonaro (sem partido) tivesse sido derrotado nas urnas, uma coisa é certa: o país continuaria dividido politicamente do mesmo jeito, com manifestações à esquerda e à direita, a exemplo do que tem ocorrido atualmente.
