#PartiuSemCarro: transporte seu estilo de vida por outras vias sem perder a direção
Dia mundial de conscientização reabre passagem para reflexão sobre alternativas à mobilidade urbana

É sexta-feira, fim de tarde, expediente encerrado e você está ao volante a caminho de casa. A cidade inteira parece ir junto: carros, motos, ônibus e similares apinham-se em vias cada vez mais apertadas e congestionadas.
A cena, típica de médias e grandes cidades, ilustra o preço – de tempo, de vida e de bolso – da escolha preferencial da condução do cotidiano sobre rodas – no caso, as próprias, quitadas ou financiadas, disponíveis na garagem.
Neste Dia Mundial Sem Carro (22 de setembro), reabrimos passagem para reflexão sobre alternativas à rotina automotiva em benefício da mobilidade urbana, da economia e da qualidade de vida.
MUITOS VOLANTES
A frota brasileira de carros era de 58,7 milhões de unidades, segundo último levantamento nacional do Ministério da Infraestrutura, datado de julho de 2021. O número corresponde a 53% de todos os veículos (caminhões, ônibus, motos e similares).
E ainda estão chegando mais. Apenas em 2021, já haviam sido emplacados 1.047.528 carros segundo a última planilha, referente a setembro, da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
Nem a pandemia estacionou a venda de carros. Pelo contrário: acelerou a de usados. De fevereiro de 2020 a julho de 2021, o aumento foi de 24,4% de acordo com dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
A BORDO DO APP
Quem não tem um carro para chamar de seu e precisa se deslocar tem optado pela ‘terceirização’ do uso, seja pela contratação dos serviços de transporte individual por aplicativo ou do táxi mesmo.
Esses passageiros são, em geral, da ‘classe C’ – a saber, aquelas que precisam sair de casa para trabalhar e são as principais usuárias de apps, segundo informam as próprias plataformas (no caso, 99 e Uber).
Essa rotina colabora na manutenção de um congestionamento a perder de vista de carros nas ruas e avenidas. Estima-se que cerca de 5 milhões de sejam profissionais de seus próprios volantes no país.
VIDA COLETIVA
A alternativa mais comum à utilização de carros é o transporte coletivo. No Brasil, 85,7% das viagens urbanas são por ônibus e apenas 14,3% sobre os trilhos segundo dados da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU).
Ainda segundo a entidade, são 98.975 veículos nas ruas em mais de 40,4 milhões de viagens por dia no país. A frota, bem inferior à de automóveis, polui oito vezes menos, conforme destaca a NTU.
A pandemia, no entanto, reduziu a oferta do serviço em todo o país. Pelo menos 25 empresas suspenderam o serviço em virtude da falta de passageiros, a exemplo do transporte ferroviário, que perdeu metade dos 11 milhões de usuários, segundo a Agência Nacional dos Transportes de Passageiros sobre Trilhos (ANP).
Nas grandes cidades, onde estão concentrados, os trens metropolitanos desafogam as ruas. Um único comboio, com capacidade para 2,5 mil pessoas, elimina pelo menos dois mil carros das vias públicas.
Além disso, os trens costumam levar vantagem sobre os ônibus pela pontualidade, pelo conforto (quando não estão lotados), pela segurança (em uso ou na estação) e pela velocidade de deslocamento.
MAIS GUIDÕES, POR FAVOR
Entre tantos carros, ônibus e alguns trens há quem prefira transitar de bicicleta. Quem viu sua renda diminuir ou mesmo sumir e precisou abrir mão até do transporte público acabou por levar a vida no guidão.
As pedaladas têm impulsionado as vendas. Apenas no primeiro semestre de 2021 foi registrado um aumento de 34,17% segundo dados da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike).
Entre os bikers urbanos, estão aqueles que adotaram este meio de transporte como uma prática saudável associada ao dia a dia. O deslocamento ainda se dá em meio ao fluxo dos automotores na grande maioria das cidades brasileiras.
Atualmente, o Brasil dispõe de 3,2 mil quilômetros de ciclovias localizadas, principalmente, nas capitais. Apenas na cidade de São Paulo são 681 quilômetros de ciclovias, ciclofaixas permanentes e ciclorrotas.
‘INDA A PÉ EU VOU…
Apesar da frota imensa e do aumento do número de bikes, o principal modo de transporte no Brasil é a pé mesmo. A caminhada representa 39% de todos os deslocamentos, à frente do transporte coletivo (28%), dos carros (26%), das motos (4%) e das bicicletas (3%).
Os números são da NUT, citada acima. O meio mais antigo para se deslocar é, a exemplo das bikes, aliado à saúde, principalmente se praticado em lugares onde a poluição não concorre tanto com o ar puro.
Seja lá qual for a necessidade de transporte de cada um(a), a recomendação neste Dia Mundial Sem Carro é que, na medida do possível, a comodidade fique na garagem para que se dê carona à oportunidade de mudança de hábitos, sem perder a direção dos rumos na vida congestionada de cada dia.
