#PerdeuVulcão: as últimas previsões dos tsunamis de cada dia no Brasil
Da enxurrada de contas e críticas às enchentes de falta de planejamento, algumas de nossas previsíveis erupções

Adormecido desde o início dos anos 1970 na tão tão distante Ilha de La Palma, no arquipélago das Canárias, próximo ao continente africano, o vulcão Cumbre Vieja voltou a sacolejar o noticiário do outro lado do Atlântico.
Antes mesmo do despertar da montanha de fogo, registrada neste domingo (19), reacendeu-se o debate sobre o risco da formação de um grande tsunami que atingiria até mesmo as costas das Américas – inclusive as do Brasil.
Enquanto o Cumbre Vieja esquenta sua popularidade pela primeira vez nas ondas digitais, outros tsunamis pré-anunciados já provocam seus ‘estragos’ nas costas dos brasileiros. Confira quais são e se prepare: elas podem te pegar.
ONDA ATLETICANA
Atingido nos últimos dois anos por uma forte onda rubro-negra, o futebol brasileiro tem sofrido nos últimos meses os avanços de um fenômeno improvável: das montanhas sem mar de Minas Gerais, revoltam as águas o Atlético Mineiro.
A chegada do tsunami preto-e-branco foi precedido de uma marolinha no Campeonato Brasileiro. Com o passar das rodadas, no entanto, o time cresceu e, desde a sete marés encontra-se na crista da onda da classificação.
À mesma altura, o Galo tem transbordado sua superioridade na Copa do Brasil e na Taça Libertadores da América, onde afogou as pretensões de Boca Junior e River Plate, feito inédito do novo Netuno brasileiro da competição.
ONDA BOLSONARIANA
Ondas fortes podem atingir o Brasil na manhã desta terça-feira (21). A previsão é que alcancem o país logo após o discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem leme partidário), na abertura da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Navegadores da diplomacia e marujos da esquadra política estão divididos quanto aos reflexos da ressaca oral de Bolsonaro em Nova Iorque, nos Estados Unidos – ainda mais nestes tempos de águas internacionais agitadas.
Apesar de sua afeição pelas tempestades, a expectativa é que o presidente – que chamou o púlpito da ONU de ‘palanque’ – navegue pelos mares diplomáticos e se esforce em apresentar-se como timoneiro de uma próspera nau por vias rasas.
ONDA ECONÔMICA
O mercado financeiro iniciou a semana em mares tenebrosos. Ainda na manhã desta segunda-feira (20) as bolsas de valores dispararam o alerta direto do cais: há risco de um maremoto internacional provocado por uma gigante chinesa.
Há grande temor pelo eventual impacto de um calote de mais de US$ 300 bilhões (R$ 1,5 trilhões) da incorporadora Evergrande na economia global – a começar, pela chinesa, que corre o risco de ver uma de suas grandes companhias ‘virar água’.
A despeito dos prósperos mares da relação comercial com a China, cuja série histórica em agosto transbordou R$ 274 bilhões à balança comercial do Brasil, segundo os números oficiais, o brasileiro vive seus próprios tsunamis de cada dia.
A imprevisibilidade econômica dificulta ainda mais a sobrevivência em um país de águas turvas para muitos e mansas para pouquíssimos: a maré do custo de vida (da gasolina ao preço do tomate) apenas sobe.
As forças gravitacionais impõem correntes contrárias ao salário mínimo de R$ 1,1 mil, desvalorizado em 40% desde 2011. Enquanto isso, pelo menos 14,4 milhões de navegantes seguem à deriva no mercado de trabalho. Viver não é preciso, mesmo.
ONDA HÍDRICA
Enquanto os maremotos se sucedem no bolso e na vida do brasileiro, falta a própria água. O país com as maiores e doces reservas do líquido mais abundante do planeta sofre com a pior seca dos últimos 91 anos.
A estiagem promove a primeira visão do mar às avessas: onde havia correnteza e vida, há areia e carcaças de animais e negócios a perder de vista. Agora é o fogo que flui e redesenha sua própria natureza morta.
O cenário não deve se alterar tão cedo segundo órgãos especializados no clima e na economia. Os primeiros apontam a retomada das chuvas para novembro. Os outros estimam que a crise provocada pela seca se arraste até abril de 2022.
ONDA ELÉTRICA
A redução da oferta de água pelos rios já começou a afetar a capacidade de produção das hidrelétricas. A restrição à utilização da principal geração de energia elétrica do país chegou a inéditos 35% da capacidade.
A crise energética tem provocado um tsunami de custos para operação do setor no país, que precisou recorrer ao uso encarecido das termoelétricas. O preço da falta de planejamento de décadas desaguou na conta do consumidor.
A alta acumulada de um ano chega a 20,86%. O último reajuste, de 7%, é de 31 de agosto. Um mês antes, o preço de cada 100 kWh subiu de R$ 6,24 para R$ 9,49 – uma enchente de 52% sobre a tarifa vermelha patamar 2 – a mais cara.
E O VULCÃO?
Enquanto isso, o Cumbre Vieja segue apenas fumegando e provocando alguns tremores de terra desde que resolveu virar notícia de vez, no domingo (19). Por segurança, as autoridades espanholas emitiram sinais de alerta.
Requisitados mais do que nunca nos últimos dias, os especialistas em sismologia dizem ser remotas as possibilidades de o Brasil vir a ser atingido por um grande tsunami provocado por uma erupção nas Canárias.
Mas, já aconteceu. Há o registro de um grande maremoto que chegou às praias do Nordeste brasileiro em 1º de novembro de 1755. Pelo menos duas pessoas morreram. O fenômeno foi provocado grande terremoto de Lisboa, em Portugal, do outro lado do Atlântico.
