#MedoDeVoar: Tempestades podem mesmo derrubar um avião?
Fivele seus cintos para um assunto turbulento e saiba se vale a pena seguir viagem sob sol ou nuvens

Videos de um aviao balancando com ventos fortes no Parana reabriram a pergunta que assusta quem tem medo de voar: tempestades realmente derrubam avioes? Entenda a ciencia da turbulencia e das tesouras de vento.
As imagens de um avião balançando com a força do vento no aeroporto de Maringá (PR) repercutiram nesta quinta-feira (9) em portais de notícia, redes sociais e, claro, nos grupos de aplicativos de mensagens.
Nas cenas, registradas em vídeos por pessoas que estavam no local, um ATR da Azul Linhas Aéreas balança como se fosse virar a qualquer momento. As rajadas de vento chegaram a 150 quilômetros por hora, segundo dados meteorológicos.
O fenômeno, provocado por ciclone extratropical, aconteceu enquanto a aeronave ainda estava no solo. E se estivesse voando em semelhantes condições, quais seriam os riscos de um acidente pela força dos ventos?
APERTE OS CINTOS AÍ!
Em grandes altitudes, esse remelexo todo dos ventos, associado à mudança brusca de temperatura, velocidade e pressão é chamado de turbulência. Quem já balançou dentro de um avião sabe bem do que se trata.
Como o avião se sustenta no ar pela força de sustentação do ar que passa ‘mais lento’ sobre e ‘mais rápido’ sob as asas, a variação repentina acaba por sacolejar tudo quando acontece inesperadamente.
Esses eventos são associados à passagem por céus com nuvens carregadas, prontas para derrubar um dilúvio. Nestes casos, cabe ao piloto seguir alguns protocolos de segurança, como a redução da velocidade de voo.
CORTA ESSA!
É, mas esse tipo de desconforto também é possível de ocorrer em ‘céus de brigadeiro’, aqueles em que só se vê o sol ou as estrelas. A culpa não é delas, mas das ‘tesouras de vento’, prontas para cortar o barato de uma viagem tranquila.
Neste caso, ocorre uma mudança violenta da corrente de ar, capaz até de provocar acidentes. Entre 1943 e 2009, este fenômeno provocou pelo menos 70 acidentes que mataram mais de 1,5 mil pessoas, segundo a Flight Sfatey Foundation.
Antes que você também corte o avião de seu passeio saiba que a tecnologia aeronáutica já dispõe de sistemas utilizados em aeronaves modernas que preveem as tesouras de vento e orientam o melhor procedimento a ser seguido pelos pilotos.
COURO DURO?
Para aguentar tanta intempérie no lombo, só com muita estrutura aeronáutica. Os aviões são fabricados para suportarem condições climáticas desfavoráveis. Mas, como tudo que vem com manual, há limites.
Seja no manche de um pequeno, médio ou grande avião, é preciso, no entanto, que os pilotos evitem expor o equipamento a condições que poderiam ser evitadas se seguidas orientações aeronáuticas de segurança.
É como, por exemplo, querer atravessar uma grande tempestade com um ‘teco-teco’. Não vai rolar. A dica mais sensata é contornar a intempérie à frente ou, a depender da situação, nem mesmo levantar voo.
OK, MAS CAI OU NÃO?
Bem, em situações absolutamente desvantajosas entre avião e clima, o primeiro pode levar a pior. Especialistas dizem, no entanto, que apenas uma tempestade raramente é suficiente para provocar um acidente, mas uma série de fatores.
O congelamento dos sensores externos durante uma tempestade foi um dos principais motivos para a queda do Airbus A-330 da Air France, em 2009, com 228 pessoas a bordo, no Oceano Atlântico. Todas morreram.
TREINAMENTO PARA TURBULÊNCIA
Pilotos comerciais passam por treinamentos periódicos em simuladores que reproduzem justamente cenários de turbulência severa e tesouras de vento, para que saibam reagir com rapidez e sem pânico quando esses eventos ocorrem em pleno voo. Esses treinos incluem desde a leitura de instrumentos meteorológicos de bordo até a comunicação com torres de controle para desviar de frentes de mau tempo com antecipação.
As companhias aéreas também contam com meteorologistas próprios, que analisam a rota antes da decolagem e sugerem ajustes de trajeto para reduzir a exposição da aeronave a áreas de instabilidade atmosférica. Quando a turbulência é inevitável, a orientação padrão aos passageiros é simples: manter o cinto de segurança afivelado durante todo o voo, mesmo com o aviso luminoso apagado.
E QUANDO O VOO PRECISA MUDAR DE ROTA?
Em situações de tempo muito instável, o comandante pode simplesmente optar por contornar a área de risco, mesmo que isso signifique alguns minutos extras de voo. Essa decisão passa por cálculos de combustível disponível, altitude segura e orientação do controle de tráfego aéreo, que monitora em tempo real onde as tempestades mais fortes estão se formando.
Vale lembrar que os radares meteorológicos instalados no nariz de cada aeronave moderna permitem identificar, com boa antecipação, núcleos de chuva mais densos, o que ajuda a tripulação a escolher o caminho mais tranquilo antes mesmo de a turbulência ser sentida pelos passageiros.
Mas, apesar do clima ruim provocado por esta informação – ainda que seja verdadeira – é importante lembrar que voar ainda é o transporte mais seguro do mundo. Você certamente sobreviverá a um raio se estiver dentro de um avião, inclusive no céu.
