A força da terceira idade: confira histórias que superam o tempo

Histórias reais de pessoas com mais de 65 anos que superaram medos e limites da idade para viver novas experiências, da natação ao paraquedismo, mostrando que a terceira idade pode ser tempo de recomeços.

O medo de se afogar afastou a indiana Vijaya Srivastava das piscinas por 68 anos. Bastou a motivação de seu médico sobre a importância da natação para sua saúde para que as águas brotassem em sua rotina na terceira idade.

Aos 72, ela tem nadado pelo menos três vezes por semana, acompanhada pelos netos, conforme relatou em entrevista ao jornal The New York Times, traduzida pelo ‘O Estado de São Paulo’, o ‘Estadão’.

A dedicação de Srivastava é apenas um entre inúmeros exemplos de pessoas com idade superior aos 65 anos que encararam novos desafios apesar das limitações – inclusive as impostas por si mesmas.

Neste post, listamos relatos de ‘jovens tardios’ que desafiaram os próprios medos e surpreenderam com atitudes de resiliência, persistência, experiência, sabedoria e, claro, coragem de tiracolo.

VOVÓS PARAQUEDISTAS

Imagine dar seu primeiro salto de paraquedas aos 81 anos. Pois este foi o feito de Encarnação Olivas Garcia (1911-2013), a ‘Vó Nena’ fez para comemorar seu aniversário diante dos familiares, em Marília (SP), em 1992.

O feito foi parar no Guinness Book: a pessoa mais velha a saltar de paraquedas no mundo. ‘Vó Nena’ seria superada pela gaúcha Ainda Gemaque Mendes (1910-2020), a Vovó Iaiá, que faleceu aos 110 anos.

Ainda é dela, aliás, o recorde da pessoa mais velha a carregar a tocha olímpica. Em 2016, aos 106 anos, ela carregou o símbolo maior do esporte mundial pelas ruas de sua cidade, a capital Macapá (AP).

DE VOLTA À ESCOLA

Em Vitória (ES), o aposentado Pedro Francisco de Souza tem levado muito a sério aquele velho ditado que diz: ‘nunca é tarde para se aprender’. Inclusive quando a idade do aprendiz ultrapassa os três dígitos.

Aos 103 anos, seo Pedro resolver voltar a estudar. Desde o semestre passado ele é um dos alunos matriculados no Programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) da escola municipal “Suzete Cuendet”, na capital capixaba.

Em entrevista à Folha Vitória, o aluno mais experiente da sala tem por companhia de estudos um de seus 17 filhos, André Souza, de 46 anos, que vê no pai dedicado uma inspiração à parte para concluir os estudos.

TATUAGEM AOS 82

Nunca havia passado pela cabeça do seo Antonio fazer uma tatuagem. Aos 82 anos, ele não pensou duas vezes antes de aceitar a proposta da família de escrever uma frase inesquecível em seu braço: ‘só alegria’.

A iniciativa, no entanto, foi provocada por um dos momentos mais tristes da vida do aposentado: a perda do filho de 59 anos, vitimado pela covid-19, neste ano. A frase era o seu bordão preferido.

“Pra mim é um orgulho ter tido essa coragem porque é muito emocionante e agora tenho muito prazer em expor meu braço com a frase que ele sempre dizia”, afirmou seo Antonio ao G1 do Acre.

CASAMENTO CENTENÁRIO

Quem acha que há prazo na vida para se encontrar um novo amor precisa conhecer a história dos recém-casados John e Phyllis. Aos 103 e 100 anos, respectivamente, eles decidiram que ainda era tempo de amar.

Mas o matrimônio só aconteceu após um ano de namoro, a pedido de Phyllis. Afinal, ambos precisavam de um tempo a mais para se conhecerem melhor na Casa de Repouso onde vivem em Sylvania, Ohio, nos Estados Unidos.

TECNOLOGIA SEM IDADE

Outro capítulo comum entre os chamados jovens tardios é a relação com a tecnologia. Ao contrário do que se costuma imaginar, muitos idosos têm se dedicado a aprender a usar smartphones, redes sociais e aplicativos de mensagem justamente para se manterem próximos de filhos e netos que moram longe.

Esse aprendizado, quase sempre feito com paciência redobrada e a ajuda dos mais jovens da família, tem se tornado uma ponte importante contra a solidão, um dos maiores desafios enfrentados por pessoas na terceira idade, sobretudo depois da aposentadoria ou da perda de um companheiro.

Há relatos de avós que passaram a gravar vídeos curtos, participar de grupos de conversa e até vender produtos artesanais pela internet, provando que a curiosidade e a vontade de se conectar com o mundo não têm data de validade.

O CORPO QUE SE REINVENTA

Além dos saltos de paraquedas e das aulas retomadas, a atividade física tem se mostrado uma aliada frequente entre quem decide não se acomodar com o passar dos anos. Caminhadas, hidroginástica, dança de salão e até musculação leve fazem parte da rotina de muitos idosos que buscam qualidade de vida e independência.

Médicos geriatras costumam reforçar que a prática regular de exercícios, respeitando os limites de cada organismo, ajuda a preservar a força muscular, o equilíbrio e até o humor, reduzindo o risco de quedas e outras complicações comuns nessa fase da vida.

Mais do que uma questão estética ou de desempenho, esse cuidado com o corpo carrega um significado simbólico: o de que ainda há tempo para se cuidar, se desafiar e comemorar pequenas vitórias, seja completar uma caminhada mais longa ou simplesmente subir uma escada sem cansaço.

O QUE ESSAS HISTÓRIAS TÊM EM COMUM

Ao observar os relatos reunidos aqui, um ponto se repete: o apoio da família costuma ser decisivo para que a pessoa idosa se sinta segura para tentar algo novo. Netos que incentivam, filhos que acompanham e amigos que celebram cada conquista fazem toda a diferença.

Essas histórias servem como um convite à reflexão sobre os próprios limites que, muitas vezes, são impostos pela idade apenas na cabeça de quem os vive. Recomeçar, aprender e se surpreender, ao que parece, é possível em qualquer década da vida.

Apesar do casamento, ambos decidiram continuar a morar em quartos separados, para preservar a privacidade, tais quais casais, digamos, à frente do tempo. Eis aí um amor que promete entrar na eternidade.

Ricardo Almeida
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