Já ouviu falar em “alta na bolsa”? Saiba como as farmacêuticas tiveram essa ‘alta’ durante a pandemia

As empresas farmacêuticas que se dedicaram nas pesquisas e estudos da vacina contra a Covid-19, viram seus números até quintuplicar na bolsa de valores. Com valorizações bilionárias na bolsa de Nova York, a NYSE, as altas foram registradas desde o início da pandemia e chegaram ao auge com os bons resultados apresentados pelos testes das vacinas.

Apesar de muitas farmacêuticas ainda não terem concluído seus testes, a pandemia mostrou que é possível aumentar as cotações dessas empresas em milhões de dólares, mesmo sem ter comprovado a verdadeira eficácia de seus imunizantes. 

Quem investiu nas ações das principais farmacêuticas que pesquisaram e produziram a vacina, viram o ganho do acionista retornar de forma significativa.

Mas, de fato, o que significa ações? Ganho do acionista? Bolsa de valores? Entenda esses conceitos e veja como isso impacta na sua vida.

O que é bolsa de valores?

Pense na bolsa de valores como um ambiente de negociação, em que os investidores podem comprar ou vender títulos, ações e commodities emitidos pelas empresas, que podem ser empresas públicas, privadas ou mistas. 

É basicamente, se pudermos exemplificar de forma mais didática, como uma feira de moda, em que as lojas vão apresentar seus produtos nesta feira e vários tipos de clientes vão até lá para ter maiores opções de compra. A bolsa de valores é bem isso: um ambiente em que várias empresas apresentam suas ações, por exemplo, para quem queira adquirir.

Apesar de ser considerado um verdadeiro quebra-cabeças para algumas pessoas, o conceito e a prática da bolsa de valores se popularizou nos últimos anos e muitas pessoas conseguem levar o processo como uma forma de obter um dinheiro extra ou até mesmo um ganha-pão. Mas para isso, é preciso entender e se aprofundar nas características que compõem esse mundo das ações.

O que são as ações?

As ações são como pequenas partes da empresa, que ao comprá-las, o acionista se torna um “sócio”. Dessa forma, apesar das ações representarem uma parte ínfima da companhia, o investidor passa a ter direitos a dividendos, que são partes do lucro da empresa que são distribuídos entre os seus acionistas, dependendo da ação que ele tenha comprado.

A valorização das ações se dá por uma regrinha básica: quanto mais a ação é requisitada, mais valorizada ela fica. Justamente por isso, o movimento das ações depende diretamente dessa “compra e venda” que acontece na bolsa de valores.

Entretanto, é importante esclarecer que, a valorização ou depreciação das ações não refletem, como regra, na situação da empresa. Pode ser que uma empresa com um faturamento significativo esteja com ações mais baratas do que uma empresa que está endividada. Há uma explicação lógica para esses casos, mas é preciso analisar os pontos que compõem esse tipo de situação.

As ações de maior visibilidade são as que representam maior liquidez dentro da bolsa de valores. Essa liquidez se refere à facilidade de vender ou comprar as ações de determinada empresa. Quando há essa facilidade, as ações de maior liquidez registram altos números de negociações diárias.

Na B3, a bolsa de valores brasileira, sediada em São Paulo, algumas ações estão sempre em destaque por conta de sua liquidez. Veja:

  • Banco do Brasil (BBAS3)
  • Petrobras (PETR4)
  • Ambev (ABEV3)
  • Itaú (ITUB4)
  • Bradesco (BBDC4)

O que significa uma alta ou baixa na bolsa de valores?

O conceito é intuitivo: a bolsa está positiva quando está em alta e negativa quando está em baixa. Entretanto, para medir essa alta ou baixa, precisamos saber o que é o Ibovespa. 

O Ibovespa ou Índice Bovespa (IBOV), é o índice que mede o desempenho da bolsa de valores, ou seja, mede se a bolsa está em alta ou baixa. O IBOV funciona representando as ações mais negociadas da bolsa de valores brasileira. 

Com toda certeza, você já ouviu falar em algum jornal, que o Índice Bovespa está baixa, por exemplo. Bom, quando ele está em baixa, praticamente significa que a bolsa está em baixa. Isso acontece porque o IBOV corresponde a uma média de 80% de todas as negociações que são feitas na B3. Logo, se o Ibovespa se mostra em queda, a B3 também está em queda. 

Um exemplo: se as ações da Vale e da Petrobrás, que são duas empresas que passaram e ainda passam por altos e baixos no contexto social-político brasileiro, estiverem em baixa, é bem provável que a bolsa também estará. Isso acontece porque as ações dessas empresas são duas das principais ações que compõem o IBOV, com negociações significativas sendo realizadas diariamente. 

Mas, se no jornal, você ouve que o Ibovespa está em alta, então temos um panorama positivo para a bolsa de valores. Quando essas mesmas ações da Vale e da Petrobrás, por exemplo, estão em alta, praticamente a B3 estará em alta também. 

Por que as farmacêuticas tiveram essa “alta”?

Considerando o contexto pandêmico atual, essa alta já era esperada. Em meados de 2020, quando começaram a sair os primeiros estudos sobre a Covid-19 e a vacina que barraria a pandemia, as farmacêuticas que colaboraram com essas pesquisas, começaram a observar a elevação das suas ações nas bolsas de valores pelo mundo todo.

A Moderna Therapeutics, empresa norte-americana responsável pela vacina Moderna, viu suas ações aumentarem 29%, segundo o site InfoMoney, em maio de 2020. Nessa época, a vacina ainda estava na fase 1 dos testes clínicos, mas já anunciava que os primeiros resultados apontavam que os 45 voluntários apresentavam anticorpos contra o Sars-CoV-2. 

Não é preciso ser um expert na bolsa de valores para saber que as ações da Moderna subiriam após divulgarem os primeiros resultados dos testes. O mercado realmente iria responder de maneira posivita num contexto em que o mundo todo está em uma corrida pela vacina, tanto para compra e venda do imunizante, quanto para a população que anseia pela aplicação para que, finalmente, possa estar imunizada contra a doença.

Os investidores nas bolsas de valores, já pensando nesse anseio pela vacina, concentraram seus esforços nas empresas que iriam produzi-las, investindo seus recursos nas ações dessas farmacêuticas, fazendo suas ações subirem de maneira exponencial. 

O mercado das ações funciona, dentre outros mecanismos, com uma previsão centrada, que é baseada na experiência que muitos acionistas têm sobre a alta e baixa das ações. Dessa forma, mesmo que existam vacinas que ainda não há comprovação científica de sua eficácia, as ações das farmacêuticas que as produziram iriam subir, justamente, pelo fator previsão.                          

Como a bolsa de valores influencia na minha vida, sendo que não sou um acionista?

No caso do Brasil, o Ibovespa funciona como um bom indicador econômico para o país e dessa forma, irá impactar a vida de toda a população.

Claramente, se você investe na bolsa, os impactos serão mais evidentes, mas de qualquer forma, mesmo não investindo, você verá nos índices de desemprego, de investimentos internos e externos e no aquecimento da economia, o que a bolsa de valores consegue refletir na vida dos brasileiros.

Quando o Índice Bovespa sobe, mostra ao mercado que as empresas estão em expansão pelo volume de investimentos que elas estão recebendo. Com esse crescimento, as empresas buscam se atualizar e isso reflete em novas vagas de emprego, diretas e indiretas, já que com a expansão, as empresas irão demandar de mais fornecedores, mais produtores e etc.

Com o índice de desemprego em queda, a economia do país mostra um aquecimento, que tem impacto direto no poder de compra do trabalhador.

Entretanto, quando o IBOV está em baixa, reflete no exato contrário: em um desfavorecimento na economia. Com a bolsa em queda, os índices de desemprego se mostram em alta e os investimentos internos e externos em baixa.

Uma economia desaquecida, geralmente, representa crises financeiras e recessão para o país.

Filmes que mostram a bolsa de valores na prática

Foto: Filme – O Lobo de Wall Street/Divulgação

Para ter uma noção maior de como a bolsa de valores funciona e como elas interferem na vida da população, veja a lista de filmes que separamos abaixo:

  • O Lobo de Wall Street
  • Trabalho Interno
  • Grande Demais Para Quebrar
  • Margin Call: O dia antes do fim
  • Capitalismo – Uma história de amor

 

Ricardo Almeida
Bem-vindo! Sou Ricardo, e neste espaço, minha paixão por futebol, o universo do esporte e as nuances da política se transformam em análises e discussões. Venha falar comigo os temas que moldam o Brasil.
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